domingo, 17 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Eu quero falar sobre os encontros.


(Na verdade eu já falei, esse é um texto  passado, se passou no Rota 66 do Leblon, há dois anos, nesse mesmo período, verão)

Ela não consegue, ela não pode, ela não sabe encontrar.


Ela diz que tenta.


Ela chega num bar, ela esta tão cansada de tudo que acontece, ela pensa que viver demanda muita energia, por isso ela bebe, ela não tem dinheiro para terapia, ela não tem paciência para esperar ele ligar.

Ela percebe que ninguém mais interessa. Nobody. Personne. Niemand. Nadie. Nessuno. Ninguém mesmo.

Ela esta num bar com dois amigos.

Ela tem lábios grossos, tatuagens arrojadas, sorriso lindo e seios de silicone.

Ela diz que esta difícil, ela é linda, mas ela não pode, ela não sabe mais como, ela quer alguma coisa que possa valer essa pena toda, e um dia antes, um dia antes ela quase perdeu tudo, ela quase perdeu a vida por conta de um cara que entrou na Rua Alice a todo vapor, ele entrou e atropelou carros, pelo menos 6, ele realmente atropelou 6 carros, ele era um cara legal, ela também, mas eles não sabiam como, nem o que. 

Ela tem um amigo que vive desde março uma relação sem rótulos, ele não namora, ele tem alguém, e tem aquela amiga que namora de 15 em 15 dias, parece que todo mundo esta se encaixando, menos ela.

E um dia antes ela também quase perdeu toda essa agonia, ela ia se libertar dessa coisa, dessa maldição. 

Ela quase acreditou num cara, ela viveu coisas, mas no dia seguinte, como todo dia seguinte ele não ligou.




“Then i act like a woman and he's got
A woman who acts like a woman should”
Marylin Monroe

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

the end - faltando 2 dias para





- Mas me diz uma coisa, vocês terminaram porque mesmo?


- Não sei exatamente, acho que teve uma coisa com ventilador e mensagem...


05.02.13 - buscando








O gozo paralisa?

Quando você descobre que é.


Percebe quando coloca a set list “auto estima” pra tocar depois de mandar uma mensagem de conteúdo avassalador, revelador, quase que deformador, diz coisas sobre mente que talvez nunca serão entendidas, coisas que a gente só diz pro cara que a gente paga, o cara que não tem tempo de fazer julgamento de personalidade, o cara que ouve todo mundo com o mesmo ouvido, e no final do dia nada entra mais, mas ele levanta questões que te atingem num lugar, nesse mesmo lugar que você agora desconhece, percebe que pela primeira vez consegue se converter, se fazer voltar, se realinhar e sair do lado das coisas pequenas, nessa hora morre o charme, e com ele talvez mais alguma coisa tenha ido, outra nascido, não se sabe muito bem, porque é como se existisse um buraco nessa mente, um buraco vazio de significado, um limbo que não reconhece mais, que perdeu o controle, você? quem? ele, é como se fossem dois eles um bom e um mau, bem cafona mesmo, você se alia ao bom pela primeira vez na vida, mas o mau sempre esteve fazendo o que podia, agora ele dorme, ele precisa descansar, ele é o charme, para que sobre qualquer coisa no lugar certo, é o tipo de coisa que ninguém talvez possa compreender, compreende da sua maneira, mas é um sair de si legítimo, aceito, com medo, claro, mas honesto, porque é sempre mais fácil correr em outra direção, parar de escrever pra passar desodorante, e aí pensa que foda-se a internet, começa quase que um novo ciclo, porque as coisas pequenas faleceram, desfaleceram, foram pro buraco que no seu lugar, você levanta, se olha no espelho, baixa os ombros, lembra da importância do seu corpo, do seu, de você, da complexidade que é ser, você lembra de uma amiga que disse uma coisa linda, disse que Paris tem fama de ser a cidade do amor, mas seus hábitos mais comuns são feitos individualmente, como ler na grama ou tomar café numa pâtisserie, percebe que onde há amor há uma dose cavalar de solidão, existe cenário, mas existe gente, e quando chega gente é que tudo desorganiza, porque gente sente, e quando sente muito perde o controle, porque nada mais tem calma, é pressa, é confusão, é dor no estomago, é descoberta pra dentro, e tem gente que passa a vida descobrindo pra fora, quando olha pra dentro ta cheio demais, começa a pensar em fazer coisas que te devolvam parcialmente pra si, relembra pequenos hábitos chatos ou não como reclamar das coisas que ele deixa na pia depois de lavar louça, não, ainda não é isso, é outra coisa,


