as coisa vão perdendo a cor, tudo gira envolta, a velocidade
do andar diminui, não olha no olho das pessoas, fuma cigarro, qualquer cigarro,
pensa que é como se tivessem te levando o sangue, vermelho, azul, qualquer cor,
escuta cada vez menos, faz força pra não ouvir, você briga com você mesma,
dentro fica tudo confuso, nebuloso, cheio de cor, cheio de coisas sem nome
berrando, se movimentando, sentando, levantando, tem música, tem bebida, run,
tem run com soda, tem champanhe com suco de framboesa, tem coisas, não pessoas,
coisas sem nome se esbarrando, elas não enxergam, se esbarram, gritam, fazem
sons estranhos, urram, uivam, flutuam também, eles fazem a terceira guerra
mundial lá dentro enquanto ela anda, come, liga, espera, espera, espera e ri.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
sobre mais um fim na gávea.
e agora tem umas dores no corpo inteiro, tem uma vontade que
tudo isso passe rápido, uma vontade de tomar algum remédio que cure, eu deito
na cama e vejo as 4 paredes caindo, desabando, virando pó e eu me vejo no meio
, na cama abraçada com a almofada amarela que é pra sempre, elas caem ao mesmo
tempo sem fazer barulho e ninguém mais pode ver, sair é uma maneira de ser
eterno, ficar pra sempre pode ser nunca mais estar na coisa, toda vez que eu
deito na cama eu vejo essas paredes desabando, me dá um frio no braço, e eu
lavei 5 calcinhas, hidratei o cabelo, depilei a perna, tudo pra tentar lembrar
de mim, esquecer qualquer outra coisa, o mundo ás vezes fica de mau, ás vezes
ele te mostra que nem sempre você pode, seus passos não são seus e você precisa
aceitar isso, andar na direção que ele manda, não adianta, e quando nada mais
adianta? tudo é banal, futuro não existe, ninguém dura pra sempre e eu já havia
me dito isso, acontece que enquanto a parede permanece lá você insiste em
permanecer aquecido, ser humano precisa de calor, lembra de você, remédio pra
esquecer, tem? não tem mais nada, não ficou nada, coisas, sim, ficou um pen
drive de fotos antigas, relações antigas, só isso, só um passado muito
distante, ficou aqui em algum lugar, incenso pra limpar, vontade de voar pra
longe dessa coisa de plano. quem era aquela pessoa no meio da rua? vestia blusa
rosa, bermuda quadriculada, fumava cigarro, bebia cerveja, tinha um olho que
nunca vi, eu nem ouvi nada, o que foi mesmo que disse? eu nem sei mesmo se eu
estava realmente lá.
as coisas não param,
eu não paro,
eu acho que ás vezes,
eu
não acho nada.
(post antigo jogado aqui num canto ciber qualquer)
Deus,
Deus, eu queria entender algumas coisas, vou tentar não
falar muito e começar logo. eu quero saber porque toda vez que a gente fica
feliz, muito feliz, alguma coisa empurra a gente pra baixo de novo, essa é a
minha principal questão, eu fiquei pensando que não pode ser obra sua, você é bom poxa, eu quero uma explicação pra isso, pra mim soa como um aviso de que é
preciso endurecer, ficar forte, mas não sei, eu vejo tanta gente forte e dura
no mundo, acho que não precisamos de mais, e também eu não vejo elas fazendo
nada de grandioso, tudo bem que eu também não faço, mas eu sinto pelo menos,
você consegue me explicar isso em uma frase? vou tentar formular uma pergunta
objetiva, não agora, quero refletir mais um pouco pra não decidir errado, olha
eu quero entender porque a vida dói tanto quase sempre, eu já pensei em tomar
remédio, mas fico com medo de sair do circuito e não voltar mais, fico
achando que é assim mesmo, que com o tempo vai doer menos, mas não sei não, não
sinto menos do que 1 ano atrás, pelo contrário, parece que quanto mais tempo,
mais planos, mais outras pessoas, mais uma mesma pessoa, sinto que quanto mais,
mais, e parece que gente não serve pra gente, tem sempre um tropeço que
acontece que dói mais em quem estava de mão dada, mas olha, eu entendo, entendo
mesmo, sei que as coisas acontecem e que ser humano é realmente uma prisão de
si mesmo, mas o que eu não consigo entender é que se as coisas são assim mesmo
e devem permanecer, porque doer tanto? eu queria entender, ás vezes acho que tem
haver com ego, ás vezes acho que quanto mais a gente tomba na vida, mais a
gente desnuda, mais a gente entende que é possível, mas não sei, possível o que
mesmo? o problema é que esses tombos ás vezes fazem a gente andar de joelheira,
capacete, esses tombos fazem a gente ter medo de andar de bicicleta, as pessoas
matam a magia pra evitar qualquer lágrima, e é nesse ponto que eu queria
chegar, eu quero te dizer, eu quero te enfrentar agora, quero dizer que eu não
vou andar como esses, eu não posso começar a andar devagar porque a vida me
ronda, eu vou sofrer, vou chorar, mas eu me recuso a aprender, sabe Deus, ás
vezes eu sinto como se o mundo fosse um pudim mal feito, e eu sinto que eu to
no meio olhando todas as entradas sem entrar, medo, medo de escorregar, medo de
não saber voltar, e isso a gente não mata assim, mas eu ainda assim vou, eu só
não sei até onde, só não sei se caindo consigo resignificar, é como se a dor
fosse tão grande que ela me dopa, a dor de um futuro que pode doer, mas se ele
vai doer mesmo, aí você sofre pela dor de agora e pela dor que virá, como se
você fosse Deus, ele mesmo, como se você pudesse se proteger de alguma coisa,
mas você já viu que não pode, já foi protegida a vida inteira e nem por isso
sofreu menos, você precisa mergulhar na coisa mesmo, você deve saber que vai
doer, mas doer vai doer sempre, você precisa é encostar onde dói menos, porque
ás vezes o que faz doer, também alivia, a pergunta Deus, a pergunta: um dia dá
pra dar a mão, fechar os olhos cair e levantar como se o tombo fosse escada,
tudo isso em um minuto?
