terça-feira, 24 de janeiro de 2012

à beira de(.)

- Você me deixa comandar esse barco?

hoje pedalando pra casa me veio a ideia, a noção de que você é humano, não tanto quanto muitos, quanto eu que sobro pra todos os lados (melancólica demais, sorridente demais, triste demais , alegre demais e(.)) e se você precisa pilotar pode ser que eu transborde sem que você veja, pode ser que eu me afogue de novo e esqueça de boiar, eu aceitei abrir mão por um tempo desse excesso de mim, aleguei sufocamento, você veio e trouxe um ar de gás hélio azul e verde, mas e se você falhar? a culpa vai ser somente sua e isso me dói um pouco, primeiro porque te quero vivo, não suportaria, você, depois porque sempre fui a dona de toda culpa do mundo, sei que é egoísmo, mas só sabia como era ter toda ela pra mim, sempre estivemos juntas, aí você chega e tira de mim a única coisa que me ancorava no chão, a questão: é que sair do chão pode não ter volta, ou pode ter uma volta que te devolva pra além dele, a vida sempre me doeu mais do que qualquer coisa, e parece que agora não sei bem como fazer sem(.), toda noite parece que a satisfação vêm(.), e eu penso que se eu cair no mar como daquela vez, pode ser que não exista você mais, porque pode ser que você não veja, pode ser que você não esteja, por isso, eu não sei, mas eu preciso aprender a te ser menos, eu preciso aprender a matar barata, porque ninguém pode estar tanto a ponto de (.), parece que alguma coisa também te dói diferente, sei que ao invés de vir pra perto, você está indo pra longe, e eu também, eu to voltando pra mim, e pode ser que eu me encante mais do que nunca, a dor pode ter haver com isso, com a minha volta, a sua saída, ou a sua entrada diferente e a minha chegada pra valer, sei que se perceber inteiro e só depois de(.) é assustador, você é assustador, eu sou assustadora, pode ser que eu decida pular do barco, e nesse caso, pulo pra me afogar e depois volto de cabelo molhado e cada vez mais comprido, pode ser que você precise ir embora no vento, que você volte pro seu planeta, que você voe numa folha de coqueiro, mas onde quer que você vá você tem o mar, parecido com esse teu mar que te faz voltar pra você, eu tenho o meu pensamento que quando consegue vira palavra, poucas pessoas entendem de mar, de pensamento e de palavra, a dor tinha haver com aceitar a decisão de que eu quero entender de mar também, eu pretendo pilotar, agora eu vou junto, porque as coisas já não são mais tão racionais depois de alguns muitos passos dados, e hoje, as ligações muitas sem resultado, o aniversário que bate na porta, a vontade de (.), hoje a sua mensagem 5 minutos antes do dia 24, o livro que tem preenchido sua falta, hoje, tudo isso veio pra mim de um jeito arrebatador, algumas noites sem você de qualquer maneira me confundem, me tentam, me levam pela metade, uma ligação que não acontece já faz tremer esse meu poço de insegurança azul marinho, foi num desses terremotos, numa dessas metades perdidas que eu descobri que preciso, era esse o calo, porque isso é realmente novo, e não significa que eu não saiba remar sozinha, significa que eu quero equilibrar os dois na mesma prancha, só isso, tudo isso aí em cima tem haver com a dificuldade que é se equilibrar, depende do mar, do vento, mas principalmente da vontade de não cair e do zelo pra que isso aconteça, e isso, tudo isso, a folha de coqueiro, a barata, o vento, o gás hélio, o poço de insegurança, tudo isso mais o mar é a vida forçando a porta para(.).

(ela olha o movimento fora do café, a xícara de chocolate pela metade, a colher que não foi usada metade dentro, metade fora, se imagina, lembra daquele chocolate em Praga onde tudo era neve, lembra dos muitos chocolates muito quentes que eram precisos, mexe agora o chocolate) e diz:

- Deixo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

para além dos muros dela


É
enquanto
balança
que existe vida



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

the missing piece

Para ler ouvindo: Don’t you remember – Adele. (não pelo contexto, mais pela força da coisa que não fica)

Hoje foi o dia que ao invés de te ligar, eu me liguei,

E tem tanta coisa que eu faria questão de te mostrar se não fosse esse sufocamento que me persegue hoje, ás vezes, é como se a vida daqui de dentro fosse explodir, é como se a vida de fora fosse embora de bicicleta, você, eu, corre, grita, chama, canta e chora no chuveiro aquela única música que cabe na sua voz, aquela única que se sente segura cantando, mas ela, ele, você não volta, ela foi e uma coisa quando vai, mesmo que volte, já não volta mais dentro da mesma coisa, ela se, te transforma.

Foi o dia de não escovar os dentes, de ficar o maior tempo possível com esse gosto de alho dentro da boca,

Hoje é um dia importante porque eu senti um desejo absoluto de comer pizza de alho, e desejo absoluto é uma coisa tão bonita, tão pura, tão única, é tão de verdade que eu trocaria tudo e qualquer coisa por essa pizza de alho. Isso é ser, isso é vida pra dentro. Essa condição de quem pede pizza pra comer só é sagrada. Se alguém me perguntasse o que me faria mais realizada hoje, eu responderia que não é possível ser mais quando já se está no todo.

Foi o dia de sujar o teclado de gordura na tentativa de eternizar esse instante encontrado,

E quando ele chegar eu vou dizer que eu amo pizza de alho, que aqui perto de casa tem uma incrível, super incrível e maravilhosa, ele vai rir do super, do exagero clássico, eu vou comer aquela, essa pizza com uma integridade, com um excesso de identidade e vou lembrar de mim, vou lembrar de hoje, do dia que desisti de ir pra acrobacia mesmo achando que meu corpo pedia, vou lembrar daquela música abafada na água fria do chuveiro, vou lembrar e gozar, e gozar com você dentro, com você comigo dentro, ou você fora, vou gozar várias vezes pensando no dia em que encontrei comigo de um jeito quase insuportável. Eu sou insuportável e é por isso que preciso de você, dele, preciso de. Pra respirar um ar menos costumeiro, pra ver a cor do outro lado da tela, pra comer outro sabor de pizza, pra rir de qualquer coisa sem graça. Ele, você, o outro chega pra virar o disco, eu escolho, a força que mostra o outro lado é dele, é sua. E se ele não vêm, uma hora a música pára, eu volto a agulha pro início que eu conheço, volto muitas vezes até que ele, você tenha força pra virar.