- provar a comida do quilo antes de colocar no prato,
- ligar pra todos os amigos pra saber sobre os problemas deles quando eu tenho um problema maior,
- prender o cabelo bem no alto,
- riscar as coisas que eu anotei e fiz durante o dia,
- esquecer o celular em qualquer lugar e depois perguntar se alguém viu,
- programar a semana toda para desprogramar depois,
- reproduzir em silencio a voz da mulher no metro,
- andar de bicicleta de cabelo solto,
- sair de vestido e sem calcinha,
- olhar o mar por muito tempo,
- cavar um buraco na areia achando que logo chega o japão,
- acumular calcinhas para lavar,
- comer salada de fruta num copo verde no caminho pra faculdade,
- ir ao cinema no meio do dia sozinha,
- tomar banho frio,
- ouvir a conversa dos outros sempre que possível,
- ligar a tv e não ouvir o que ela diz
- passar água termal no rosto pra aliviar alguma coisa,
- nadar de olhos abertos,
- comer pizza de alho sozinha,
- espalhar post-it pela parede,
- colecionar lápis de cor,
- beber água direto na garrafa,







era isso que eu tava tentando dizer.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

3x4






Júnior. Paraibano. Alto, bem alto. Ossos largos. Nariz desenhado. Descendência francesa. Boca de criança. Vez em quando é incomodado por uma dor de dente em função de dois canais. Só dorme no escuro, muito escuro. Tem mãos grandes, lindas. Sabe usá-las muito bem. Não ronca. É neurótico-obsessivo-compulsivo, tudo. Tem dificuldade com números. Não fez engenharia. É ator. Se interessa muito pela ação de correr. É temperamental. Ama poucos. Dotado de um carisma capaz de seduzir multidões, mas ele não quer. Quer uma casa de campo. Prefere campo á montanha. Faz planos sem meio, nos seus planos só existem começo e fim. Criado por vó. Ariano. Teimoso e chato. Fica pessimista quando conhece bem uma pessoa, é uma maneira de alertar o outro sobre o lado negro do mundo. Mas o outro já sabe, ele é que não. 25 anos. Arrogante. Prepotente. Sonha em ser pai. Sua cor preferida é branco. Adora surpresas. Faz declarações de amor em público. Detesta não saber das coisas. Fode bem. É meio bruto ás vezes. Tem um caráter admirável. É cuidadoso. Ama sua vó. Não tem uma relação boa com sua mãe. Ganhou uma sobrinha a pouco tempo que ainda não foi visitar. Escolhe a dedo a realidade que consegue. Ama o Leblon mais do que muita coisa. Cozinha. É machista. Quer casar. Sonha com uma mulher que lave, cozinhe e passe. Não sabe  pedir. Só dorme com ventilador. Tem alergia a mel e rinite. Causa dores no estômago e risos constantes. Olhos que mudam de cor, ora castanhos, ora mel. É uma criança. Lindo e cheio de medo. Gosta muito do mar. É movido por amor basicamente.

Elle

por que sempre que eu tenho medo do mundo eu ligo pra você? 





eu quero acordar atrasada pra tudo, sentar na calçada, tomar café preto, acender mais um cigarro, fazer um filho á noite e me arrepender de manhã quando acordar atrasada pra alguma coisa que nem sei o que é. 