quarta-feira, 29 de maio de 2013
roteiro do que seria se
e ela chega em casa, ou melhor, ela já estava desde cedo,
hoje decidiu-se, quis ficar um tempo olhando pra parede, um tempo jogando
conversa fora, um tempo pensando no tipo de vento que ventava lá fora, ela
assistia sua única serie, por isso favorita, ela descobriu uma posição incrível
pra sua cama, bem ao lado dos livros, não se sente mais sozinha, tem haver com
essa tentativa de parar de projetar nos outros o que deveria estar lá dentro,
no caso, dentro dela, quando ela vive uma história, de amor, de ódio, qualquer
coisa, se afasta dos livros, ela quer dosar, ela quer conseguir se equilibrar numa
linha fina e muito frágil, ela quer chegar do outro lado e sabe que só vai ser
possível com muito equilíbrio: “estamos num tempo de energias difusas, quem não
estiver equilibrado vai se afundar”. não, eu não, definitivamente. “é muito
simples, cada um no seu quadrado e pronto”. entendi, se o pensamento fosse
esse, nem sexo existiria, ficaria sobrando de uma parte, faltando de outra,
nenhuma tentativa alcança.
e ela decidiu mesmo continuar a noite em casa, poderia
muitas coisas, poderia mesmo, mas ela quis escrever, ela quis pensar no que ela
precisa, ela precisou ir na farmácia comprar a pílula, porque já esqueceu
ontem, ela realmente é um fracasso com medidas de prevenção, ela é do tipo que
remedia, mas tem coisa que não tem remédio, daí ela tenta se adequar.
seu pai, longe, mas muito longe de ser um modelo de pai vem
até o seu quarto, se senta na sua frente, lhe dá o dinheiro dá análise, diz a
ela que as coisas estão melhorando, que ele pensa em lhe dar algum dinheiro pra
viajar, ela desabafa, fala que se pudesse pegava um avião e desaparecia, a sensação é de que seus braços se esticam até
não poder mais, cada um pra um lado, como num sonho que ela teve a um tempo,
mas no sonho quem esticava era sua mãe.
ele diz que quando namoravam não faziam sexo na frente dela,
do bebê de 6 meses, ela estranha, nunca falaram de sexo, ela nunca viu sequer
um beijo do casal, ele diz que ficavam juntos, a coisa esquentava, ela pedia
pra parar, ele dá detalhes, ele diz que nos finais de semana iam á motéis pra
resolver a vida deles, deixavam um tio cuidando, ele fala que é a criação dela,
pra ela, segundo ele, tudo isso é muito difícil de entender e aceitar, ele diz
que achava um absurdo, a criança estava dormindo, mas ela nunca cedeu. ele diz
também que não se pode dar muita importância a brigas, a nada na verdade,
daí ele dá o exemplo do irmão que foi demitido pra dizer que as coisas vão se
ajeitar, ele, o irmão já está bem empregado, o mercado ta inflado, ele diz, ela
pensa que as coisas não tem fluido bem desse jeito com ela. ele diz que eles vão existir
sempre, os problemas, mas ele diz que as coisas permanecem, o negócio é não
esquentar.
ele virou outra pessoa depois desse problema de saúde,
dessa crise
conjugal
e da análise
=
coquetel transformation
ele pulou a poça, essa imagem
não sai da cabeça dela, ele estava mal da coluna e de repente um dia, pulou uma
super poça, percebeu que estava curado, essa poça fez toda diferença na vida
dele. é preciso pular poças sem pensar em absolutamente nada.