Eu poderia ter dançado, mas eu só consegui viver,

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

entre tudo que

a verdade é que a verdade não sabe nadar.

sabe tudo que se passa entre uma vírgula e um ponto?

ela chega em casa exausta de um dia de muito caminhar pela praia, ela precisava encontrar hora com uma, hora com outra pessoa especial, sim porque ela não se deixa levar por pouco, taí uma coisa da qual ela se orgulha quando começa uma frase e lamenta no final da mesma, ela chega em casa, passa na vizinha como havia prometido pega umas empadas e uns biscoitos doces, a vizinha diz furiosa que se ela não tivesse passado não haveria de receber mais nada, ela ouve, aceita e pensa que por um segundo decidiu passar, não passaria, mas algo mais forte do que sua mãe no telefone dizendo para não passar, já era tarde, algo mais forte, o barulho da TV ligada no fantástico, a luz acesa, o compromisso assumido mais cedo, ela passa, recebe, ouve, quantas coisas não aconteceram entre ela pensar se passaria ou não? depois ela sobe as escadas encontra a filha da síndica, elogia a nova cor do seu cabelo, percebe o orgulho, se sente bem pelo estímulo causado, continua subindo, quantas coisas não aconteceram entre ela pensar se deveria ou não elogiar o cabelo da vizinha? continua subindo, abre a porta, deixa o chinelo, deixa as empadas na cozinha, coloca a comida no forninho, 10 minutos, o tempo que se dá para um banho, toma banho, responde a mensagem, quantas coisas não aconteceram até que ela decidisse o que colocar na mensagem? vai até a cozinha coloca uma salada no prato junto com o quente, coloca um suco de pêssego, ela toma pêssego sempre que pode pra ajudar na coisa da gastrite nervosa, coloca tudo na bandeja, vai até a cama, ela está só de blusa, sem calcinha como de costume, tira o forro da cama e senta, coloca a bandeja por cima do colo.

o suco cai. quantas coisas não aconteceram nesses segundos em que o copo girou em pé sobre a bandeja até decidir cair de vez?

se o suco fosse de uva, se ela ouvisse sua mãe, se a comida fosse empada, se a TV tivesse desligada, se a vizinha tivesse dormindo, se a luz tivesse apagada, se ela comesse na escrivaninha, se ela não tirasse o chinelo, se ela não reparasse no cabelo da vizinha, se o tempo do forno fosse 15 minutos, se ela tivesse de calcinha e sem blusa, se ela tivesse ligado o suco seria de uva? passa.

o telefone toca.

.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

a carta real

eu só queria que você soubesse, eu queria te dizer que não é fácil sair de um lugar tão quente e se jogar assim de volta no vazio, de cabelo solto, ombros largos, a minha cabeça é um lugar de difícil acesso, de modo que eu acabo sempre duvidando das coisas que ela decide, mas sabe que dessa vez eu sinto mesmo que não teria saída, não teria fundo, a gente ia cair lá em baixo e daí levantar seria complicado, você ou eu, estamos fracos, a gente planejou coisas, eu sei , e ás vezes me sinto traindo tudo isso que tem ao meu redor, que embora você pense o contrário eu enxergo sim, enxergo inclusive sua paciência desesperada, eu não preciso dela, e quando li sobre ela mais um castelo caiu, porque tinha esforço da sua parte e isso pra mim foi novidade, e aí tem o cinto aqui que eu não sei pra onde vai, se jogo pelo ralo, se troco por uma coleira pra você, por mim, por em mim, eu não pensei que fosse terminar triste assim, eu não esperava te ver disponível naquela merda de facebook tão cedo, mas ok, boa viagem pra você, só não pense que não ta doendo aqui, e quando eu ouço – cart from italy – lembro daquele início, daquela carta toda inocente que mandei pra sua casa, eu queria ter tido uma sua pra guardar, pra ler o que foi vivido assim na mão no bruto, eu evito ficar sozinha pra não correr o risco de, eu evito muita coisa porque sei que é melhor, você me fez sofrer muito, mas me fez tão mais feliz, tão mais mulher, tão mais bonita, segura, você é alguém que foi parte de mim, e não sei, existe essa variável do tempo, ela pode jogar á favor, contra, mas ele muda tudo, mexe em tudo, eu sei que eu sinto muito aqui dentro que agora não dava mesmo, e não é porque quero qualquer outra pessoa, a gente sabe que isso pra mim nunca foi tão fácil e por isso que me dói ainda mais soltar da sua mão, mas acontece que eu preciso ter forças antes que algo aconteça, antes que chegue o natal, antes que eu me sinta presa por algo menos nobre do que o amor, antes que vire doença, eu não tava feliz, tava doendo sempre, e quando eu lembro do início eu queria congelar naquela coisa meio infantil, eu queria aquela cena da barata no skype gravada, eu queria me mandar uma gérbera por dia pra fingir que foi você que veio, eu queria muito ter te dado um abraço de verdade por mais que fosse difícil de largar e arriscado, trocar seu nome no celular me arrancou um pedaço, eu nunca mais vou ouvir -dois- sem chorar, eu tiro forças não sei de onde, eu acredito muito em você, quero que vá muito longe, que vire produtor se achar que faz sentido pra você, eu tenho certeza que te dei muita coisa boa, assim como você me deu um mundo mais confortável e engraçado, lembra da cena do metrô? como a gente se diverte com quase nada, olha, desculpa se eu to sendo fraca, eu to desistindo, isso me dói muito, mas eu não podia mais com a sua ausência, eu não podia mais viver sem você aqui todo dia, a qualquer hora, eu não podia mais com você em doses tão reduzidas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

velevelevelevele



.é quando pensa que hoje pode ser o último dia que você percebe.