Junior Aladier 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

texto mudo para Caio


Caio,

Eu quero te dizer que eu também acho difícil ficar, na verdade eu preciso te dizer que pra mim também é mais fácil voar, eu me sinto tão tentada quanto você. Voar junto sempre me pareceu impossível, eu sempre me senti presa demais, sufocada demais, eu não uso gola rolê, não uso meia apertada, evito tudo que me possa tirar o ar, até você chegar.
Fica difícil pra mim te explicar algumas coisas que nem eu entendo direito ainda, sabe, é que eu nunca lidei bem com essa coisa de não estar dentro, por isso até eu evito entrar, fico meio de fora olhando, e se tem uma coisa que me puxou pra você foi o fato de que eu já estava aí dentro, isso era tão comovente, eu nem tinha deixado e você já tinha me sequestrado e me largado em algum lugar aí, sendo assim, qualquer movimento que me tire desse lugar quente me faz voltar pra mim, me faz lembrar do frio no braço, porque eu sinto Caio, que a qualquer momento você vai me dizer que não consegue tão junto, que pensou que era diferente, que não quer mais dizer onde vai, nem porque, sabe, eu gostaria que a gente tivesse prazer nisso, em falar sobre o dia, sobre o que fez entre uma hora e outra, mas eu sei que pra você é difícil, eu não quero é ter de cobrar isso, nem você deve dizer caso não queira.
Eu não to gostando do meu lugar nesse mundo que a gente ta criando, eu nunca ocupei essa posição, ela ta desconfortável pra mim, eu sempre fui a que ia embora, a que tinha mão que fosse pra poder voltar, eu sempre estive do outro lado. Eu não consigo te trazer inteiro aqui pra dentro, acho que não tenho o vocabulário mais certo, eu não consigo te convencer de que estamos juntos, eu não sei muito estar junto e falar como se estivesse, a minha fala sempre me trai, sempre me dispersa, na verdade eu nem nunca soube trazer nada, sempre fui levada, eu nunca precisei, não sou boa nesses discursos afetivos, por isso a agressão a você e a mim, como uma criança que quando não consegue bate ou chora.
Caio, a verdade é que eu não sei como fazer com você, nem sem você, pior sem você, muito pior. Eu só quero mesmo que você saiba que todos esses desapontamentos são tentativas de melhorar a coisa, em outro tempo eu poderia relevar, talvez essa seja a grande questão, os casais que se amam não costumam se casar, essa tentativa constante de melhora acaba transformando demais, e no outro caso é fácil acabar em casamento porque tudo parece bem resolvido. Esse é o meu maior medo, eu penso que a gente é muito perigoso, um pro outro, eu não consigo me fazer entender, nunca fui boa nisso, e pelo visto só pioro, por isso a rejeição por assuntos sérios, ninguém nunca me levou muito a sério Caio, eu sempre fui café com leite e acabei acostumando com a fantasia.
Não é fácil sair de um castelo qualquer, o fato é que eu não sei mais se eu sou o que você precisa Caio, e me dói dizer isso, isso tem me atormentado, eu não tenho me sentido uma pessoa boa de estar junto, porque eu não sei, eu que sempre fui fundamental de repente não sirvo pra tanta coisa, você diz que eu imponho, e devo impor mesmo, desculpa, eu estou triste comigo, eu não estou me reconhecendo, eu tenho sentido coisas diferentes, eu to descobrindo coisas de mim assustadoras, você me leva a uns lugares de exaltação que eu nunca nem passei perto, um descontrole emocional, eu não sei mais nada Caio, eu me olho no espelho cada vez mais rápido, sinceramente, eu tenho sentido vergonha de mim, eu tenho me sentido fraca, e a imagem é de uma pessoa com os pés numa areia movediça que cada vez vai mais pra dentro, eu não sei o que tem lá Caio, pode ser você, mas eu não sei, eu acho que você não merece, não assim, eu acho que você precisa de sossego e eu só faço rodar. 
Sabe quando você está numa festa e não conhece ninguém? A sensação é essa. 

ps1: E eu não quero falar disso pessoalmente, não agora, isso ainda não tem som.

ps2: Se quiser, me escreva.