ela pensa que isso explica muita coisa e vai ver um filme ou
criar o roteiro de um trabalho de direção que ela assumiu na faculdade, ela
está plena apesar de tudo, sabe que isso não deve durar, ela esta pensando em
intensificar a análise por algum tempo,
pensa que tudo isso de hoje poderia
ter sido diferente se não fosse a análise ontem.
ontem: seu analista atrasa, se explica e isso soa engraçado,
essa inversão de papéis, pega o metro no sentido contrário, permanece por cerca
de 5 minutos no ponto final, volta pro lugar de onde saiu, a mesma estação,
percebe o erro, esta ao telefone com sua mãe, que diz que se sente atropelada,
atravessa pro sentido certo, recebe uma ligação que não vê, tenta avisar que
está atrasada pra uma reunião por mensagem, mensagem não enviada, pega o livro
pra ler, percebe que esta molhado, chega no flamengo, compra um milho macio e branco na saída
do metro, sobe pro apartamento,
consegue encontrar numa pesquisa sua série favorita e única, assiste um
capítulo que já viu, vai pra casa, em casa assiste o capítulo 8, bebe água
e dorme consigo mesma.
- mas hoje, o que você fez hoje?
- assisti o capítulo 9 e o início do 10 da minha série
favorita e única.
ela lembra que não tem sentido fome há alguns dias, estranhamente,
ela não tem sentido fome, alguém disse que ela parece triste, assim, meio sem
luz.
ela pensa que deve ser isso mesmo, ela não sabe quando, mas ela acha que apagou um dia desses pra dormir e esqueceu de acender de volta.
e ela segue sem fome.
.
.
.
.
.
.
sábado, 4 de maio de 2013
cenário 2013
e agora? Eu me pergunto como tudo vai ser depois de tudo,
sim, porque parece que a qualquer momento vai estourar uma bomba, parece um
ensaio pro fim, parece que não vai ter fim, parece que vai saltar alguém daquela
janela e me dizer pra ficar tranquila, as coisas vão melhorar, sempre melhora,
a pessoa vai dizer, eu vou ficar parada olhando, ela vai dizer também que as
coisas não precisam ser assim tão duras, a gente pode adestrar o olho, a gente
precisa adestrar o olhar pra ver magia, a gente pode caminhar no nosso tempo e
chegar também, a gente pode não ter pressa, a gente pode pedir socorro, a gente
pode precisar de pessoas, ela vai dizer que eu posso precisar dela, que ela vai
estar sempre ali, aqui, em qualquer lugar, ela vai me dar colo, ela vai
entender o meu choro, ela não vai me obrigar a encarar um cenário que eu não consigo
ver, ela me diz que entende, que sabe que tem gente que não aguenta, não assim,
não de repente, ela vai com calma, ela vai dizer que o mundo é cruel sim, que o
tempo esta engolindo gente a todo momento, ela vai me pedir pra não perder a
magia, ela recupera minha magia, ela vai me lembrar de tudo que eu tenho de
bom, vai dizer pra eu trocar de roupa e ir dançar: dança menina! vai, dança! eu
vou dizer a ela que eu ando tonta, que eu acho que vou cair, eu vou dizer a ela
que nunca tive tanto medo, eu vou pedir pra ela me dar a mão: dança comigo? ela
enxuga meu rosto, me dá água com açúcar, me lembra que existe doce, se afasta,
vai pra janela e me diz: vai você que eu fico de longe olhando.
sábado, 23 de março de 2013
eu não quero, mas você.
eu não quero mais você, eu não quero dizer eu te amo, eu não
quero ganhar presente, eu não quero ver lá na frente, eu não quero mais você, eu quero chegar na hora, eu quero dormir na
hora, eu quero comer na hora, eu não quero mais você, eu quero andar sem esperar
nada do mundo, eu quero não precisar ouvir sua voz, eu quero esquecer o junto, eu não quero mais você, eu
quero acordar sem saber o que vou fazer, eu quero ser surpreendida, eu quero me
bastar em qualquer lugar sozinha, eu quero fumar 50 cigarros, eu não quero mais
você, eu quero beber até perder a moral, eu quero chorar até perder a noção do
tempo, eu quero arrastar a mão na parede até sangrar, eu não quero mais você,
eu quero viajar sem data de volta, eu quero dar pra todo mundo, eu não quero
mais você, eu quero esquecer que existe relógio, eu quero tirar esses 200 kg do
meu ombro, eu quero fazer o caminho de Santiago, eu quero acreditar que existe
chegada, eu não quero mais você, eu quero ter prazer no tempo que eu passo indo e vindo, eu quero sangrar sozinha, eu quero me trancar num fundo, eu não quero
mais você, eu quero escrever até perder o sentido, eu quero quebrar a placa de
não retorno, eu quero dormir 3 dias seguidos, eu não quero mais você, eu quero
tropeçar na rua e cair, eu quero fingir que esta tudo bem, eu quero voar de asa
delta, eu não quero mais você, eu quero perguntar e responder a mim mesma, eu
quero aquele sentido de antes, eu quero picolé de uva, eu não quero mais você,
eu quero fingir que a mula é manca, eu quero o leite derramado, eu quero tudo
inacabado, eu não quero mais você, eu quero escrever músicas, eu quero virar
cantora, eu quero criar coisas concretas, eu não quero mais você, eu quero
entender a vida, eu quero saber confiar na vida, eu quero a leveza de 16 anos,
eu não quero mais você, eu quero gritar até doer a garganta, eu quero gozar com
a minha mão, eu quero o mundo do meu jeito, eu não quero mais você, eu quero escrever
um texto de teatro, eu quero ser a ultima bolacha do pacote, eu quero ser o
pacote, eu não quero mais você, eu quero olhar a lua toda noite, eu quero
comer aquele calzone, eu quero chupar
sacolé de amendoim,
eu não quero mais você, eu quero, mas você.
