domingo, 4 de dezembro de 2016

borbo



Ela decidiu voltar pra dentro de. ela percebeu que essa coisa de ser borboleta, de ver borboleta e de dar borboletas pode não dar certo em alguns casos. melhor ficar, parar, se concentrar pra não perder as suas. tudo acaba acabando mesmo. e se, por acaso o seu estoque secar, ela seca também. 

"só se pode encher  um vaso até a borda, nem uma gota a mais". caio

nada a mais. nada mesmo.  fique com os seus rumores de dentro de si, não vá muito pro lado de lá, não precisa ser tão insuportável, senão sangra. senão a vida fica cinza e dentro também. cuida pra que dentro as cores estejam equilibradas. não oferta demais. agora trata de receber. já foi o tempo do que não pode, já foi o tempo de aparar as coisas que voam. se cortar mais, morre.  nem uma gota a mais. é secando que se renova de qualquer forma. agora trata de fazer assim, olha ao redor, procura caçar as borboletas que estiverem precisando de casa, coloca dentro da cabeça, conserva a vida, conserva o vôo, conserva o que sempre foi teu, depois você solta, recicla sua cabeça pra voltar pra'quilo que sempre te ajudou a fazer parecer possível, reencontra essa coisa de magia que alguém disse que não tinha mais. não desperdiça as cores que te ficam, o tempo trata de cuidar disso, não deixa que esses outros tratem de acelerar essa falta, não deixa que peguem nada sem devolver, se pega azul, devolve rosa, mas devolve. se não devolve, não dá mais. senão acaba. pode acabar, mas quando acaba, a dor volta ainda mais forte. cuida da vida sem dor. 
não, não pode acabar não. cuida do teu estoque pra não colar no chão.

os passarinhos aqui de fora não param de cantar mesmo nesse dia cinza.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

ansiedade de amor

Poderia dizer que ao se ansiar no amor um roteiro pronto e mal feito  - , desses cafonas que no final  as coisas se ajeitam, que as pessoas dizem mesmo o que é importante dizer, não guardam a sete chaves e só revelam minutos antes da sua morte, era um tipo de roteiro clichê, mas criativo, o desafio era encontrar os furos interessantes nessas histórias que a gente só sabe que existe quando assiste comédia romântica,  é isso, era uma comédia romantica cool, com personagens descolados que dariam certo, não seriam escravos do tempo, nem do sistema, eles seriam felizes para sempre porque estariam satisfeitos com suas escolhas, com esse roteiro a gente quer encorajar as pessoas do mundo a revelarem seus segredos bem antes da hora do fim, esse é um filme que não acúmulo de nada, ninguém super valoriza sua revelação, as pessoas vão lá e falam, lá aonde? perda de tempo acumular dizer e afeto, duas coisas que só cumprem sua função quando divididas, com esse roteiro,

Se fortaleceria em esperança de mãos dadas - , toda essa gente que finge não querer dar a mão pra ninguém, a gente precisa dizer assim ó: eu também preciso dar as mãos, aí o outro se convence que talvez ele precise também, ele vai parar de querer briga porque alguém disse pra ele que isso pode também, que a gente não precisa sair por aí se fingindo de forte, dá um trabalho danado parecer o que não é, você primeiro começa a parecer sem nem saber porque, depois o outro começa a ver essa pessoa que você se parece, depois você precisa cuidar de ser o que pareceu porque senão perde o seu lugar no mundo, ficará inclassificável, se tornará um ser temido,  tudo isso aconteceria em poucos segundos, ou minutos? essa coisa do tempo não tem medida, a gente precisa parar de fazer isso, porque é mentira, só por isso mesmo, cada um é dono do seu tempo, a gente sai por aí fingindo tempos comuns pra não se perder, pra sentir que não somos só, pra esquecer que no final das contas acabaremos sentados numa mesa de bar resistindo a doses de álcool de qualquer espécie


E pedidos antecipados de uma soda com uma fatia de laranja? Não limão, laranja mesmo. -laranja porque coisa muito ácida quase sempre provoca um tipo de comportamento ríspido, um tipo de indisposição social, uma coisa meio azeda. e só.

Em negrito provocação da maravilhosa Thais Menezes que sempre me inspira e me faz mais eu.

domingo, 8 de maio de 2016

joga fora

joga fora.
joga tudo fora.
apaga conversa.
apaga foto.
salva tudo num pendrive e manda embora.
manda embora.
tem coisa que não sai de dentro.
puxa que sai.
é sal.
uma coisa sempre gera outra coisa.
isso não muda.
tem opção.
sempre tem.
o que?