ps3: Eu te hamburguer!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

croqui já passado


e ela vai, foi na cozinha devorar qualquer coisa que parecesse sobra, não sabe bem porque, mas não abriu um pacote de biscoito, não fez comida, ela não saberia, mas ela poderia fritar um ovo, sim poderia, mas ela não fritou, ela voltou com um pedaço de pizza fria de ontem, tirou a calabresa que parecia meio morta, deixou o tomate e mordeu ainda de pé, mas ela queria escrever, ela precisava escrever e isso não lhe parecia suficiente, ela colocou mostarda porque naquele momento fazia sentido, ela morde mais uma vez,nem sabe ao certo o gosto que tem, o caso é que ela precisa escrever algo sobre Romeu e Julieta e a vida dela com ele, mas ela não sabe fazer isso, nunca fez,tem essa coisa da escrita autêntica, tipo agora, não consegue muito se comprometer com essa coisa de escrever, talvez por isso esteja durando tanto,sem compromisso, sem meta final, menos e mais livre, então ela já leu, já comeu, dormiu num canto atípico do quarto, no sofá-cama preto pequeno e descobriu que poderia morar naquele canto, ali tem tudo que precisa, uma estante pequena que serve também para apoiar o pé, sim porque ela quase sempre precisa apoiar em alguma coisa, tem livros, alguns livros, uma revista, um lápis, um quadro que é uma escultura de uma moça de costas, ela gosta de costas, tem um quadro menor colorido que ela pintou, uma garrafa d´água ambiente, dois santinhos pequenos, uma árvore de mentira que tem sabonete como fruta, umas flores de tecido bem grandes, uma lata com umas moedas, dois travesseiros, 3 almofadas,um ar condicionado, um espelho bem pequeno mesmo do lado do quadro e uma janela,ela pensa que gostaria de ter uma pinça ali, uma pinça e uma escova de dente pra sobrancelha, pronto, come o ultimo pedaço de pizza que não estava bom, não estava, mas não importa, a amiga que vai casar acaba de ligar porque elas precisam decidir sobre a roupa das madrinhas, e ele fica martelando na cabeça dela que quer alguma coisa, ela não consegue esquecer nem dele, nem dessa coisa, nem por 1 minuto que seja, só esquece quando pensa no casamento, gente, mas que coisa é essa? ta difícil estar na coisa, dentro da coisa aparentemente bem sucedida e escrever sobre isso, parece que não tem nada pra escrever porque é tanta coisa, parece que não vai caber, parece que sublinha escrever e viver junto, entende? mas ela vai escrever, não hoje, ela vai escrever uma história cronológica partindo da sua visão da coisa, ele vai detestar porque vai parecer frágil, mas não sei, ela não consegue pensar em outro jeito de contar, ele fala como se as coisas não fossem mais tão interessantes, ele perdeu a capacidade dese surpreender com o que já foi feito, ele ta caindo da árvore, e ela ta tentando subir de volta, tem que ver isso, tem que ver o que sequer da coisa e o que se faz por ela, a arte, ela não tem feito nada, nada mesmo, sua maior preocupação atual é a roupa das madrinhas do casamento dessa amiga, e ta tudo ótimo, ela quer viver isso porque isso dá retorno, ela ajuda nessa coisa da imagem geral, porque gosta mesmo, decide junto a roupa das madrinhas, elas ficam felizes,todo mundo entendeu? depois ela se dedica ao seu vestido, ela finalmente vai a festa depois de 3 meses, taí, ela encontrou uma coisa que dá sentido e dura por 3 meses, ela vai a festa, as pessoas elogiam, elogiam tudo e pronto,ta bom, é isso? é tudo isso, é ótimo, ta feito, resultado mais que colhido, pronto.

- e o texto?

que texto mesmo? ah, sim, ele vêm em breve, é porque eu ando muito ocupada, vou ligar agora pra minha amiga pra saber do vestido, ela foi experimentar o dela hoje, me disse que vai ser curto, to preocupada com isso,ta querendo colocar as madrinhas de curto também, aí tem a coisa da estampa,ela queria todo mundo florido, são 13 madrinhas, eu disse a ela que tudo bem,mas daí não é bom misturar, ou tudo colorido ou não, eu já tinha pensado um vestido inteirinho azul royal e longo com uma fenda na perna, mas agora não pode, tem que ser curto, achei ótimo porque aí tem mais uma outra função pra dar sentido, preciso ver umas revistas mais modernas, eu preciso mesmo agora garantir a minha cor de vestido porque senão não sobra nenhuma cor, eu to pensando no azul, mas dizem que coral fica bem em mim, vermelho rouba a cena,dourado? sei não, sei que não pode ser estampado, eu disse a ela que acho bom, não é bom misturar, ou tudo colorido ou não.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

como está?

e escreve agora sentada em um banco atrás de um balcão de loja, lá na frente as pessoas passam o tempo todo, e pensa que deve ser assim, que sempre foi assim, achou que pudesse haver exceção, porque sempre levantou essa bandeira, essa coisa que pode permanecer, mas agora percebe que não há, o que existe é isso tudo que passa sempre na frente deixando um monte de sobra pelos lados.

é porque tem passares que demoram, que entram menos, tem passarinho pra tudo.

e pensa em tudo que ficou por fazer, é o que seria que machuca.

e o namorado da outra passa na porta, chama, e dói.

percebe que ainda não sabe a forma desse buraco que ficou, percebe que parece fundo, tem que saber o tamanho pra encher.

vai na primeira mão que chega, mas ás vezes não chega, porque sempre falta mão do tamanho certo.

sabe quando faz silencio no meio de muita gente fazendo barulho? é assim que tá.