a gente passa um tempo grande dizendo qualquer coisa, criando qualquer história, buscando sentido, 
sentir? 
dor?
depois do outro lado tem outro, e outro e outro mais, um de cada cor, de tamanhos diferentes, e é só escolher, só que agora, hoje mesmo acabo de saber que uma escolha só existe quando se trata de coisas ruins, no caso de duas coisas boas não foi escolha, foi destino, ou qualquer coisa grande o bastante, não gosto dessa palavra, mas na falta de outra ela diz, afinal de contas, nada diz exatamente o que gostaria, nem palavra, nem gente, nem gravador. aí eu penso que se a gente dissesse o que é, a gente seria outra coisa, essa coisa de essência é muito demais pro mundo dos homens, a gente é complexo demais, vai no fundo, não olha pra cima e esquece por onde entrou. então, como eu ia dizendo, eu acreditei nela, ela disse que ouviu isso de alguém, ela disse de uma maneira diferente o que já sabia, eu, ela, todo mundo, essa coisa do fatalismo né, eu gosto disso, diminui a gente, diminui a gente não, coloca no lugar, diminui pra gente, sob o ponto de vista da(s) gente(s), eu gosto de tudo que tira a culpa, que tira o peso, que parece lindo, que encanta, isso me encanta, como as princesas, todas vítimas e leves.
tem parada?
eu voltei a enfeitar minha casa, eu não tenho tempo, mas sinto vontade de me abraçar quando chego em casa, eu deito na cama como se fosse a primeira vez, eu quase grito de vontade de ser eu, não tem coisa melhor do que se libertar de si mesmo.
nunca completamente, será?
e quando ela me mostrou os escritos de tanto tempo, eu vi que ele passa, ela e eu nem tanto, mas ele... é o tipo de coisa que quando a gente lembra se olha no espelho e repara mais uma ruga. 
eu não olhei, ando sem saúde pra ruga.
e se der pra ser feliz?
pensa que a culpa não é sua, nem minha pelo amor de god, culpa qualquer coisa maior, qualquer coisa sem nome, alguma coisa forte, que aguente, que dite as regras, que tenha mão firme e que saiba escolher entre coisas ruins também, só pra garantir.


tudo volta?
uma volta?
Duas.
comigo não tá!

.arruma a casa antes de sair, lava a louça, deixa o armário cheio, não esquece as chaves e o chocolate que o restante já volta.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

reacreditando




E aí eu fico pensando que a gente só descobre as coisas no vazio, as coisas mesmo, de verdade, por isso que a gente foge dele, e tem celular, e tem internet, e tem televisão, e tem amigos e namorado. Gente precisa de gente antes de qualquer coisa, mas tem que, tem não, só é quando é físico, todas essas outras coisas não existem e devoram. E aí eu penso também que é muito bom ouvir música, só música, eu já nem lembrava mais como era, e acabei de descobrir um lugar bom de sentar aqui em casa perto da escada e descobri também como seria meu auto retrato do momento, sim, tem que ser do momento, nunca entendi essa coisa de auto retrato da pessoa, como se ela fosse só aquilo, guardada as muitas possibilidades do mesmo, ainda é pouco, pra mim ao menos. Essa janela vermelha, parece que ela sempre esteve super aí pra mim, eu olho pra ela com uma parte aberta, não ela aberta, a parte do trinco de fora, com o vidro fechado, ele tem tantas possibilidades, ela sou eu objeto, então, o meu auto retrato, eu vou fazer, não vou falar, vou fazer senão desgasta a coisa, e depois nem precisa mais existir, a coisa que a gente fala. E aqui dentro tudo gira, tudo sobra, mas eu estou entendendo melhor, aos poucos, acho que eu usei esses dois anos pra correr do caos, não são 2 anos, é um ano e 3 meses, essa fase da razão, do centro, degentegrande, é eu andei correndo do tumulto, mas parece que o tumulto está pra mim assim como eu estou pro tumulto, mas eu to ficando esperta, eu vou colocar o tumulto no lugar certo, ele tava sem lugar antes, agora parece que quem ta sem lugar sou eu, mas eu to olhando em volta, atenta e calma com o celular tocando, vibrando, celular me cansa porque eu uso muito, tudo que eu uso muito me cansa, aí eu preciso dar um tempo, é também um jeito de não criar amor pela coisa, faço eu muito bem. < Fundo musical: com quantos quilos de medo se faz uma tradição? O Zé é foda! > mas então, o celular de alguma forma me tira do vazio e eu to precisando de nada, to precisando mesmo me deparar comigo, mas tem as pessoas que também querem se deparar comigo, e eu mais ainda com elas, porque eu gosto delas, só que eu to precisando usar energia a meu favor e eu sinto que eu entro pela ligação á fora sem volta, agora eu só escrevi porque ele não me atendeu, senão eu ligaria pra ele e pra TV ao mesmo tempo, pronto, mais uma, menos uma tarde. Quando a gente faz análise a gente acha que tudo é transferência, se eu falasse tudo isso pro meu analista ele daria um jeito de me fazer ver que o problema não é o celular, e eu sei disso, percebi agora, mas antes me parecia, a partir do problema aparente você encontra o problema real, se é que ele existe, porque toda hora que você encontra a questão descobre minutos depois que é só uma vírgula, eu nunca vi ninguém falar do ponto. Agora me deu um medo de morrer estranho, eu nunca falei sobre isso, mas agora nesse minuto eu percebi que não contribuo em nada, não contribuo pra mim mesma, jogo contra, eu nem falo inglês, que tipo de gente ela é? E quando a Fátima diz que eu to desanimada, que eu preciso olhar em volta, recuperar alguma coisa que ta indo embora, eu entendo tanto, mas não tem seta, nem fundo <música: yesterday > um ótimo desfecho, porque assim, a vida sabe melhor do que eu quando a bateria está fraca e ela só recarrega com gente de verdade, coisa muitíssimo rara no nosso tempo, e em qualquer outro eu imagino.