dores

eu queria falar sobre essas dores que eu tenho sentido, dores musculares, os músculos estão berrando, saltando e eu já não sei mais como caber nesse excesso. dores. dores como eu não me lembro de ter sentido. começou no ombro quase como um pretexto de cuidado do outro. depois o joelho não me deixou mover por uma noite. depois a posterior da perna esquerda. e agora as costas, num lugar preciso, um lugar que eu nem sabia que existia, mais pra esquerda. dói muito. eu to escrevendo pra ver se passa a doer menos. não tem nada de altruísta nisso,  essa é uma escrita que pretende curar. eu vou contar. vou dizer que você não pode dar a entender tanta coisa que não pode sustentar. eu fico aqui com esse aparador do out back que ganhei de presente mais ou menos, um presente seguido de não, não faz isso, será? medo. medo demais. te falta capacidade de sentar e deixar o tempo passar, sentar em qualquer lugar sem escolher muita coisa. o pior é que eu to numa fase da vida que não cabe lamento, não cabe sofrer, só cabe essas dores que estão me paralizando. tudo começou com muita coisa sentida, a gente observava em si, a gente entendia um pouco do mundo a partir do que a gente era junto. tem um cara auto centrado que é viciado em falta, que nunca está satisfeito, que não dá conta de ser menos em nenhuma área da vida. ele vem com muita força, fala alguma coisa sobre esperar o tempo necessário, sobre um coração que fica em paz com boas escolhas, fala sobre futuro abessa, sobre muitas coisas que ele nunca, algumas coisas sempre, ele sempre quis conversar com alguém de verdade, sempre quis ter seu espaço apesar de estar a dois, sempre quis morar no alto paraíso, sempre quis uma mulher inteligente, ele nunca tinha planejado uma viagem antes, ele nunca tinha se sentido tão bem, ele queria fazer isso por ela, ele dizia que queria. ele despertou uma coisa quase que insuportável pro mundo, pro mundo dela. tem um tipo de gente que quer demais, que anda por aí se decepcionando com o que as pessoas poderiam ser e não são, é um tipo de gente que quando encontra alguma coisa que parece fazer sentido entra na coisa de um jeito bruto, faz o que pode, diz quase tudo por si, pra si, o o outro pode achar que ele faz parte disso tudo, mas ele não faz, por acaso é ele, esse tipo de gente fala pra se convencer, o outro entra na dança também convencido achando que é isso mesmo que tem alguma coisa ali muito forte. forte. forte por fora, mas por dentro é uma coisa arisca que foge do que deseja.
aí, aconteceu muita coisa, teve até intervenção espiritual, de outro plano, teve gente abençoando, mas não adianta, ás vezes a gente não esta preparado pra ter o que pensa querer. as vezes a gente deixa passar. muita gente deixa passar. desde o início já era sabido que tinha uma força estranha ali, não seria fácil, desperdício. eu só queria que essa dor nas costas fosse embora. existem muitos mistérios entre as pessoas, existe um abismo enorme, pode ser insuportável essa capacidade de ver no outro espelho.
- cuida de não se desalinhar com o que a vida te oferta.  ela não costuma ser tão generosa, ás vezes as coisas se definem e não tem mais volta. cuida de ter coragem pra escolher e ficar na coisa, mesmo que doa. porque vai doer de qualquer jeito.



Alexandra Levasse

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

aspire-se

- por que é que você me pede tanta aspirina?
- é pra eu não me doer.
- como é que é? hein? você se dói?
- eu me doo o tempo todo.
- aonde?
- dentro, não sei explicar.

aliás, cada vez mais ela não se sabia explicar (...)

............................................................................Clarice Lispector

Macabéa o nome dela.
Depois há quem diga que ela era um ninguém perdido no mundo.

terça-feira, 21 de julho de 2015

entre 28 e 30

é como se minha alma não tivesse nada a declarar. ela ta solta. ta perdida entre 28 e 30. nem uma coisa nem outra. tem alguém parado no meio. tem uma pessoa que diz que até os 28 sua vida vira do avesso e você se pergunta, que avesso? que mais? quantos avessos mais? falta pouco tempo pra virar, se não virou, não vira mais? dá um certo pavor essas frases de efeito. na realidade a gente nunca sabe quando é que esta dentro de alguma coisa ou fora, a gente acha que, a gente decide que, a gente cria tudo, sentido. você chega aos 28 ainda falando sem querer que tem 26, você não chega nunca, você ta prestes a se tornar alguma coisa que você não se reconhece, você não pára no espelho por mais de 1 minuto, você passa muito tempo esperando alguma coisa. a coisa chegou. e você ainda não. difícil se admitir no seu lugar, com suas escolhas, na sua idade, com seu corpo, com seu cabelo, sua pele, sua voz, seu tamanho, sem mudar nada, uma mar parado. ela me disse que isso era felicidade. Sempre penso nisso, ela nem faz ideia, as pessoas estão tão de passagem que não fazer idéia do quanto estão na gente. cada vez mais televisão, anestesia, uma coisa meio andy warhol misturada com não sei mais quem, não tem mais referencia, não tem muita surpresa, uma fase em que as coisas estão quase organizadas, como se fossem agora durar, e eu me vejo vagando como zumbi nesse lugar cheio de ordem como se eu fosse um tipo desses que se droga, cria coisas geniais e morre aos 27. hoje eu entendo. mas eu não, eu não nada disso.
socorro.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Vai pedir o que?



 

Existe um cardápio de gente, existe gente olhando esse cardápio, existe um monte de coisa que a gente sente, mas existe a cabeça, existe a cabeça, existe o pé também, o pé ás vezes abre, abre caminho, abre ferida, o pé faz andar, faz parar, porque ás vezes não tem metáfora, tem só o que é, tem a vida real, tem a fantasia que vai pro ralo, tem esse cara que olha e não vê nada, um olho que quer muito, que quer tudo, um olho de quem nunca teve nada escolhido, um olho que não se reconhece no que tem, um olho que não se sabe, ele está? está fazendo a dieta da proteína, ele não come massa, não come farinha branca, não tem energia pra quebrar, um corpo viciado em apontar, um corpo que não espera pelo o outro, um corpo que não troca, só recebe, um olho que olha e não vê, um excesso de verbo, uma gente que fala até perder a razão, uma gente que gosta de criar castelo, uma gente viciada em destruir castelo, os seus, o dos outros, tudo junto, muita gente sobrando pra muita gente faltando, e tem esse olho, esse é o olho de um homem que quer uma mulher, é o olho de um homem que foi avassalado por um vaga-lume, ele ficou, parou um pouco, perdeu a hora, perdeu os sentidos, perdeu o calor do corpo, perdeu certezas, perdeu o que já não tinha, perdeu o que tinha sem querer mais ter, perdeu, ele perdeu muita coisa pra se ganhar, ele se ganhou e foi embora, ele falou até não poder mais, até que calou, caçador de vaga-lume, olho de quem não sabe o que fazer com tanto mundo, olho de quem não dá conta do que vem depois do grito, olho de quem precisa ser capturado por qualquer coisa sem sentido pra não se perder, olho de gente que jogou o relógio no mar, olho dessa gente toda cinza que anda por aí escolhendo o que comer no sábado à noite.