(a luz do abajur queimou)
eu não quero mais você, eu quero, mas você.
(a luz do abajur queimou)
domingo, 17 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Eu quero falar sobre os encontros.
(Na verdade eu já falei,
esse é um texto passado, se passou no Rota 66 do Leblon, há dois anos, nesse mesmo período, verão)
Ela não consegue, ela não pode, ela não sabe encontrar.
Ela diz que tenta.
Ela chega num bar, ela esta tão cansada de tudo que acontece,
ela pensa que viver demanda muita energia, por isso ela bebe, ela não tem
dinheiro para terapia, ela não tem paciência para esperar ele ligar.
Ela percebe que ninguém mais interessa. Nobody. Personne.
Niemand. Nadie. Nessuno. Ninguém mesmo.
Ela esta num bar com dois amigos.
Ela tem lábios grossos, tatuagens arrojadas, sorriso lindo e
seios de silicone.
Ela diz que esta difícil, ela é linda, mas ela não pode, ela
não sabe mais como, ela quer alguma coisa que possa valer essa pena toda, e um dia antes, um
dia antes ela quase perdeu tudo, ela quase perdeu a vida por conta de um cara
que entrou na Rua Alice a todo vapor, ele entrou e atropelou carros, pelo menos
6, ele realmente atropelou 6 carros, ele era um cara legal,
ela também, mas eles não sabiam como, nem o que.
Ela tem um amigo que vive desde março uma relação sem rótulos, ele não namora, ele tem alguém, e tem aquela amiga que namora de 15 em 15 dias, parece que todo mundo esta se encaixando, menos ela.
E um dia antes ela também quase perdeu toda essa agonia, ela
ia se libertar dessa coisa, dessa maldição.
Ela quase acreditou num cara, ela viveu coisas, mas no dia
seguinte, como todo dia seguinte ele não ligou.
“Then
i act like a woman and he's got
A
woman who acts like a woman should”
Marylin
Monroe
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
the end - faltando 2 dias para
O gozo paralisa?
Quando você descobre que é.
- provar a comida do quilo antes de colocar no prato,
- ligar pra todos os amigos pra saber sobre os problemas deles quando eu tenho um problema maior,
- prender o cabelo bem no alto,
- riscar as coisas que eu anotei e fiz durante o dia,
- esquecer o celular em qualquer lugar e depois perguntar se alguém viu,
- programar a semana toda para desprogramar depois,
- reproduzir em silencio a voz da mulher no metro,
- andar de bicicleta de cabelo solto,
- sair de vestido e sem calcinha,
- olhar o mar por muito tempo,
- cavar um buraco na areia achando que logo chega o japão,
- acumular calcinhas para lavar,
- comer salada de fruta num copo verde no caminho pra faculdade,
- ir ao cinema no meio do dia sozinha,
- tomar banho frio,
- ouvir a conversa dos outros sempre que possível,
- ligar a tv e não ouvir o que ela diz
- passar água termal no rosto pra aliviar alguma coisa,
- nadar de olhos abertos,
- comer pizza de alho sozinha,
- espalhar post-it pela parede,
- colecionar lápis de cor,
- beber água direto na garrafa,
Percebe quando coloca a set list “auto estima” pra tocar depois de mandar uma
mensagem de conteúdo avassalador, revelador, quase que deformador, diz coisas
sobre mente que talvez nunca serão entendidas, coisas que a gente só diz pro
cara que a gente paga, o cara que não tem tempo de fazer julgamento de
personalidade, o cara que ouve todo mundo com o mesmo ouvido, e no final do dia
nada entra mais, mas ele levanta questões que te atingem num lugar, nesse mesmo
lugar que você agora desconhece, percebe que pela primeira vez consegue se
converter, se fazer voltar, se realinhar e sair do lado das coisas pequenas,
nessa hora morre o charme, e com ele talvez mais alguma coisa tenha ido, outra
nascido, não se sabe muito bem, porque é como se existisse um buraco nessa
mente, um buraco vazio de significado, um limbo que não reconhece mais, que
perdeu o controle, você? quem? ele, é como se fossem dois eles um bom e um
mau, bem cafona mesmo, você se alia ao bom pela primeira vez na vida, mas o mau
sempre esteve fazendo o que podia, agora ele dorme, ele precisa descansar, ele é o charme, para que sobre qualquer coisa no lugar certo, é o tipo de coisa que