domingo, 11 de novembro de 2012

um recurso ou uma tentativa dramaturgica


Eu estava jogando bola como fazia sempre toda quarta com o pessoal lá do trabalho, aquele dia minha perna direita doía um pouco, na altura na coxa, mais aqui perto da virilha, tenho mania de chegar em cima da hora, daí nunca consigo alongar, poderia ser por isso, mas nesse dia não, ela doía porque peguei muito peso no dia anterior ajudando uma amiga na mudança, fui pegar a televisão com um pouco mais de cuidado, ela estava no chão, a perna deu uma balançada, me segurei pra não cair e pra não derrubar a tv, aí deu uma pontada na perna, nessa parte interna aqui, eu estava lento aquele dia, bastante lento jogando na defesa, coisa que nunca faço, já tinha reparado, não era a primeira vez que tinha uma mulher sentada num banco sem encosto de cimento que fica do lado esquerdo da quadra, no caso do meu lado esquerdo naquele dia, ela estava lá sentada como toda quarta, ela chegava sempre com 20 minutos em média de jogo começado e ficava lá, olhando, não parecia conhecer ninguém, ficava lá sentada olhando, ela sempre me incomodava de alguma forma, não sei bem porque, mas ela não conhecia ninguém, o jogo acabava e ela ia embora como se fizesse parte daquilo, sempre usava vestido, isso eu reparei, vestidos meio soltos em geral na altura do joelho, era uma mulher de meia idade, devia ter uns 30 anos, cabelo médio, meio castanho, rosto neutro, assim meio sem graça, perna fina, meio magra pro meu gosto, esse dia ela estava com um vestido meio vermelho de alça, pouco decotado, tinham umas coisas desenhadas, tipo flores eu acho, ela chegou no horário de sempre e sentou, eu tava de longe e procurava não olhar muito, de repente me pareceu que ela fazia alguns movimentos repetitivos com as mãos de cima pra baixo, fiquei olhando aquilo, a bola passou por mim, se não me engano foi gol do time adversário, eu fui chegando perto, parecia que ela tinha uma coisa na perna direita, era um movimento na perna, o vestido era vermelho, de perto eu vi melhor, ela estava repetindo cada vez com mais intensidade, quando pude ver com nitidez, percebi que ela estava com um vestido vermelho, e tinha uma faca na mão também, ela tava esfaqueando sua perna direita cada vez com mais intensidade, sua mão subia e descia, era esse o movimento que eu via de longe, ela fazia com prazer, quase sem dó, tinha sangue em volta e ela estava com sapatos brancos lindos, eu parei na frente, olhei pros sapatos e perguntei:

- Porque você ta fazendo isso? Quem é você?
- O que você tem com isso? Me deixa.
- Sai daí! Quem é você?
- Ela é meu cavalo, eu gosto de torturar ela, eu preciso fazer isso.

Eu mandei aquela coisa embora, gritei alto mandando a coisas sair, ela desmaiou, ajeitei o vestido, limpei os sapatos com a minha camisa, coloquei a faca no banco, peguei na sua mão, coloquei ela nos braços, minha perna reclamou e andei em direção ao carro. 

grande ideia para algo cênico

Tinha
uma menina
 que só sabia
 fazer coisas pequenas.





paint paint paint


Eu queria falar um pouco sobre essa espera.
A gente não sabe de onde vem, a gente queria que já chegasse, a gente queria nunca ter tido pra não ter que aguardar o retorno, eu agora vivo o caos de não saber sair daquilo, de continuar presa de um jeito abstrato e cheio de cerejas em volta, tem muita coisa que olha pra gente, e ás vezes isso que olha dói, ás vezes não dói, mas sempre muda alguma coisa, há que se ter cuidado, há que se cuidar, há que cuidar menos dos olhares outros e focar no seu. 
Você olha pra que? 
Por que? 
Pra dentro? 
Dentro tá onde? 
Você sabe ainda? 
Ainda dá pra achar você nessas escadas e areias todas? 
Muito degrau, muita cor, muito preto, pouco branco. Isso tudo vira algo, e têm aquele posto, tem aquela rua, aquele túnel, tem as crianças que morreram na escola, as chuvas de verão em maio, têm tudo isso e ele ali parado, correndo da cor, correndo de tudo que faz rir e faz sangrar também. 
Mas que sangue é esse que de tão azul e precioso não deve escorrer sob nenhuma condição, sob nenhum outro sangue azul claro?
Acabo de ouvir:  há um caminho muito duro a percorrer, muito duro e difícil, então espere.
Deve sentar?
E todas essas questões de pele que surgem com esse aguardo todo? 
E o intestino que cada dia vai piorando? 
E o corpo que envelhece?
Ana disse que agora tudo seria dito, seria claro, seria, seria, seria, mas como? 
Que mundo é esse que usa o facebook pra manter relações? 
Que relações são essas que nunca existiram?  
Pode ser que jogar gelo no vinho seja a coisa mais autêntica já feita, e tem essa coisa também de chegar em casa e ligar a TV, você liga pra desligar você. Eu não sei não, mas tem algo que não acontece nesse tempo. 
Ou será que sempre foi assim? 
Pode ser?
Existem mais coisas que acontecem ou não?
E quando a gente desiste de esperar o que  acontece?
O que vêm depois da espera?
Me espera na ativa?
Quantas pessoas esperam pela gente?