.as coisas escritas parecem muito mais sérias.



palavra não ri, palavra trabalha no centro da cidade de terno e gravata e meias combinando com o sapato.palavra tem o um Honda Civic prata e vai ao cinema domingo sim, domingo não.palavra faz uma viagem pro exterior por ano e uma nacional.palavra ouve Blues e Jazz. palavra curte Happy Hour e bebe chope escuro.palavra tem um apartamento quitado e uma aliança no dedo aos 25 anos.palavra namora, casa e tem filhos, nessa ordem com urgência.



aquela menina que ia morar no sul porque se dizia apaixonada, só estava tentando fugir, ela ia se esquecer por um tempo, porque paixão é calmante, mas depois, mais tarde ela ia sair correndo por uma rua dessas, descalça, descabelada, ela ia entrar numa loja e comprar a roupa mais bonita e cara.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

como ou o que dizer pro outro?

eu.

bem, se eu pudesse te dizer, eu diria que hoje eu lavei 14 calcinhas, sim porque eu vou acumulando não sei bem por que motivo, mas eu faço isso, foi sempre assim, aí eu pego e lavo todas, parece que começa tudo de novo, e isso me agrada, essa coisa de tudo de novo.

eu diria também que não é sempre tão fácil quanto parece falar o que se pensa, mas eu acho também que quando a gente fala não significa que é assim pra sempre, só que está sendo naquele momento por questões diversas, e naquela hora era daquele jeito e era importante pra mim escrever o que escrevi e ler o que li.

e aí ontem eu fiquei sentindo essa coisa do vazio, de não saber muito o que fazer sem, de querer sair, beber, mas não tinha forças, e nisso eu descobri que essa zona toda, essa festa constante, embora seja sempre solitária acontece acompanhada de uma força outra que vem de longe, que atravessa de jato, eu fico pensando que você deve ficar um pouco fraco, porque é muita energia que eu demando daqui e deve haver fundo daí.

eu não posso esquecer de dizer nada, então, eu fiquei pensando que se você não quiser mais falar comigo tudo bem, eu mando sua blusa no dia 12 por sedex, porque já comprei, então a gente já tem uma coisa que prende a gente, a gente sempre arruma esse tipo de coisa, tem o show do paul também que eu precisava comprar metrô antes, mas você não atende, depois não vai reclamar que vou querer ir de taxi, porque os bilhetes vão acabar, essa coisa de show grande é um caos.

o chuveiro! o chuveiro está começando a melhorar, hoje vem um técnico aqui e eu não fui trabalhar, e eu até entrei no msn, mas você estava mudo, ontem tomei um banho á noite tão quente, mas tão quente, que ele conseguiu suprir sua falta, como um banho quente pode mudar o rumo de uma noite, se fosse frio provavelmente eu ficaria mal humorada, desesperada e tudo mais, mas não, eu dormi, não tão bem quanto gostaria, mas dormi inteira.

ontem quando eu vim andando pra casa vi que algo estava diferente, aí percebi que eu sempre subia a rua falando com você, você não me buscava por questões geográficas, mas a gente se falava, e eu estava acostumada.

são essas coisas sabe, essas pequenas coisas que fazem com que grandes coisas existam.

a gente existe ainda? não vou ligar, não vou gritar, agora o tempo é seu e está na sua mão, espero que saiba curtir isso, com isso, porque eu to curtindo do lado de cá, eu precisava desse movimento, sinto falta, mas to respeitando essa falta, principalmente por achar que ela não tarda ir embora.

espero que esteja tudo bem por aí como aquele dia que você estava feliz entre amigos me ligando sem retorno, porque eu ainda estou bem com tudo isso, apesar de tudo isso.

beijo, me liga.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

(re)tornando

.essa coisa de administrar muitas versões e visões e perfis e imagens não é pra mim.



.deletei meu face e pretendo alimentar mais esse espaço, ler mais coisas que escolho e me dedicar mais a essa coisa de ser eu mesma, antes de sair por aí criando perfis.



.tudo gira e eu sigo, passo, fico olhando.



tento dar um tropeço, passo
(é hora de fazer a maior lista de diretores de cinema dos últimos tempos só sair da toca depois de ver ao menos 5 de cada um deles)




é tempo de cuidar de si pra suportar esse vendaval que não tarda e chega: falta um mês pra formatura, faltam 3 meses para que a escada passe a ser rolante, falta aquela luminária de 16 reais que ainda não fui comprar, faltam 2 meses pra apresentação do ballet, falta o chuveiro esquentar quando é preciso, faltam 2 pessoas para que todas as cadeiras se ocupem ao redor, falta minha mãe pra esquentar um leite antes de dormir, faltam 2 cachorros atrapalhando toda essa ordem, falta tempo sozinha pra chorar e rir, falta aquela conversa que não chegou na hora certa, falta o quadro branco pra escrever tudo que vier na cabeça, falta tirar as coisas da cabeça, falta calma e gente calma, falta uma mala vazia e uma passagem pra paris sem volta, falta saber que é pra viver e não virar escravo disso tudo, falta acreditar na coisa e ir, falta ir acreditando na coisa, falta tempo, falta ter tempo, falta dar tempo, falta comprar o relógio (de pulso?), falta um chá que encante o dia seguinte, falta aquele brilho no olho de alguém que até quando perde, ganha, falta um chá que encante tudo de novo, falta uma gargalhada que de lembrar dói num lugar que não sei onde, falta um chá que encante o que se tem hoje, falta sair desse monte de gente e tentar ser uma gente só direito, falta um chá que encante o que tem dentro.

.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

a seta e ela


é hora de fazer alguma coisa.