ninguém talvez possa compreender, compreende da sua maneira, mas é um sair de
si legítimo, aceito, com medo, claro, mas honesto, porque é sempre mais fácil
correr em outra direção, parar de escrever pra passar desodorante, e aí pensa que foda-se a internet, começa quase que um novo ciclo, porque as coisas pequenas
faleceram, desfaleceram, foram pro buraco que no seu lugar, você levanta, se
olha no espelho, baixa os ombros, lembra da importância do seu corpo, do seu,
de você, da complexidade que é ser, você lembra de uma amiga que disse uma
coisa linda, disse que Paris tem fama de ser a cidade do amor, mas seus hábitos
mais comuns são feitos individualmente, como ler na grama ou tomar café numa
pâtisserie, percebe que onde há amor há uma dose cavalar de solidão, existe
cenário, mas existe gente, e quando chega gente é que tudo desorganiza, porque
gente sente, e quando sente muito perde o controle, porque nada mais tem
calma, é pressa, é confusão, é dor no estomago, é descoberta pra dentro, e tem
gente que passa a vida descobrindo pra fora, quando olha pra dentro ta cheio
demais, começa a pensar em fazer coisas que te devolvam parcialmente pra si,
relembra pequenos hábitos chatos ou não como reclamar das coisas que ele deixa
na pia depois de lavar louça, não, ainda não é isso, é outra coisa,
- ligar pra todos os amigos pra saber sobre os problemas deles quando eu tenho um problema maior,
- prender o cabelo bem no alto,
- riscar as coisas que eu anotei e fiz durante o dia,
- esquecer o celular em qualquer lugar e depois perguntar se alguém viu,
- programar a semana toda para desprogramar depois,
- reproduzir em silencio a voz da mulher no metro,
- andar de bicicleta de cabelo solto,
- sair de vestido e sem calcinha,
- olhar o mar por muito tempo,
- cavar um buraco na areia achando que logo chega o japão,
- acumular calcinhas para lavar,
- comer salada de fruta num copo verde no caminho pra faculdade,
- ir ao cinema no meio do dia sozinha,
- tomar banho frio,
- ouvir a conversa dos outros sempre que possível,
- ligar a tv e não ouvir o que ela diz
- passar água termal no rosto pra aliviar alguma coisa,
- nadar de olhos abertos,
- comer pizza de alho sozinha,
- espalhar post-it pela parede,
- colecionar lápis de cor,
- beber água direto na garrafa,
era isso que eu tava tentando dizer.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
3x4
Elle
por que sempre que eu tenho medo do mundo eu
ligo pra você?
eu quero acordar atrasada pra tudo, sentar na calçada, tomar café preto, acender mais um cigarro, fazer um filho á noite e me arrepender de manhã quando acordar atrasada pra alguma coisa que nem sei o que é.
Junior Aladier
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
texto mudo para Caio
Caio,
Eu quero te dizer que eu também acho difícil ficar, na
verdade eu preciso te dizer que pra mim também é mais fácil voar, eu me sinto tão tentada quanto você. Voar junto sempre me pareceu impossível,
eu sempre me senti presa demais, sufocada demais, eu não uso gola rolê, não uso
meia apertada, evito tudo que me possa tirar o ar, até você chegar.
Fica difícil pra mim te explicar algumas coisas que nem eu
entendo direito ainda, sabe, é que eu nunca lidei bem com essa coisa de não estar
dentro, por isso até eu evito entrar, fico meio de fora olhando, e se tem uma
coisa que me puxou pra você foi o fato de que eu já estava aí dentro, isso era
tão comovente, eu nem tinha deixado e você já tinha me sequestrado e me largado
em algum lugar aí, sendo assim, qualquer movimento que me tire desse lugar
quente me faz voltar pra mim, me faz lembrar do frio no braço, porque eu sinto
Caio, que a qualquer momento você vai me dizer que não consegue tão junto, que
pensou que era diferente, que não quer mais dizer onde vai, nem porque, sabe,
eu gostaria que a gente tivesse prazer nisso, em falar sobre o dia, sobre o que
fez entre uma hora e outra, mas eu sei que pra você é difícil, eu não quero é
ter de cobrar isso, nem você deve dizer caso não queira.