(Olho comedor de vagalume)
- Viu?
- A mim, me interessa quem come pizza.

 



Antes o banal, fome mesmo, antes a fome real, fome de pizza, 
bem antes
.
.
.







quinta-feira, 6 de novembro de 2014

tempo tempo tempo

algum tipo de reflexão nesse (quase) mais um ano de vida/ inferno astral:

o seu tempo + o meu tempo = nosso tempo

Esse "nosso" acontece frequentemente em encontros de trabalho, algo que a gente escolhe, mas permanece muitas vezes por algum tipo de obrigação.
A permanência é um luxo.
Acontece também em aniversários.
É muita gente que a gente conhece
Muitas outras que a gente desconhece
É muito pra sempre virando nunca mais
Muita palavra sobrando
Muitas escolhas
Mais palavra sobrando
Muitos tamanhos dilatados 
Muita importância pra si, de si, em si


Tudo isso pra falar sobre a importância, a importância de estar onde se quer, com quem se quer, no meio dessa coisa enorme chamada tempo.
Tome conta do seu tempo,
porque ele passa,
e muita gente vai embora, inclusive você.




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

coisas casuais?


Agora, hoje, eu venho aqui escrever alguma coisa, qualquer coisa em primeira pessoa mesmo, assim, o mais inteira possível pra tentar codificar essa coisa toda desconhecida que ta nascendo dentro. Há algum tempo eu não leio nada que me comova, não consigo ficar mais que 5 minutos numa página de livro, tem os contos, e mesmo eles, aqueles que eram muito meus não me representam mais. E agora pra escrever eu decidi ouvir Los Hermanos: Assim Será, coloquei no aleatório, essa veio, e logo em seguida: Adeus você. Sendo assim, isso aqui, esse bando de palavras pode ser lido, e em seguida, ou no meio (mais tarde eu resolvo sobre isso), a música pode ou deve ser ouvida, porque cada vez mais eu sinto que nada dá conta. É tudo invenção. Tudo. Tudinho. Quando não é, é chato, daí a gente nem considera. A gente seleciona os pontos altos, e o que há de mais poderoso é o que a gente cria. A gente cria gente, cria amor, cria situações mais bizarras, a gente transforma essa coisa de realidade (que aos poucos e pelas beiradas vai comendo tudo). E o que acontece quando a gente percebe que mentiu pra gente mesmo? Não sei. Por isso esse bando de palavra. De maneira geral, bem geral mesmo, eu to enjoada de palavra, só de escrever aqui meu estomago já começa a doer, só de ver aquela menina toda frágil querendo me dizer uma série de coisas, querendo me ouvir, querendo tudo verbal, me deu preguiça, mas assim, uma preguiça que interrompe qualquer tentativa de ouvir/dizer, não tem espaço pra esquizofrenia, alguém sentou no lugar da fantasia. O mundo de Sophia. Cansei de inventar, eu sei, eu vejo, agora eu vejo tudo tão real, tão sem cor, mas não é exatamente feio, eu só não to sabendo muito como andar, não to sabendo muito como e o que ser depois dessa descoberta. Eu não to falando só de amor, eu to falando de tudo, tudo mesmo, to falando de todos esses sentidos que aos poucos vão caindo por terra, to falando de todos esses amigos que vão desaparecendo um a um a cada ano, eu to falando desse quarto com esse papel de parede cheio de flor, eu to falando dessa purpurina que a gente coloca em volta, eu to falando do quanto a gente é estranho/potente pra criar tudo isso. A vida é urgente. Ela é real. Ela não tem cor. As coisas terminam como começam, mas logo que a gente escreve o começo já começa a rasurar, a gente começa a escrever por cima, a gente ultrapassa o que é legítimo, isso é o meio. Teve uma época que eu pensava muito sobre o meio, essa coisa de meio, alguém me disse que ele não existe, eu concordei, mais por não ter nada a dizer, mas agora eu acho que entendi, o meio é tudo que ta escrito por baixo, o meio é a tentativa constante de reescrever por cima até que o papel rasgue, o meio é a sustentação dessa mentira criada. É justamente por isso que depois do meio vem o fim, o meio cansa, o meio é esse desmascarar do que fica por cima, o meio não deve ser ultrapassado, deve-se aprender a viver nesse limbo, nesse equilibrar de tintas postas, na verdade não se deve nada, se você consegue ver por baixo da tinta forte, se você enxerga ali embaixo, se você tem o privilégio de ver algo que ninguém mais vê e esse algo não te agrada, use a ponte de acesso ao fim, não adianta insistir e riscar em cima, não adianta, nesse caso, é a primeira impressão mesmo. Por isso eu acredito que quanto mais bonito for o início, maior a chance do final ser o fim mesmo, deve ter alguma coisa haver com não entregar o jogo no primeiro minuto, deve ter haver com xadrez. Outra música, a de agora:

 

 

Senta aqui/ Que hoje eu quero te falar/ Não tem mistério não/ É só teu coração que não te deixa amar/ Você precisa reagir/ Não se entregar assim/ Como quem nada quer/ Me diz cadê você aí?