é hora de sair de entrar



de ouvir Beirut

de gritar até perder a voz

de cair até parar de sangrar

de gostar até se perder

de encontrar uma seta e ir

de você com

de você sem roupa


no chão

em cima do

em cima de


olha aquela seta

ela olha pra você?

vai.


falta sinalização

sobra costume e dependência

de que?

sobra medo do futuro

receio de estar andando pra trás

pânico de não chegar á tempo

enjôo de não saber ir


não existe caminho sem placa.


fica tudo preto, tudo branco, tudo cinza

essas 4 paredes com janela e portas

5 portas tão perto não servem

não levam

essa janela que não deve ser aberta

falta coragem

sobra silêncio e muita gente falando:


- É que algumas pessoas falam quando silenciam.



vontade de voltar

de olhar pra trás e me deixar lá

de ficar naquele sonho, naquele vazio encantado

eu preciso saber onde foi que aquela coisa toda se perdeu

quando é que a gente começa a realizar?

por onde existe começo? Recomeço?

eu quero ficar lá

entender

gritar que vai faltar sentido

alguém sobrando no bolso?

quem vende?

quem troca?

eu só queria o luxo de dormir

um favor sem troco

ninguém pode por mim


aquela flor verde que grita seu nome

essa ausência permanente me mostrou esse buraco

ele é redondo

frio

e muito quente


e cheio de gente sem assunto

e têm eco

e têm uma menina de vestido branco que roda

e o vento vêm de cima

e o vestido sobe

e ela roda

e tonteia

e roda pro outro lado

não cai pra não parar

ela roda e ri

ela ri devagar

ri pouco pra não doer

e ela pretende rir a vida toda nesse limite

e o buraco afunda sob seus pés

e as paredes se aproximam

e os braços sobem

e o fundo não chega

e ela não pára

ela ri e roda


a seta olhou pra ela

ela olhou pra seta


e elas foram.


.


.


.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

avec irene

- você entende porque de tanta espera?

- é que eu sempre gostei da idéia de que o melhor está por vir.

- e já veio alguma vez?

- eu sempre desisto antes acho, ou depois.

- tem que acreditar né?

- tem que esperar pela vontade da vida.

- a gente podia conversar com ela.

- fazer as pazes?

- não tanto, mas conquistar ela sabe, cativar, sabe essa coisa que gente tem de contagiar pra depois ficar relaxado na coisa?

- sei, a gente tem muito disso mesmo. Mas com a vida, não sei, ela não se rende assim tão fácil, não é qualquer um que chega, que habita, que vive com e depois manipula.

- a gente pode tentar, chegar devagar, ou será melhor no grito?

- eu prefiro gritar, é o meu jeito de falar, de chegar, de questionar, ela precisa saber que assim não está bom.

- ok, eu vou devagar, me espera, não grita ainda não, me espera, quando eu chegar mais perto, ainda demora um pouco, quando estiver quase lá te grito.

- mas eu faço o que nesse intervalo?

- prepara o grito.

- e você?

- seu intervalo é meu começo e meio, vou tentar fazer como faço com gente, vou bem na minha, meio cheia de mim, com algumas, apenas algumas certeiras idéias lançadas, tem uma coisa também de não ouvir quando não se fala diretamente pra gente, mostra uma certa soberania, um desinteresse pelo outro, super interesse pelo seu, e talvez interesse pela idéia do outro quando dirigida a você. é isso! desinteresse pelo que a vida dá, porque o que se tem, o que se é, já é tanta coisa que o que vêm só poderia vir, então não faz diferença, maneira blasê de viver, coisa de gente que sabe que merece, que não supervaloriza qualquer merreca da vida, que usa como convém, abre mão se preciso ou pega pra si quando sente que deve. e aí quando eu estiver na fase de receber alguma coisa que vêm eu te grito e você grita.

- ok, acha que dá tempo de aquecer a voz?

- dá sim, tem tempo entre a coisa que vêm, tem o viver na coisa, depois eu decido, é na hora da decisão que você entra. ou prefere antes?

- depois não?

- não, depois já foi.

- e antes?

- antes está sendo.

- na hora eu decido.

- mas a gente precisa programar irene...

- eu não consigo ser assim, essas coisa não se programam, elas acontecem.

- então eu não grito. te vejo do outro lado?

- me espera.

isso de papo pra lua causa dependência.

a minha lua está sempre tão dentro.

só faltava respirar, mas tinha que respirar.

debaixo d'água se formando como um feto.

todo dia. todo dia. todo dia.

debaixo d'água ficaria contente longe de toda gente para sempre no fundo do mar. todo dia.

"esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele, vezenquando, sejam um só"

arnaldo+eu+caio

=

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

daddy,


É que realmente, eu não sou uma pessoa que me deixo levar tão fácil, eu não sou do tipo que entra e sai das coisas que sente, e eu achei sei lá por que motivo que você entenderia isso, que você não largaria minha mão por qualquer motivo que fosse, eu to cansada de chorar, de achar que passou, de sair á noite, de ver a noite sair, pessoas com prazo vencido, cansada de acreditar que algo, que alguém vai me tirar desse buraco, mas  você não sai, eu me odeio por não te deixar ir, eu queria, eu preciso, eu não estou agüentando, ta pesado. É que toda vez parece que eu te vejo voltar, parece que eu to indo, eu já cansei de imaginar esse retorno, eu tinha tantos planos, eu já me imaginava, e dói tanto admitir isso, eu me imaginava na sua casa já toda montada deitada querendo dormir mais, eu imaginei assim: você lendo jornal com a TV ligada com 3 pontos de volume, tomando café numa xícara clara, aí você vêm até a cama que fica atrás do sofá preto e de couro, um pouco distante, mas atrás, você vêm com esse cheiro seu, com esse jeito de quem nunca perdeu pra vida, essa coisa juvenil, cuidadosa, olha, me chama de linda, fala qualquer coisa sobre o dia, olha mais, cheira devagar como quando a gente gosta de verdade, eu peço mais 5 minutos, você consente como quem já faz isso por condição, volta pro sofá , tira os chinelos, coloca os pés na mesa, volta pro jornal, pro café não mais quente pra depois fazer tudo de novo. Eu alterei uma cena que já era sua, eu achava que a gente ia ser parceiro, sabe? Achei que a gente ia pensar um filme junto, algo que tivesse haver com essa coisa de encontros, de pessoas que acreditam, que são raras no meio disso tudo, mas agora você me dói tanto, uma dor física, uma dor que tira os 5 sentidos, eu não to aguentando essa vida toda, ela dói demais, eu nunca me senti assim, sempre me cerquei bem, e eu só abri porque eu realmente achei que você vinha pra trancar, me dá um enjôo pensar nisso, eu quis tudo isso que vinha junto, eu merecia, eu gostava, eu precisava, que direito você tem de decidir sobre a minha participação? Eu só conheço gente que não acredita em nada. Me ajuda a sair daí de dentro? Me liga, fala mal de mim, me bate, me humilha, mas me empurra daí por favor?! 