Eu não to gostando do meu lugar nesse mundo que a gente ta
criando, eu nunca ocupei essa posição, ela ta desconfortável pra mim, eu sempre
fui a que ia embora, a que tinha mão que fosse pra poder voltar, eu sempre
estive do outro lado. Eu não consigo te trazer inteiro aqui pra dentro, acho
que não tenho o vocabulário mais certo, eu não consigo te convencer de que
estamos juntos, eu não sei muito estar junto e falar como se estivesse, a minha
fala sempre me trai, sempre me dispersa, na verdade eu nem nunca soube trazer
nada, sempre fui levada, eu nunca precisei, não sou boa nesses discursos
afetivos, por isso a agressão a você e a mim, como uma criança que quando não
consegue bate ou chora.
Caio, a verdade é que eu não sei como fazer com você, nem sem
você, pior sem você, muito pior. Eu só quero mesmo que você saiba que todos
esses desapontamentos são tentativas de melhorar a coisa, em outro tempo eu poderia
relevar, talvez essa seja a grande questão, os casais que se amam não costumam
se casar, essa tentativa constante de melhora acaba transformando demais, e no
outro caso é fácil acabar em casamento porque tudo parece bem resolvido. Esse é
o meu maior medo, eu penso que a gente é muito perigoso, um pro outro, eu não
consigo me fazer entender, nunca fui boa nisso, e pelo visto só pioro, por isso
a rejeição por assuntos sérios, ninguém nunca me levou muito a sério Caio, eu
sempre fui café com leite e acabei acostumando com a fantasia.
Não é fácil sair de um castelo qualquer, o fato é que eu não
sei mais se eu sou o que você precisa Caio, e me dói dizer isso, isso tem me
atormentado, eu não tenho me sentido uma pessoa boa de estar junto, porque eu
não sei, eu que sempre fui fundamental de repente não sirvo pra tanta coisa, você
diz que eu imponho, e devo impor mesmo, desculpa, eu estou triste comigo, eu
não estou me reconhecendo, eu tenho sentido coisas diferentes, eu to descobrindo
coisas de mim assustadoras, você me leva a uns lugares de exaltação que eu
nunca nem passei perto, um descontrole emocional, eu não sei mais nada Caio, eu me olho no espelho cada
vez mais rápido, sinceramente, eu tenho sentido vergonha de mim, eu tenho me
sentido fraca, e a imagem é de uma pessoa com os pés numa areia movediça que
cada vez vai mais pra dentro, eu não sei o que tem lá Caio, pode ser você, mas
eu não sei, eu acho que você não merece, não assim, eu acho que você precisa de
sossego e eu só faço rodar.
Sabe quando você está numa festa e não conhece
ninguém? A sensação é essa.
ps1: E eu não quero falar disso pessoalmente, não agora,
isso ainda não tem som.
ps2: Se quiser, me escreva.
ps3: Eu te hamburguer!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
croqui já passado
e ela vai, foi na cozinha devorar qualquer coisa que parecesse sobra, não sabe bem porque, mas não abriu um pacote de biscoito, não fez comida, ela não saberia, mas ela poderia fritar um ovo, sim poderia, mas ela não fritou, ela voltou com um pedaço de pizza fria de ontem, tirou a calabresa que parecia meio morta, deixou o tomate e mordeu ainda de pé, mas ela queria escrever, ela precisava escrever e isso não lhe parecia suficiente, ela colocou mostarda porque naquele momento fazia sentido, ela morde mais uma vez,nem sabe ao certo o gosto que tem, o caso é que ela precisa escrever algo sobre Romeu e Julieta e a vida dela com ele, mas ela não sabe fazer isso, nunca fez,tem essa coisa da escrita autêntica, tipo agora, não consegue muito se comprometer com essa coisa de escrever, talvez por isso esteja durando tanto,sem compromisso, sem meta final, menos e mais livre, então ela já leu, já comeu, dormiu num canto atípico do quarto, no sofá-cama preto pequeno e descobriu que poderia morar naquele canto, ali tem tudo que precisa, uma estante pequena que serve também para apoiar o pé, sim porque ela quase sempre precisa apoiar em alguma coisa, tem livros, alguns livros, uma revista, um lápis, um quadro que é uma escultura de uma moça de costas, ela gosta de costas, tem um quadro menor colorido que ela pintou, uma garrafa d´água ambiente, dois santinhos pequenos, uma árvore de mentira que tem sabonete como fruta, umas flores de tecido bem grandes, uma lata com umas moedas, dois