- ?.

Me diz o que te sobra além das coisas casuais?

- Joga tudo isso fora. O fato é que alguma coisa morreu, alguma coisa muito grande, alguma coisa que dava conta de me levantar de manhã, alguma coisa que me segurava nesse meio de ser eu.

 

RECEITA DO ANO:

Então, se você se perceber vivendo algo extraordinário, cuidado, tenta perceber se é do tamanho que te parece, olha bem, não dispersa, procura reescrever só algumas coisas, pouca coisa, não inventa muito não, mas se por acaso você se sentir impulsionada a escrever demais, talvez não tenha nada escrito por si só, talvez você esteja amando somente a sua competência imaginativa.


ATENÇÃO:


O grande risco é você sair reescrevendo tudo a todo tempo, a ponto da coisa se transformar em tudo que você sempre quis, esse erro é ainda pior, é com ele que você praticamente apaga a existência de um outro, você aborta o você, o outro e o que sempre quis. E quando você quer ver por debaixo, não tem mais nada.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sutileza(s) cotidiana(s)

E eu penso que tem tanta gente na rua, tanta gente que passa, que te olha com raiva, gente que te olha querendo entender, gente que não olha também, gente é uma esquizofrenia de Deus. Sendo assim, se você por acaso encontrar alguém, se por algum motivo precisar falar com essa pessoa, se você ouvir qualquer coisa que te pareça muito comum, se você percebe que gosta das coisas que ele diz, ou que não diz, pode ser da respiração, se você percebe que gosta da respiração dele, nada demais, aí você conseguiu, você descobriu uma espécie de amor, amor pelo jeito de respirar, se você encontra 3 formas de amor nessa pessoa, se você tiver vontade de ficar olhando pra ela enquanto ela dorme, aí a coisa já está mais avançada, mas eu digo, com esses três amores, eu, se fosse você, não soltava mais a mão dele, ou dela, não soltava até suar, até esse suor virar semente, até que ele se reproduza por aí, até que essa coisa saia de vocês, porque já não precisa, até que essa coisa precise gerar uma nova coisa.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dois velhinhos e uma noite fria

era uma vez 
uma menina 
que morreu 
sufocada de amor


desabafo da menina morta:

- é um absurdo, é assim, uma ironia da vida, a gente fantasia, imagina como vai ser, eu acho que eu não mereço, não mereço mesmo saber de um pedido de casamento abortado, saber que o anel de noivado que seria meu agora esta penhorado, realmente, realmente é uma baixaria da vida em relação a mim.

é assim: o seu pedido de casamento não existiu, ele venceu antes do prazo, ele está no Futuro do Pretérito do Indicativo.

regarde toi:

eu seria (pedida em casamento no dia 7 de junho)
tu serias (aceito como meu noivo no dia 7 de junho)
ele seria (convidado para padrinho no dia 7 de junho)
nós seríamos (noivos no dia 7 de junho)
vós seríeis (o homem mais feliz do mundo no dia 7 de junho
eles seriam (convidados para o casamento no noivado do dia 7 de junho)


Do verbo não será mais, do verbo ia, do tipo, as coisas aconteceram num contexto paralelo e você era o que menos importava em tudo isso.

e daí depois de tudo isso, como se já não bastasse esse desrespeito da vida, ela chega no ponto com um guarda chuva cereja, sim, porque agora tudo que era vinho virou cereja, e isso de fato, faz toda diferença, quando ela disse que detestava vinho, a sua mãe disse, mas não é vinho, é cereja, a partir daí ela passou a amar a cor, e hoje, por acaso, ou não, seu guarda chuva era cereja, ela vinha com ele, depois de ouvir sobre essa coisa do casamento que nunca existiu, ela veio com ele debaixo do guarda chuva vinho, vinho não, cereja, ela falou banalidades da vida cotidiana, e seguiram, até que no ponto de ônibus, no frio, assim, muito frio, lá pelas 10 da noite eles se deparam com um casal de velhinhos, assim, se fosse um filme, eles jamais achariam velhinhos tão velhinhos, eles eram mais fofos do que qualquer casal de velhinhos de qualquer filme, ou seja eles eram um exagero de velhinhos,

ele fechou o guarda chuva, 
ela chorou,
ela só conseguiu chorar.

Diálogo com os velhinhos encantados:

Velhinha - Vocês sabiam que o amor é lindo?
Ela chora.
Ele - Vocês estão juntos a quanto tempo?
Velhinha - 62 anos. E vocês?
Ela chora.
Velhinha - É, tem que ter muita compreensão, muita paciência, tem que passar por cima de muita coisa, se um afrouxa a corda o outro puxa. É assim, mas é muito bom.
Ele - A gente não está mais junto.
Velhinho - Mas se gosta porque terminou?

Ela chora.
O ônibus chega. 

Velhinha - Vocês tem que continuar. Não termina não, continua.

ela entra no ônibus e fica paralisada por cerca de 20 minutos, apática olhando pela janela, olhando as coisas passarem, tentando entender o que foi aquilo, tentando entender de onde vieram esses velhinhos, pensando que isso foi uma espécie de mensagem, ela lembra que a velhinha disse que ela parecia ter 18 anos, e ele 22, ela pensa que esses velhinhos não poderiam estar ali naquela hora, naquele frio, ela olha por muito tempo sem conseguir mover nenhuma parte do corpo, ela quase que não respira pra não perder essa espécie de encontro com Deus, ela deseja alguma resposta, alguma explicação pra tudo aquilo, ela fica sufocada esperando algum sinal, alguma luz que diga qualquer coisa que possa dar sentido àquela cena. porque aquilo? como aqueles velhinhos foram parar ali naquela hora, naquele frio?

até que ela entende alguma coisa, 
ela entende que eles não estavam mesmo ali, 
eles estavam dormindo numa cama bem quente, 
aquilo ali era outra coisa.