terça-feira, 12 de outubro de 2010

manifesto formal azul, arial, 12

Essa mania de passar de uma coisa pra outra numa velocidade absoluta até ontem me interessava,

mas agora me parece que eu estou sempre atrás, sempre correndo atrás dessa mania, dessa doença da superação, desse vício moderno e jovem. Isso não é mesmo um texto, nem é pessimista também tampouco, é só uma espécie de manifesto, é só mais um degrau de, mais uma escama que vai, que sai por água abaixo, que vai pro ralo, que sai de mim. Eu não sou desse tempo das coisas que passam, eu sofro demais, rio demais, canto alto demais, corro, corro, corro demais pra chegar, pra fazer passar, pra superar, mas as coisas não passam, as pessoas deveriam pensar mais antes de entrar ou sair, eu preciso administrar melhor essa porta, porque depois sobra eu, aos cacos, tentando passar, tentando entender porque desse tamanho das coisas, dessa força, essa força que gente tem de ficar. Eu no fundo acredito que as coisas ainda hão de dar certo, porque a gente aprende que o final deve ser feliz, e eu também não desaprendo rápido, é tudo devagar e eu correndo no meio disso, tentando passar, fazer passar.

Eu não sou daqui,

marinheiro só.

corro pra passar,

pra repassarem,

pra vida entrar.

superar

perar

sur?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

e se fosse mais fácil, seria?


devagar, como é ou deve ser, é que pra mim, deixa eu te explicar, as coisas não acontecem como deveriam, nem como naturalmente seriam, as coisas, elas não me deixam, elas não passam por mim, pra mim, comigo
.
diferente, está sendo diferente, eu choro muito em qualquer lugar, lembro muito em todos os lugares, quero muito uma sombra de voz quase sempre animada - só eu sei o quanto quero
.
esfôrço, têm a bebida, o cigarro, outros não sei o quê, falta cheiro, abraço
.
passa, passa por mim bebendo uma garrafa de água sem gás, eu vou levantar a mão, virar o pescoço, entrar no avião e ir pra qualquer lugar que você não passe
.
acredito, na sua volta, mas eu preciso ir antes, começar a ir antes e ir depois pra quando você passar eu te escrever um email mais calmo que esse outro dizendo
:
- Eu realmente fico feliz que você tenha passado.

sábado, 7 de agosto de 2010

Avec elle

Eu não sei, e eu quase nunca sei mesmo, já acostumei, e já cansei também, principalmente cansei de começar meus textos assim, cansada desse pensamento atropelado um por cima, um ao lado, junto com o outro, eu queria saber, entender, perguntar se um dia isso passa, se análise resolve, se um dia isso passa, eu tenho pânico de pensar que não, mas tenho mais pânico de deixar isso passar, isso deve fazer algum bem, pra alguém, não pra gente, ou pra gente também, se a gente pensar nessa coisa da cabala que acredita na transferência, que essa coisa toda boa ou ruim volta pra gente, se a gente pensar assim, isso tudo que acontece e não acontece deve fazer sentido, porque sabe,
buscar mais cansa e nunca basta, e a dor vêm daí, dessa insatisfação, dessa falta de amor de todo mundo, minha também, não sei que espécie de amor é esse meu que não consegue ser de um, que precisa, que é viciado no todo, é amor distribuído, é muita migalha, muita gente comendo, uns mais outros menos, mas com prazo pra acabar, prazo que eu quase sempre ditei e agora foi diferente, tinha a vida, ele e ela, ele audaciosamente passou por cima desses dois variantes e seguiu sem, consigo pra algum lugar que não cabia mais gente, porque a vida não poderia decidir, ela é feminino, e ela também, mas ir é sempre muito delicado, muito perigoso, porque existe volta, ou não, e é pior pensar que não, porque existe morte também, todo dia morre tanta coisa na cabeça da gente, nascem outras, uma coisa sai pra entrar outra, é natural, e aí quando você morre, você não ressuscita, ás vezes o que acontece é que a coisa descansa dentro e depois acorda, a coisa dorme e você não sente tanto ela, ela pode entrar em coma também, coma induzido, ela pode induzir isso nela pra poder não morrer completamente, porque o fim é triste sabe, mas ela decidiu agora que não quer, não quer colecionar gente, quer se livrar, ela quer que tudo isso que ainda possa estar aqui dormindo, descansando, em coma induzido por ela ou não saia pela, por onde entrou, e saia rápido, porque ela agora vai se especializar em ser gente simples, gente que só vive e fim, ela sempre se julgou outra coisa sem fim, mas agora aceita, admite, reconhece-se no fim, e ela vai tratar de ir muito embora também,