travesseiros, 3 almofadas,um ar condicionado, um espelho bem pequeno mesmo do lado do quadro e uma janela,ela pensa que gostaria de ter uma pinça ali, uma pinça e uma escova de dente pra sobrancelha, pronto, come o ultimo pedaço de pizza que não estava bom, não estava, mas não importa, a amiga que vai casar acaba de ligar porque elas precisam decidir sobre a roupa das madrinhas, e ele fica martelando na cabeça dela que quer alguma coisa, ela não consegue esquecer nem dele, nem dessa coisa, nem por 1 minuto que seja, só esquece quando pensa no casamento, gente, mas que coisa é essa? ta difícil estar na coisa, dentro da coisa aparentemente bem sucedida e escrever sobre isso, parece que não tem nada pra escrever porque é tanta coisa, parece que não vai caber, parece que sublinha escrever e viver junto, entende? mas ela vai escrever, não hoje, ela vai escrever uma história cronológica partindo da sua visão da coisa, ele vai detestar porque vai parecer frágil, mas não sei, ela não consegue pensar em outro jeito de contar, ele fala como se as coisas não fossem mais tão interessantes, ele perdeu a capacidade dese surpreender com o que já foi feito, ele ta caindo da árvore, e ela ta tentando subir de volta, tem que ver isso, tem que ver o que sequer da coisa e o que se faz por ela, a arte, ela não tem feito nada, nada mesmo, sua maior preocupação atual é a roupa das madrinhas do casamento dessa amiga, e ta tudo ótimo, ela quer viver isso porque isso dá retorno, ela ajuda nessa coisa da imagem geral, porque gosta mesmo, decide junto a roupa das madrinhas, elas ficam felizes,todo mundo entendeu? depois ela se dedica ao seu vestido, ela finalmente vai a festa depois de 3 meses, taí, ela encontrou uma coisa que dá sentido e dura por 3 meses, ela vai a festa, as pessoas elogiam, elogiam tudo e pronto,ta bom, é isso? é tudo isso, é ótimo, ta feito, resultado mais que colhido, pronto.
- e o texto?
que texto mesmo? ah, sim, ele vêm em breve, é porque eu ando muito ocupada, vou ligar agora pra minha amiga pra saber do vestido, ela foi experimentar o dela hoje, me disse que vai ser curto, to preocupada com isso,ta querendo colocar as madrinhas de curto também, aí tem a coisa da estampa,ela queria todo mundo florido, são 13 madrinhas, eu disse a ela que tudo bem,mas daí não é bom misturar, ou tudo colorido ou não, eu já tinha pensado um vestido inteirinho azul royal e longo com uma fenda na perna, mas agora não pode, tem que ser curto, achei ótimo porque aí tem mais uma outra função pra dar sentido, preciso ver umas revistas mais modernas, eu preciso mesmo agora garantir a minha cor de vestido porque senão não sobra nenhuma cor, eu to pensando no azul, mas dizem que coral fica bem em mim, vermelho rouba a cena,dourado? sei não, sei que não pode ser estampado, eu disse a ela que acho bom, não é bom misturar, ou tudo colorido ou não.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
como está?
e escreve agora sentada em um banco atrás de um balcão de loja, lá na frente as pessoas passam o tempo todo, e pensa que deve ser assim, que sempre foi assim, achou que pudesse haver exceção, porque sempre levantou essa bandeira, essa coisa que pode permanecer, mas agora percebe que não há, o que existe é isso tudo que passa sempre na frente deixando um monte de sobra pelos lados.
é porque tem passares que demoram, que entram menos, tem passarinho pra tudo.
e pensa em tudo que ficou por fazer, é o que seria que machuca.
e o namorado da outra passa na porta, chama, e dói.
percebe que ainda não sabe a forma desse buraco que ficou, percebe que parece fundo, tem que saber o tamanho pra encher.
vai na primeira mão que chega, mas ás vezes não chega, porque sempre falta mão do tamanho certo.
é porque tem passares que demoram, que entram menos, tem passarinho pra tudo.
e pensa em tudo que ficou por fazer, é o que seria que machuca.
e o namorado da outra passa na porta, chama, e dói.
percebe que ainda não sabe a forma desse buraco que ficou, percebe que parece fundo, tem que saber o tamanho pra encher.
vai na primeira mão que chega, mas ás vezes não chega, porque sempre falta mão do tamanho certo.
sabe quando faz silencio no meio de muita gente fazendo barulho? é assim que tá.