 - Nada é definitivo.


sábado, 24 de maio de 2014

chove?

e eu sinto, 
eu vejo que está todo mundo procurando sentido em qualquer coisa,
ta todo mundo correndo pra fora do vazio, 
ta todo mundo com medo que chova,
e o pior?
sempre chove.



acontece assim: tem um cara que não gosta do que faz, ele diz que precisa mudar de área, ele diz que está infeliz e que viveu processos depressivos, ele diz que as pessoas que conseguem se manter num trabalho que não amam se mantém por motivos outros, se mantém porque tem um filho, uma esposa esperando, ele não, ele não tinha ninguém, nada, então precisava mudar de área. 
isso foi a coisa mais triste que alguém já me disse.

teve um outro caso: um amigo passou 4 anos sem transar com ninguém. motivo? amor.

eu percebo também que depois de muita presença, existe uma falta que quase tira o sentido de tudo, uma falta quase suicida, assim, uma falta que invalida tudo que fez sentido até então, essa falta é parecida com a sensação pós droga, é muita felicidade pra muita tristeza depois, as pessoas não aguentam com extremos, ou melhor, eu, eu, quando tomei um ácido senti vontade de comer, morder, beber o mundo, mas o mundo não coube, daí no dia seguinte a frustração de não ter dado conta se misturou com um esvaziamento, gerando uma fraqueza, uma incapacidade diante do mundo, uma vergonha de ter fracassado diante dele.
não dá, e quando não dá tem que comprar um número maior, ou menor. não dá. esse não dá. não. não é não, isso quase nunca muda.


- o mundo não cabe dentro de você, menina.

- ta na hora de pensar no que você tem.


- eu tenho gastrite nervosa. 
serve?



um espirro. 
tudo acontece no tempo de um espirro.

eu vim escrever pra tentar clarear algumas coisas na minha cabeça, mas 
eu já não me lembro mais o que eu dizia.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

céu coral

e aos poucos eu me liberto do vício de compartilhar
mas o cigarro continua
já já eu me
eu gosto quando o céu assume uma cor de
eu vi um céu ás 6 da manhã, ele era só meu
eu li agora
só eu li
eueueueueueueueueueuueueeueueuueueueueueueueuueuueueueueuueueueueueueueuueueueue.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

trato.

Eu não vou mentir que me dá um aperto no coração toda essa atividade longe de mim, eu não só preciso entender e aceitar que esse foi só o primeiro de tantos apertos que virão, de tantas perdas que as escolhas trazem consigo. Eu quero que tudo dê certo, quero que tudo ande, pena você esquecer de agradecer as pessoas que acreditaram, mas não estão. Quer saber? Eu realmente não devo me ocupar disso, o mundo ta cheio de gente fazendo coisas, muitas coisas, e vão, outras não, eu vou fazer o que eu puder, eu vou andar como puder, e eu sinto nesse momento falta daquele começo antes de quase tudo, falta daquele pulso do início, daquelas ligações quase inocentes fora de hora, daquele medo de dar errado, daquela expectativa sobre dar certo, eu sinto falta da inocência, cada vez mais falta, na forma como tudo naquela época era futuro, e era neutro, quase branco. Tem a menina que ganha um girassol e não agradece, que te olha como se você fosse uma espécie de bandido criminoso matador estuprador de mocinhas virgens, ela realmente não entende nada, ela não sabe nada, e não quer saber, ela só quer saber de não lavar a própria louça, ela como quase todo mundo esta cuidando de jogar pedra no telhado dos outros, mas e o dela? Já caiu faz tempo. Eu tenho visto muita coisa passar por mim, eu tenho visto cada vez mais pessoas passando por mim, eu tenho reparado nas coisas que ficam lá atrás e nas coisas que permanecem mesmo quando já foram, nas coisas que insistem, tem amigo por toda parte, mas não tem não.

Eu quero dizer que não se anda pra trás, não se brinca com o tempo e não se levanta duas vezes.



- Eu sigo.

Saco cheio de quem super valoriza o que fez, 
saco mais que cheio de quem ainda não fez e já supervaloriza, 
saco estourado com quem supervaloriza qualquer coisa.

- você ta vendo aquela placa?
- claro.
- não parece.
- a placa?
- você não parece.
- não pareço com a placa?
- não segue a placa.
- eu sigo. não vê?
- não.
- eu só passei aqui rapidinho pra ver o que eu tava perdendo.

Agora me faz um favor?

Trata de não olhar pra trás, trata de seguir como se tudo sempre fosse desse jeito, trata de acreditar no fluxo da vida, trata de matar todos os cupins da porta, trata de comer melhor, trata de falar menos, trata de não escrever asneiras em redes sociais, trata de visitar sua família, trata de ligar pros seus amigos, trata de fazer o que você gosta, trata de voltar pro seu sonho, trata de ler mais livros, trata de passar menos tempo no facebook, trata de trocar a sua foto do perfil, trata de enfrentar a fila do mercado, trata de aprender a dizer obrigado, trata conservar os bons amigos, trata de saber do seu potencial, trata de correr junto com o tempo, trata de resolver o problema no dente, trata de falar mais baixo, trata de renovar a carteira de motorista, trata do teu machismo, trata de tirar o visto pro Canadá, trata de fazer uma atividade física em grupo, trata de juntar mais dinheiro, trata de ajeitar aquela cozinha, trata de concertar aquele banco manco, trata de lavar a roupa toda semana, trata do seu medo do inesperado, trata de comprar mais cuecas, trata de aprender a tocar violão, trata de fazer essa barba, trata de reclamar menos, trata de comer mais verduras, trata de contar menos piadas, trata de perder essa barriga, trata de fazer sua comida, trata de trocar de telefone, trata de achar menos, trata de ficar acordado até tarde, trata de fazer as pazes com o silêncio,
.
(ou) não trata de nada disso,
.