de se deixar ir

por si,

consigo

e deixar que vão

com eles,

por eles,

por ela,

com ela.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Porto

É só pra dizer, pra assumir que há uma diferença entre o que eu penso e o que eu sinto, isso aqui é um breve, não sei se tão breve ainda, mas é um manual de mim. Eu não sei pedir socorro, mas não era isso que eu gostaria de dizer, o que eu gostaria e vou tentar, é que eu digo coisas que eu gostaria de sentir, quase como uma heroína, uma luz que passa onipotente, cheia de si. Acontece que tudo que falei antes era mentira, sim eu minto pra mim, discuto comigo, sempre essa coisa de razão e emoção, eu já to gasta de tanto saber como deve ser e não saber como é pra mim, porque são dois departamentos que precisam cada um atuar na sua área. Aí o que acontece? Eu digo, escrevo, seja lá como for e depois não sei o que faço com isso, não justifico, nem ajo tal como, é uma briga de mim comigo. Absolutamente infantil dito assim, e deve ser, mas por favor, me ajude a entender de algum jeito, escute o que eu não digo, porque é lá que estou. Sei que é pedir demais diante de tanta confusão, tanta coisa mais importante pedindo a atenção da gente, mas eu não sei, descobri agora pouco que minhas palavras me traem. Eu preciso arrumar um jeito de falar tudo isso, mas eu não sei como as palavras, não sei como elas devem proceder, não sei muito bem, não tenho vocabulário sentimental.

Eu quero um porto, um aeroporto, eu quero morar em Paris onde tinha tristeza, eu já tinha me acostumado, eu tenho pânico de felicidade, porque existe amanhã e depois de amanhã.


 


 

"quando eu estiver _________, simplesmente me abrace"


 

...

sábado, 17 de julho de 2010

Conversa com a sua analista

"mas sabemos que essa ausência do querer não existe no universo humano.

Sabemos que é porque queremos isso em vez daquilo,

ou porque queremos tudo ao mesmo tempo,

ou porque queremos no que nos faz mal.

Sabemos a que ponto aquilo que queremos desmancha aquilo que pensamos que queremos.

Sabemos, sim – mas o vulcão do querer é mais violento do que tudo que sabemos ou pensamos.

Inês pedrosa.

(ela disse que precisa ir embora quase sempre porque ficar parece abandono, e ela não se deixa abandonar por ninguém, muito menos por si mesma)

ficar é tão mais difícil, mas como agora tudo parece mais complexo em volta, como agora tem conta que vence todo mês, como agora ela sabe que viver é preciso, ela tenta, ela mandou dizer, mandou prometer que jura que vai tentar

- Mas eu só queria saber o porquê de tanto medo. Você já sentiu assim?

- Já mas agora eu estou diferente, sinto diferente, não sei, conversa com sua analista sobre isso.

- Vou conversar.

- Mas o que você quer?

- Quero ficar.

- É isso. Vamos no Monobloco hoje?

- Te ligo.

- Espero então.

- Mas eu não queria, sabe?

- O quê?

- Querer.

- É difícil mesmo, mas conversa com ela. Liga e diz que quer antecipar.

- Não, eu vou esperar até terça. Eu só queria não sofrer, sabe. Acho que não é a hora disso. Não cabe.

- Tem que ver isso, porque pode ser algo muito mais profundo do que você imagina.

- Antes vocês ficava porque?

- Por vaidade, eu queria ser amada por qualquer um.

- Não é a mesma coisa, não é isso. Quero saber sobre quando foi de verdade, porque o problema, nesse, no meu caso, é a verdade, o encontro, essas coisas que não existem.

- Eu vou lá porque tenho que almoçar com meu pai. Beijo

- Beijo. Te ligo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

de temps en temps, tu t'enfonces

(ao som de Carla Bruni – La Noyée)

não poderia ser outra música, por isso "reacredito" que a arte é que busca a gente.

E agora que eu já decidi você eu realmente não sei mais quantas cervejas devo beber, até onde, com quem, porque tinha pendência antes, e agora tem o livro do Arnaldo aqui do lado que me comove, mas não me você. Sobra. Sobra eu por toda parte, porque quando a gente resolve se desfazer de uma coisa nossa, a gente sobra, a gente fica, e ficar é sempre muito delicado, por isso se fica com outro, porque consigo haja braço pra carregar.

- Porque será que ela ri tanto?

- As pessoas gostam de chorar sozinhas.

- As pessoas não gostam de chorar. Ela está sempre com muita gente.

- Mas ela dorme. Você acha que ela não chora quando vai dormir?

- Eu acho que ela sonha pra não dormir, tem uma música que diz isso, ela acorda quando o sonho foi muito bom e guarda aquela sensação pro resto do dia. É difícil saber a hora de acordar, mas ela deve saber, deve ser por isso que ela ri tanto.

- Ela deve chorar muito, deve ser por isso que ela ri tanto.

sábado, 5 de junho de 2010

o quê? no meu co(r)po


Eu precisava colocar mais coisas pra fora, puro egoísmo e mania de excesso porque eu não tenho nada á dizer.






Tenho me questionado antes de escrever aqui, não era assim antes, exijo forma e conteúdo, mas agora beijo pra um e abraço n'outro.


Eu não sei o que ando fazendo comigo, mas sei que não deve estar certo, é que às vezes dói demais e parece que a gente não vai achar a gente no meio desse tumulto, sim porque é isso, a gente nasce pra encontrar com a gente mesmo, e esse encontro acontece através de varias pontes, pessoas, coisas, livros, quadros, viagens, mas tudo isso é um grande movimento pra fora que volta pra dentro. A minha pergunta: será que precisa, assim, tão longe? Eu estou realmente exausta dessa corrida sem linha de chegada, to cansada, confusa, bêbada, jogada numa mesa de bar, vomitada até sair um líquido azul. E aí eu decido que vou me reposicionar, vou viver na superfície, ser feliz, fazer compras, andar na moda, roupa apertada pra valorizar, cabelo solto, compras, compras, compras muitas pra ocupar essa lacuna, decido ser pra cima como a minha mãe e toda essa gente vencedora, mas eu me agrido mais uma vez, eu me canso, eu vomito, eu não sei mais, ta ficando difícil acreditar que tudo vai melhorar, porque o telefone não toca, e se toca é o cara da imobiliária, poderia ser também o taxista de ontem me pedindo ressarcimento pelas corridas perdidas. Eu quero saber o que tinha ali dentro daquele copo, eu quero saber por que eu não deveria ir pra búzios, eu quero saber por que esse infeliz não liga, e porque esse mais infeliz ainda espera, eu quero saber por que no meu copo, porque virar um copo, porque ir á lugares que só são suportáveis com uma dose cavalar de álcool, porque tanto álcool, pra onde ele vai quando não sai pelo mesmo lugar que entrou, porque no meu copo, o quê no meu corpo, porque vômito azul, porque no meu copo,


o quê?