Você tem q aceitar
 e uma forma de aceitar é também intervir na mudança.

tempo tempo tempo


e quando a coisa é do jeito que foi você pode saber que ela tava no limite entre o que poderia ter sido ou não.
o limite é o que foi
é quando
e que venha o próximo
limite, claro


.uma espécie de homenagem, pra você, que tem me doído mais do que eu achei que.

sábado, 11 de agosto de 2012

sobre ser qualquer coisa


é importante se lembrar só, é importante chegar em casa e ter condições de abrir o lap pra escrever qualquer coisa sobre você, sobre tudo isso, as vezes parece, e dá um certo medo, parece que você se perde no meio de tanta vida. 
não sei mais sobre tanta coisa, sei por exemplo e só, que a falta gera movimento, por isso decidi não largar a analise, ela me faz voltar pra mim, a falta, descobri que sou viciada nela, na verdade ela ainda me move quando chega, é importante até pra coisa que falta, ela é realmente algo que não deve ser dispensado, embora pareça doer, 
pensa que não dói essa casa vazia? 
pensa que não dói esse silencio sepulcral? 
pensa que não dói eu nessa coisa com eco?
mas eu percebo que quando falta sou mais qualquer coisa, eu preciso disso, eu to com medo de não saber de mim no meio, como tudo ainda é início,



 promete que me falta?


sábado, 9 de junho de 2012

avec afeto




"se tudo cair, que tudo caia, pois tudo raia"
.
.
.

terça-feira, 5 de junho de 2012

jamais plus

………………………………………………………………

troca de celular, de operadora, mantém o número porque há que se ter referência de alguma forma,

passa a entrar pelo outro lado no box pra tomar banho,

troca de escova de dente,

tenta marcar um corte de cabelo,

vai ao cinema, olha mais em volta, olha mesmo, pessoas, coisas, tudo,

tem um pesadelo de que cortaram e alisaram seu cabelo, nele bate na cabelereira como não fez na vida real,

pronto,

pensa, tenta levantar da cama, pensa por cerca de 4 horas, já são 15h, se pudesse hoje não seria, porque tentar é um fracasso, fracasso emocional, a indiferença inesperada dói num fundo que não sabia que tinha, porque sempre é tempo de descobrir fundos, porque aquela placa era tudo que precisava ser dito, o pingente de quartzo rosa avisou, a palpitação somada a intuição de que algo aconteceria, aquela mensagem que dizia mais do que deveria, o número 7,

respira,

respira,

respira,

foi exaustivo,

quase sempre é pra quem insiste em acreditar,

agora de volta pro raso e leve

proibido20retorno

 

PS: seria box ou boxe?