trata de você, trata de me desamar, trata de comer o que você gosta, trata de escolher o que quer fazer, trata de dormir sem tomar banho, trata de vestir listrado com quadriculado, trata de falar pelos cotovelos, trata de viajar pra fora do país, trata de largar a faculdade, trata de mudar de cidade, trata de falar bem alto, trata, 


mas se não quiser, não trata de nada disso.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um dia off de novembro

E depois de um dia meio down em que você dorme até as 13h completamente sem poder, porque a ultima coisa que você pode, porque escolheu em algum momento, é parar, você tem corrido tanto que sentiu hoje uma espécie de grito interno, ou você ouvia ou ficava doente, provavelmente ficaria, você parou, só, com todas as chatisses que isso poderia ter, e teve, você fez coisas banais e simples que não faz por falta tempo, como lavar louça, separar a sua comida e passear com os cães, você não atendeu o telefone, você ficou só com ele que já é meio você, você viu a lagoa azul que estava passando na sessão da tarde como quando você era criança, você viu com ele, quando a chatisse veio, vocês cantaram em inglês, um inglês horroroso você imagina, mas não garante, você se alimenta bem durante todo o dia, ele coloca a prancha a venda no mercado livre dizendo que não vai vender, você inicia uma briga que não tem sucesso, porque ele não quer, isso é bom, você sabe que pra ficar com você a pessoa deve ser meio surda, tipo a sua mãe, ele vai embora, você assiste tv, fala banalidades, toma um antialergico pra dormir e decide mudar o quarto todo de lugar, os móveis claro, porque a mudança, você pensa depois, as vezes é só um aparar de arestas sem sair do lugar, você coloca a cama entre duas paredes perto da janela. Ah sim, você comeu 6 nuguets com requeijão e alface pouco antes de dormir. E você escreveu pelo celular esse post porque seu teclado tem omitido algumas letras, ou ele parava hoje ou adoecia. 

É porque a gente muda pra não morrer da gente mesmo.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

ela e o país das maravilhas

- deixa a porta aberta, não fecha não, é, hoje eu quero assim, hoje eu preciso assim, porque sabe me bateu um medo do mundo, um medo de não dar conta, um medo de ser espremida no meio dessa confusão e atropelamentos de gente, eu me lembrei do quanto a gente é só, assim, eu, eu me dei conta, e lembrar disso me dói, talvez porque seja a única coisa definitiva no mundo, uma coisa que a gente não escolhe, somos sós, nós somos sós, e na hora do aperto não tem mão, não tem abraço, não tem, tem um buraco, um buraco que só você vê, um buraco feito sob medida pra  você, é importante doer, aguenta, fecha a porta, não adianta que ninguém vai ouvir, dorme, sonha na cama sozinha mesmo quando morre de medo de, medo de sorriso muito aberto, medo de elogio, medo de ajuda, medo de amor mesmo sabe? sabe quando dá medo de amor?  gente, morro de medo de morrer de medo de gente, de não conseguir mais olhar no olho por medo de ser puxada pra dentro desse lugar que a gente nunca conhece bem, a coisa da porta, não foi sempre assim, mas, hoje, eu tenho medo, não vejo, sozinha, numa cama grande, azul, um azul bonito, essa cama tem um buraco fundo, entro nele, num buraco, e saio num lugar maravilhosamente meu, ela não olha, a cama, ela não apavora, gente é apavorante e eu não sei mais o que fazer comigo nisso.

3 coisas que você (eu) levarei para o lugar maravilhosamente meu:

- Óculos de grau,
- Uma blusa de manga longa,
- Um saco de Machimelow,
- Almofada amarela,
- Raquete de matar mosquito.

A loucura deve ser parecido com isso, 
você fecha o olho porque não aguenta ver 
e entra no único mundo que você consegue.
A loucura é uma distração prolongada.

Tudo isso pra dizer que eu to com medo de perder o gosto por gente.

definitivo,
exagerado 
crucial,  
dor no estômago.

ps: como o ser humano é patético.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

...)e outras evidências de veracidade(

"Sou um caso raro de egocentria aguda com complexo de inferioridade" 
FY

MOTIVO: ela reclama sua participação num texto de teatro escrito e finalizado por ele. Até então ela nunca havia falado nada, mas agora, sem medo do conflito a ser gerado em função de uma tpm, ela fala. Algumas pessoas elogiaram o texto, ele está viabilizando a produção dessa peça independente dela, e ela tem feito cadernos na maior parte do seu tempo, ela atualmente abandonou um projeto em que estava apostando 70% das suas fichas por motivo de boicote. Três trechos desse texto foram escritos por ela, e ele só existe porque existe ela, é sobre ela. Ele disse, certa vez, que era um texto para ela.