Uma angústia que não passa, uma infelicidade da porra, uma insatisfação que insiste em criar movimentos, uma cabeça que não entende, que não se entende, que quer fazer dança porque acredita no corpo, mas entrega a mesma coisa de bandeja em endereços diferentes e lamentáveis, era esse corte de cabelo que fudeu com essa auto estima que demorou a chegar, essa mania de agora fazer as próprias unhas, menos uma pessoa para estar, era essa vontade de achar alguma coisa que faça valer essa corrida, de encontrar alguém que traga consigo conforto, essa magreza, porque eu sei que ainda preciso acreditar, esses amigos que a gente não consegue encontrar, que a gente perde e finge que não, esses livros na prateleira que só fazem aumentar, esse medo de não ler todos, é um medo de morrer sem chegar a lugar nenhum, era o medo de escolher o lado errado, de largar o sonho antigo, de não saber mais que sonho é esse, de virar escrava da vida, de tentar virar outra coisa pra amenizar a dor, de beber qualquer coisa, muita coisa, todas as coisas que parecem aliviar, pra adiar


i


s


s


o


(s)




precisava sair de algum jeito




eu dei descarga e escovei os dentes, esse lixo finalmente vai embora.




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segunda-feira, 17 de maio de 2010

bata bem antes de engolir


  • Eu preciso dizer que eu amei aquele blues que você me deu, preciso dizer que pessoas lançam livros interessantes ou não, pessoas se lançam, e isso é interessante.

  • Eu quero dançar pra não ver a vida passar, pra passar dançando pela vida, debochando dela, eu preciso que esse corpo se coloque, se conheça, se desabe em algum lugar cheio de risco, sem pretensão. Porque não há mais pretensão, há uma performance-dança que a gente faz pra gente, e fica bom por isso, há algumas pessoas que a gente encontra por aí que colocam a gente quando já não há mais espaço, há sempre mais espaço quando se trata de gente, e há sempre gente para colocar em qualquer espaço, gente que já está e que aprecia colocar, porque um dia espera também ser colocado.

  • Tem também o professor que eu pensei tanto essa semana, que fala sobre moldura, não diz se é melhor ou pior, diz que estou bem, não pergunta, diz. Eu até melhorei depois disso, melhorei desse estado inerte, estacionado, eu realmente estava bem, mas não lembrava, ele lembrou, me achou mais bonita, não disse, mas eu senti quando falou dessa coisa da moldura.

  • Cabelo: solto sim, agora solto porque agora é a hora, eu precisei me expor um pouco. "de cabelo preso você muda", ele disse que eu era mais jovem cheia de cabelo, mais séria sem. Qual delas sou mais eu? A alegria tem cheiro? Isso é outra coisa, um poema que li, perdi o medo de ler poemas, leio, leio o que for pra ler, me coloco com segurança e voz firme, com vestido longo e cabelo solto. Precisei não soltar um pouco porque acredito na vida, e se ela me tirou os cabelos, penso que é porque não caberia mais tanto esconderijo, era hora da limpeza, e eu limpei.


  • Ele foi embora. Ele entendeu o email, eu entendi o que ele disse. A gente conversou pela primeira vez. Ele pediu desculpas, falou sobre culpa, sobre coisas fortes, sobre as coisas como poderiam ter sido, como foram, sobre como a gente é interessante, assim nessa coisa de afinidade, falou do tempo, do tempo da gente, do tempo que passou, disse que precisava pedir desculpas, me olhou no olho, pegou na minha mão, me pediu um abraço e um ingresso, eu dei os dois. Disse que leu, releu, que era melhor pessoalmente, eu disse da dificuldade dessa coisas de pessoalmente, a gente parou ali, não tem mais espaço pro de antes, agora eu não sei mais o que é. Sei que não morre dentro, morre a coisa, a relação, a relação do jeito que era, mas a coisa fica dentro, o coração bate mais forte quando o acaso cuida de nos encontrar. Blusa verde, dois beijos, o Arnaldo, a fila, o produtor que namora o outro que resolveu me garantir aquilo tudo, aquela coisa toda pouco comovente, mais muita coisa, não sei bem sobre o que vi ali, mas eu vi, ouvi e tudo isso esta latejando aqui dentro. Preciso pensar com calma sobre. Amanha na barca sem falta. Na barca de 7 e 20. Amanha não posso atrasar. Já passa da meia noite, o sono ficou. Onde?


  • Tem a coisa de desacreditar. Falo mais tarde sobre isso. Estou lendo Niet, estou com medo dele, mas vou encarar. To cansada mesmo, quero virar outra coisa. Dizem que ele pode fazer isso e eu acredito.


  • O livro da Paula Parisot: "Gostaria de mastigar o passado e digeri-lo". Uma semana com ela, mas teve o conto da francesa no ônibus com outra Paula, tinha a praia e um personagem que estava morto metaforicamente, ele não sabia amar, ele queria aprender. Eu também.

  • Tudo começou assim com a primeira Paula.


  • Onde é que vai dar?


  • "Queria espremer o vazio até a última gota" P.P.

HOJE EU COMPREI UMA FLOR VERDE PARA PENDURAR NA MINHA LUZ.

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