terça-feira, 29 de maio de 2012

ele aprisiona, eu liberto

INHOTIK 034

e eu tenho realmente pensado nessa coisa toda de amor, de amar, de deixar alguém te amar, e tudo me parece simples, eu tava, por exemplo, pensando nisso enchendo a garrafa d’água que de repente transbordou, aí tudo ficou claro, a vida sabe é assim cheia de coisa no meio de outras coisas, quando a gente gosta de, a gente gosta e faz valer a pena, o tempo passa, algumas coisas vêm pra fragilizar e você decide sobre a permanecia ou a novidade, tem o fluxo também, cada um tem o seu, mas quando você decide por alguém, sim porque você decide mesmo, e isso é assustadoramente lindo, mas quando vêm esse outro você precisa repaginar seu fluxo viciado, e daí pode ser que sem querer no meio de tudo você comece a reconsiderar a possibilidade de mudar de fluxo, como se aquela combinação já tivesse transbordado, acontece que existe essa variável cheia de si chamada tempo, o tempo tudo, pode destruir, masagoraeumeentendocomele, acredito tanto na construção, ás vezes me perco de tanto acreditar, dá medo, porque fica cada vez mais comum o oposto, sempre tive mania de pensar mais na frente, isso me ajudou a existir, porque no fundo só se trata disso de aprender a existir sozinho, é que dói tanto quando esse existir depende de outro existir, dói porque ás vezes as pessoas querem existir juntas de maneiras diferentes, e eu realmente tenho me deixado, me deixado tanta coisa, só que se abre mão de um apoio e surge outro, essa coisa de conseguir existir junto por exemplo, isso requer maturidade, e isso eu sempre tive de sobra, fiquei pensando que ele tem medo que alguém o veja envelhecer, por isso não pára, não corre o risco de, e achei que isso explica tanta coisa, explica a dificuldade com o que não é tão cheio de vida, explica a numerologia: quatro = diversão, explica a briga com o tempo, explica a escolha dele por mim, eu não sou do tipo que abandono, sou do tipo que continuo, que passo por cima, não sei como é tanto tempo passado, e eu só pensei nisso porque terminei de jantar a pouco, coloquei a bandeja do lado, olhei pro teto de ropão mesmo, pensei no amanhã, como de costume, lembrei que é dia de graça, dia da Graça, e me pareceu que foi ontem que ela esteve aqui, me pareceu que foi ontem que eu disse a ela: é tão bom quando você tá aqui, me sinto muito sozinha; ela disse que as coisas são assim porque eu quero, ela tem razão, mais uma escolha, mais uma vez eu insisto porque acredito, mas ela não entende porque ela precisa diferente, ela me emociona quase sempre com suas histórias, ela fala sem parar, ela cuida da família, cuida da igreja, cuida de mim, dos meus cachorros, eu não sei mesmo se alguém cuida dela, mas ela é linda, ela faz bem pro mundo, tem inocência, tem tanta coisa que a gente não vê mais, lembrei dela, lembrei que ela ligou, eu não pude atender, ela vêm, e as terças me parecem mais compostas, daí eu pensei mesmo nessa coisa do tempo, nessa velocidade, medo, medo de tudo que ta passando, medo do que fica, medo do que pode ser que vá embora em breve, medo desse poder todo, mas também deu uma leveza porque se perceber dentro olhando de fora é algo parecido com viver, pode ser que seja isso, pode ser que ter percebido ele nesse contexto tenha humanizado a figura, todo mundo é tão pouca coisa, e tem o fluxo, tem o diretor que reconheceu meu caderno da papelaria palermo da argentina, não sei nada sobre amor, mas sei que amo quem sabe sobre detalhes, o diretor soube, ele não sabe, porque não tem tempo, ele foge dele, foge do vazio, do silencio, de tudo que possa lembrar o fim, eu tenho pânico de fim, de despedida, eu queria mesmo tudo pra sempre de algum jeito, mas ninguém pode com tanta eternidade, agora com menos gente querendo talvez ela possa comigo, eu posso, eu gosto tanto, eu não sou mesmo desse tempo, não sou do tempo das coisas que passam, das coisas que se sobrepõe, eu não consigo com o que passa, mas eu deixo passar, é que pra mim fica, não conto pra ninguém, guardo segredo, mas eu finjo, finjo que deixei passar e guardo aqui dentro porque acho que um dia a coisa pode voltar a existir se couber, quase como se pudesse fazer uma colagem de vida, tipo quando fui na casa daquele cara que se dizia apaixonado sete anos atrás, ele tava aqui esse tempo todo, assim guardado, é que tem muito espaço, me doeu não poder ser o que ele precisava, depois de todo esse tempo apareci na portaria de madrugada e deixei um bilhete pedindo que me ligasse, ligou, nos encontramos, pedi desculpa, ele? blasê, disse que não se lembrava mais, foi ridículo, mas eu não entendo, não entendo como faz pra passar assim, me sinto realmente fora de contexto, falta gente pra sempre, eu pedi desculpa por ter pedido desculpa, nos despedimos e nunca mais nos vimos, no fundo eu queria dizer pra ele que eu não merecia aquilo tudo, me contaram que ele socou a parede na minha formatura, me viu com outro, disse que me amava, isso doeu mais do que qualquer coisa, ele não deveria ter me poupado, eu queria saber das coisas, da força das coisas, ele sentia demais sozinho, não era pra sempre, não era pra dois, no fundo eu queria dizer a ele que eu sinto muito pela parede, ela não merecia aquilo tudo, é difícil dizer pro outro, se diz muita coisa quando se sente, mas se esquece de ser pra sempre, não sei se precisa nem como faz, sei que sinto e preciso,

o amor é egoísta e foi depois de ver a garrafa transbordando que eu me descobri semelhante e entendi tudo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Febre