olha, eu não sei namorar com você, é, passa mês, entra mês e tem sempre um bocado de caos no meio, quando não é você sou eu, ultimamente tem sido eu, mas sabe, ás vezes uma brigazinha cai bem, eu não ligo mais, eu acho que é fundamental, já não acho que é o fim do mundo, já não tenho mais esse desespero de vida ou morte, de começo ou fim, briga tem que ter, mas eu andei pensando e talvez isso signifique mesmo que eu não saiba como fazer, porque a gente lê nas revistas, as pessoas dizem que você tem que ser tranquila, tornar a vida do outro agradável, só levar coisa boa, caralho, a gente faz o que com a coisa ruim? sério, eu acho coisa ruim ótimo, eu adoro erro, eu adoro briga, adoro quando preciso mudar a direção, é isso, sou viciada nessa mudança de direção, e aí, talvez eu queira mudar nosso rumo o tempo todo, briga constrói, reconstrói, redireciona acerca de uma temática específica, e quando não acontece nada disso, pelo menos faz pensar, uma média de uma por semana é justo, a gente pensa, reconsidera e exorciza o fantasma, sim porque eles não saem de perto até que você verbalize, não sei você, mas eu, eu sinto que as coisas passam por mim, me afeitam, me geram enjôo, dor no estômago, conceiras, tudo, só depois de gerar tudo isso é que ela vira verbo, isso demora sabe, talvez fosse bom se a coisa fosse mais rápida, se esse processo fosse mais acelerado, daí eu ia falar na hora a coisa certa e justa, mas não é assim, e mesmo falando depois a coisa nunca é certa, muito menos justa, em geral é injusta, porque ela cozinhou tanto aqui dentro que sai completamente alterada e cheia de sentimentos ruins, mas ainda não consigo fazer diferente, um pouco por precisar desses choques de mudança, outro pouco por uma questão interna de tempo, nunca fui boa em tempo, nem em coisa interna, sempre demorei pra saber que sentia as coisas, eu sentia e só descobria tão depois que tinha sentido que ás vezes não servia mais, e ás vezes também servia ainda, e aí que morava o perigo, porque quando ainda servia eu já estava tão sentindo a coisa que já não dava mais pra sair, não era um sentimento que vinha aos poucos, ele vinha muito forte de repente e me avisava que já estava lá, no caso aqui dentro, há meses, e aí eu pegava ele, ou melhor, ele me pegava e me fodia, um tempo todo desconexo, umas sensações que vinham muito depois, só que ás vezes também, a boca briga com a sensação, tipo quando eu não quero algo e digo que quero pra agradar alguém, ou pra agradar a minha figura diante daquele pessoa, mais honesto dito assim, aí a boca me enche, e eu tenho percebido mais rápido qual é a minha vontade real, tenho sentido mais esse processo, aí cancelo a coisa e cancelo meu planejamento de imagem também, mas voltando a falar sobre esse tempo, nunca fui boa, nunca entendi ele muito bem, mas sempre fui boa com mudança, só que agora, com você, não to sendo mais, isso me chateia eu acho, me sinto ás vezes como um peixe me debatendo sem água, mas me sinto também um peixe feliz porque reconheço meu aquário e tenho uma espécie de paz lá dentro, não gosto dessa coisa de depender pra ganhar comida, mas também não tenho dúvida que ela vai chegar, a comida, falo da comida, algumas vezes, tenho vontade de pular do aquário, mas fico com medo de você não chegar á tempo de me devolver o ar, porque você pode estar longe do celular, você pode ter ido dar uma volta, ver a moda, e ás vezes isso é insuportável pra mim, o meu maior problema é ter uma consciência assustadora de tudo isso, de mim dentro desse aquário ou fora dele, nesse sentido tudo se torna insuportável, inclusive e principalmente eu, não sei ainda pra onde que eu levo esses fantasmas, como faço pra não precisar pular, comer, pra não precisar de devolução de ar, o fato é que ainda não consigo estar no mundo com você e sem você, você me entende? mas assim, eu vou tentar, tentar sei lá o que, se a gente não tivesse boca, boa parte dos problemas não existiriam, criança não briga até 3 anos, só chora, ou ri, quer coisa mais simples? eu quero.

ps 1: eu gostei da briga de hoje porque ela me fez escrever. quero te propor uma coisa: criaremos um blog nosso, cada briga nossa a gente transforma em texto, sempre um seu, outro meu, não precisa ser imediato, acho que pode ser imagem também, pode? depois a gente pensa em o que fazer com isso.

ps2: na próxima vez eu não mando uma mensagem reafirmando por escrito o que já foi dito, prometo.

ps3: muito possivelmente a gente não vai ser diferente, a gente manera, promete, mas de maneira geral, a gente somado dá muita coisa, por isso o tumulto, eu acho.

ps4: eu poderia ter evitado essa briga e ter falado calmamente com você sobre o assunto, mas aí, seria menos um texto na vida do blog, e na minha vida, na tua, na nossa história.

ps5: eu reli o texto da peça, ele tem 3 textos meus, o fato é que eu tava me sentindo pouco importante sobre ele, quando no princípio, ele era pra mim e sobre mim, e você tem essa mania cafona e chata de se achar genial que me irrita e me deixa sem vontade de achar qualquer coisa, tem semanas que você fala desse texto, desse texto, desse texto, daí eu fiquei com vontade de te lembrar de mim, bem egocêntrica mesmo e um pouco sensível demais também.