domingo, 11 de novembro de 2012
um recurso ou uma tentativa dramaturgica
Eu estava jogando bola como fazia sempre toda quarta com o
pessoal lá do trabalho, aquele dia minha perna direita doía um pouco, na altura
na coxa, mais aqui perto da virilha, tenho mania de chegar em cima da hora, daí
nunca consigo alongar, poderia ser por isso, mas nesse dia não, ela doía porque
peguei muito peso no dia anterior ajudando uma amiga na mudança, fui pegar a
televisão com um pouco mais de cuidado, ela estava no chão, a perna deu uma
balançada, me segurei pra não cair e pra não derrubar a tv, aí deu uma pontada
na perna, nessa parte interna aqui, eu estava lento aquele dia, bastante lento
jogando na defesa, coisa que nunca faço, já tinha reparado, não era a primeira
vez que tinha uma mulher sentada num banco sem encosto de cimento que fica do
lado esquerdo da quadra, no caso do meu lado esquerdo naquele dia, ela estava
lá sentada como toda quarta, ela chegava sempre com 20 minutos em média de jogo
começado e ficava lá, olhando, não parecia conhecer ninguém, ficava lá sentada
olhando, ela sempre me incomodava de alguma forma, não sei bem porque, mas ela
não conhecia ninguém, o jogo acabava e ela ia embora como se fizesse parte
daquilo, sempre usava vestido, isso eu reparei, vestidos meio soltos em geral
na altura do joelho, era uma mulher de meia idade, devia ter uns 30 anos,
cabelo médio, meio castanho, rosto neutro, assim meio sem graça, perna fina,
meio magra pro meu gosto, esse dia ela estava com um vestido meio vermelho de
alça, pouco decotado, tinham umas coisas desenhadas, tipo flores eu acho, ela
chegou no horário de sempre e sentou, eu tava de longe e procurava não olhar
muito, de repente me pareceu que ela fazia alguns movimentos repetitivos com as
mãos de cima pra baixo, fiquei olhando aquilo, a bola passou por mim, se não me
engano foi gol do time adversário, eu fui chegando perto, parecia que ela tinha
uma coisa na perna direita, era um movimento na perna, o vestido era vermelho,
de perto eu vi melhor, ela estava repetindo cada vez com mais intensidade,
quando pude ver com nitidez, percebi que ela estava com um vestido vermelho, e
tinha uma faca na mão também, ela tava esfaqueando sua perna direita cada vez
com mais intensidade, sua mão subia e descia, era esse o movimento que eu via
de longe, ela fazia com prazer, quase sem dó, tinha sangue em volta e ela
estava com sapatos brancos lindos, eu parei na frente, olhei pros sapatos e
perguntei:
- Porque você ta fazendo isso? Quem é você?
- O que você tem com isso? Me deixa.
- Sai daí! Quem é você?
- Ela é meu cavalo, eu gosto de torturar ela, eu preciso
fazer isso.
Eu mandei aquela coisa embora, gritei alto mandando a coisas
sair, ela desmaiou, ajeitei o vestido, limpei os sapatos com a minha camisa, coloquei
a faca no banco, peguei na sua mão, coloquei ela nos braços, minha perna
reclamou e andei em direção ao carro.
paint paint paint
Eu queria falar um pouco sobre essa espera.
A gente não sabe
de onde vem, a gente queria que já chegasse, a gente queria nunca ter tido pra
não ter que aguardar o retorno, eu agora vivo o caos de não saber sair daquilo,
de continuar presa de um jeito abstrato e cheio de cerejas em volta, tem muita
coisa que olha pra gente, e ás vezes isso que olha dói, ás vezes não dói, mas
sempre muda alguma coisa, há que se ter cuidado, há que se cuidar, há que
cuidar menos dos olhares outros e focar no seu.
Você olha pra que?
Por que?
Pra
dentro?
Dentro tá onde?
Você sabe ainda?
Ainda dá pra achar você nessas escadas
e areias todas?
Muito degrau, muita cor, muito preto, pouco branco. Isso tudo
vira algo, e têm aquele posto, tem aquela rua, aquele túnel, tem as crianças que
morreram na escola, as chuvas de verão em maio, têm tudo isso e ele ali parado,
correndo da cor, correndo de tudo que faz rir e faz sangrar também.
Mas que
sangue é esse que de tão azul e precioso não deve escorrer sob nenhuma
condição, sob nenhum outro sangue azul claro?
Acabo de ouvir: há um
caminho muito duro a percorrer, muito duro e difícil, então espere.
Deve sentar?
E todas essas questões de pele que surgem com esse aguardo
todo?
E o intestino que cada dia vai piorando?
E o corpo que envelhece?
Ana disse que agora tudo seria dito, seria claro, seria,
seria, seria, mas como?
Que mundo é esse que usa o facebook pra manter relações?
Que relações são essas que nunca existiram?
Pode ser que jogar gelo no vinho seja a coisa mais autêntica já feita, e
tem essa coisa também de chegar em casa e ligar a TV, você liga pra desligar
você. Eu não sei não, mas tem algo que não acontece nesse tempo.
Ou será que sempre
foi assim?
Pode ser?
Existem mais coisas que acontecem ou não?
E quando a gente desiste de esperar o que acontece?
O que vêm depois da espera?
Me espera na ativa?
Quantas pessoas esperam pela gente?
Você tem q aceitar
e uma forma de aceitar é também intervir
na mudança.
tempo tempo tempo
e quando a coisa é do jeito que foi você pode saber que ela
tava no limite entre o que poderia ter sido ou não.
o limite é o que foi
é quando
e que venha o próximo
limite, claro
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