Passa 4 Mamis 022

 

Eu ando cansada de não poder precisar, to engasgada com essa idéia de que você, eu não sei. Nossa hoje eu já tomei mais de 5 remédios pra várias coisas, a pílula, aquele remédio pra quando a gente ta com fungo ou cândida, que faz xixi ardendo, tomei uma neusa, e naldecon noite. Eu não sei, acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Eu preciso sempre, eu sou urgente, to sempre em cima da hora ,to sempre sem ar, to sempre dizendo qualquer coisa que não faz sentido. Tem uma coisa sobre precisar que eu fico pensando, eu penso que sempre que você começa a precisar de alguém essa pessoa tira férias e vai pro Canadá, nenhum problema com o Canadá, nem com as férias, acho que o problema sou eu, mania essa de precisar atravessar a rua de mãos dadas, e quando não tem mão você faz o que? Você sabe que uma vez eu peguei a mão de um desconhecido. Eu não sei, acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Então eu peguei a mão de um desconhecido sem querer na rua e só percebi no meio da rua, fiquei meio sem graça, ele também, era um homem mais velho nada interessante, daí eu fui soltando devagarzinho pra dar tempo de terminar a rua. Eu acho que aquilo foi um encontro, ele entendeu que eu precisava dele e me recebeu, sim, porque se trata de receber, porque aqui tudo está sempre transbordando e eu queria mesmo não precisar de análise, você acha que eu gosto de precisar? Não queria precisar escrever sobre mim, você acha que eu gosto de precisar? não queria precisar de ninguém pra continuar... o que? Sabe, uma coisa que sempre me acontece é um amigo me liga quase sempre pra sair, eu nunca posso, quando eu finalmente eu posso, eu ligo, ele não atende, tem também aquele cara que sempre foi apaixonado por você, quando você decide por ele, ele já ta longe. Já aconteceu isso com você? Ai não sei eu acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Eu sei lá, eu nem sei se a gente devia falar disso nessa peça, na verdade eu não sei nem do que essa peça fala. Não gente, desculpa, mas eu não sei nem sobre as coisas que eu falo. Não, assim, eu to na peça, mas eu não, não, não, ai.

Não sei acho que eu to com febre, vê aqui pra mim por favor.

terça-feira, 24 de abril de 2012

pra quando você chegar

 

Look 001

a sensação que dá lá no fundo é que você nunca há de ver o que têm aqui dentro, tem uma coisa de parto, parece que a briga é pra se acostumar com o buraco, com o vazio constante, será que viver tem haver com esse buraco que a gente insiste em colocar areia e não vê por onde ela sai? e eu agora vou comer o ¼ restante de subway que comprei, comprei aquele de 30 centímetros porque era o do dia bem mais barato, não tive coragem de comprar menor quase pelo mesmo preço, você faria o mesmo, você ficaria decepcionado se eu tivesse optado pelo menor, lembrei que a gente tem essa coisa de não deixar sobrar nada, achei engraçado, íntimo, acho que isso é o que a gente tem de mais nosso, a gente não deixa sobrar nada, eu acho isso realmente muito romântico, e tem dois dias que você não aparece, eu tinha me prometido que o próximo que desaparecesse mais de dois dias ia desaparecer pra sempre, mas cansei desse argumento, quando a coisa tem haver com buraco a gente não consegue mais teorizar, a gente descobre que gosta de uma pessoa quando tem muitos motivos pra não estar com ela e mesmo assim permanece, e eu penso também que elevada a quinta potência isso se chama obsessão, eu tenho uma tendência á, mas não cheguei lá, não mesmo, me cuido, e tem outra coisa, quando eu começo a me acostumar com o buraco vazio você volta, volta todo sorridente de surpresa, você ama surpresas, elas sempre estão vinculadas ao tempo no seu caso, a datas, a agenda, ao tempo, variável que eu mais prezo que invarie, acho que criei uma palavra, acho que você volta amanhã, combina com você voltar um dia antes, dar uma sumida rápida, me deixar apreensiva e de repente ligar dizendo: cheguei! você adora se dar de surpresa pra mim, eu fico feliz claro, fico muito feliz, desmarco tudo que tenho e vou te ver, mas daí logo logo o buraco esvazia de novo, a gastrite ataca, eu queria que você não ocupasse meu buraco, mas continuasse aqui pra mim, não sei como seria isso, eu queria não deixar essa areia escoar, eu preciso voltar a treinar, preciso também pegar a receita do risoto pra fazer na quarta.