"Acho que sim, ás vezes, dou trabalho. 
Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser pagar o preço da manutenção, mude para um Passat"
FY

sexta-feira, 21 de junho de 2013

mais um pedaço daquele ex fim



as coisa vão perdendo a cor, tudo gira envolta, a velocidade do andar diminui, não olha no olho das pessoas, fuma cigarro, qualquer cigarro, pensa que é como se tivessem te levando o sangue, vermelho, azul, qualquer cor, escuta cada vez menos, faz força pra não ouvir, você briga com você mesma, dentro fica tudo confuso, nebuloso, cheio de cor, cheio de coisas sem nome berrando, se movimentando, sentando, levantando, tem música, tem bebida, run, tem run com soda, tem champanhe com suco de framboesa, tem coisas, não pessoas, coisas sem nome se esbarrando, elas não enxergam, se esbarram, gritam, fazem sons estranhos, urram, uivam, flutuam também, eles fazem a terceira guerra mundial lá dentro enquanto ela anda, come, liga, espera, espera, espera e ri.

sobre mais um fim na gávea.

e agora tem umas dores no corpo inteiro, tem uma vontade que tudo isso passe rápido, uma vontade de tomar algum remédio que cure, eu deito na cama e vejo as 4 paredes caindo, desabando, virando pó e eu me vejo no meio , na cama abraçada com a almofada amarela que é pra sempre, elas caem ao mesmo tempo sem fazer barulho e ninguém mais pode ver, sair é uma maneira de ser eterno, ficar pra sempre pode ser nunca mais estar na coisa, toda vez que eu deito na cama eu vejo essas paredes desabando, me dá um frio no braço, e eu lavei 5 calcinhas, hidratei o cabelo, depilei a perna, tudo pra tentar lembrar de mim, esquecer qualquer outra coisa, o mundo ás vezes fica de mau, ás vezes ele te mostra que nem sempre você pode, seus passos não são seus e você precisa aceitar isso, andar na direção que ele manda, não adianta, e quando nada mais adianta? tudo é banal, futuro não existe, ninguém dura pra sempre e eu já havia me dito isso, acontece que enquanto a parede permanece lá você insiste em permanecer aquecido, ser humano precisa de calor, lembra de você, remédio pra esquecer, tem? não tem mais nada, não ficou nada, coisas, sim, ficou um pen drive de fotos antigas, relações antigas, só isso, só um passado muito distante, ficou aqui em algum lugar, incenso pra limpar, vontade de voar pra longe dessa coisa de plano. quem era aquela pessoa no meio da rua? vestia blusa rosa, bermuda quadriculada, fumava cigarro, bebia cerveja, tinha um olho que nunca vi, eu nem ouvi nada, o que foi mesmo que disse? eu nem sei mesmo se eu estava realmente lá. 
as coisas não param, 
eu não paro, 
eu acho que ás vezes, 
eu não acho nada. 


(post antigo jogado aqui num canto ciber qualquer)

Deus,

Deus, eu queria entender algumas coisas, vou tentar não falar muito e começar logo. eu quero saber porque toda vez que a gente fica feliz, muito feliz, alguma coisa empurra a gente pra baixo de novo, essa é a minha principal questão, eu fiquei pensando que não pode ser obra sua, você é bom poxa, eu quero uma explicação pra isso, pra mim soa como um aviso de que é preciso endurecer, ficar forte, mas não sei, eu vejo tanta gente forte e dura no mundo, acho que não precisamos de mais, e também eu não vejo elas fazendo nada de grandioso, tudo bem que eu também não faço, mas eu sinto pelo menos, você consegue me explicar isso em uma frase? vou tentar formular uma pergunta objetiva, não agora, quero refletir mais um pouco pra não decidir errado, olha eu quero entender porque a vida dói tanto quase sempre, eu já pensei em tomar remédio, mas fico com medo de sair do circuito e não voltar mais, fico achando que é assim mesmo, que com o tempo vai doer menos, mas não sei não, não sinto menos do que 1 ano atrás, pelo contrário, parece que quanto mais tempo, mais planos, mais outras pessoas, mais uma mesma pessoa, sinto que quanto mais, mais, e parece que gente não serve pra gente, tem sempre um tropeço que acontece que dói mais em quem estava de mão dada, mas olha, eu entendo, entendo mesmo, sei que as coisas acontecem e que ser humano é realmente uma prisão de si mesmo, mas o que eu não consigo entender é que se as coisas são assim mesmo e devem permanecer, porque doer tanto? eu queria entender, ás vezes acho que tem haver com ego, ás vezes acho que quanto mais a gente tomba na vida, mais a gente desnuda, mais a gente entende que é possível, mas não sei, possível o que mesmo? o problema é que esses tombos ás vezes fazem a gente andar de joelheira, capacete, esses tombos fazem a gente ter medo de andar de bicicleta, as pessoas matam a magia pra evitar qualquer lágrima, e é nesse ponto que eu queria chegar, eu quero te dizer, eu quero te enfrentar agora, quero dizer que eu não vou andar como esses, eu não posso começar a andar devagar porque a vida me ronda, eu vou sofrer, vou chorar, mas eu me recuso a aprender, sabe Deus, ás vezes eu sinto como se o mundo fosse um pudim mal feito, e eu sinto que eu to no meio olhando todas as entradas sem entrar, medo, medo de escorregar, medo de não saber voltar, e isso a gente não mata assim, mas eu ainda assim vou, eu só não sei até onde, só não sei se caindo consigo resignificar, é como se a dor fosse tão grande que ela me dopa, a dor de um futuro que pode doer, mas se ele vai doer mesmo, aí você sofre pela dor de agora e pela dor que virá, como se você fosse Deus, ele mesmo, como se você pudesse se proteger de alguma coisa, mas você já viu que não pode, já foi protegida a vida inteira e nem por isso sofreu menos, você precisa mergulhar na coisa mesmo, você deve saber que vai doer, mas doer vai doer sempre, você precisa é encostar onde dói menos, porque ás vezes o que faz doer, também alivia, a pergunta Deus, a pergunta: um dia dá pra dar a mão, fechar os olhos cair e levantar como se o tombo fosse escada, tudo isso em um minuto?