terça-feira, 29 de maio de 2012

ele aprisiona, eu liberto

INHOTIK 034

e eu tenho realmente pensado nessa coisa toda de amor, de amar, de deixar alguém te amar, e tudo me parece simples, eu tava, por exemplo, pensando nisso enchendo a garrafa d’água que de repente transbordou, aí tudo ficou claro, a vida sabe é assim cheia de coisa no meio de outras coisas, quando a gente gosta de, a gente gosta e faz valer a pena, o tempo passa, algumas coisas vêm pra fragilizar e você decide sobre a permanecia ou a novidade, tem o fluxo também, cada um tem o seu, mas quando você decide por alguém, sim porque você decide mesmo, e isso é assustadoramente lindo, mas quando vêm esse outro você precisa repaginar seu fluxo viciado, e daí pode ser que sem querer no meio de tudo você comece a reconsiderar a possibilidade de mudar de fluxo, como se aquela combinação já tivesse transbordado, acontece que existe essa variável cheia de si chamada tempo, o tempo tudo, pode destruir, masagoraeumeentendocomele, acredito tanto na construção, ás vezes me perco de tanto acreditar, dá medo, porque fica cada vez mais comum o oposto, sempre tive mania de pensar mais na frente, isso me ajudou a existir, porque no fundo só se trata disso de aprender a existir sozinho, é que dói tanto quando esse existir depende de outro existir, dói porque ás vezes as pessoas querem existir juntas de maneiras diferentes, e eu realmente tenho me deixado, me deixado tanta coisa, só que se abre mão de um apoio e surge outro, essa coisa de conseguir existir junto por exemplo, isso requer maturidade, e isso eu sempre tive de sobra, fiquei pensando que ele tem medo que alguém o veja envelhecer, por isso não pára, não corre o risco de, e achei que isso explica tanta coisa, explica a dificuldade com o que não é tão cheio de vida, explica a numerologia: quatro = diversão, explica a briga com o tempo, explica a escolha dele por mim, eu não sou do tipo que abandono, sou do tipo que continuo, que passo por cima, não sei como é tanto tempo passado, e eu só pensei nisso porque terminei de jantar a pouco, coloquei a bandeja do lado, olhei pro teto de ropão mesmo, pensei no amanhã, como de costume, lembrei que é dia de graça, dia da Graça, e me pareceu que foi ontem que ela esteve aqui, me pareceu que foi ontem que eu disse a ela: é tão bom quando você tá aqui, me sinto muito sozinha; ela disse que as coisas são assim porque eu quero, ela tem razão, mais uma escolha, mais uma vez eu insisto porque acredito, mas ela não entende porque ela precisa diferente, ela me emociona quase sempre com suas histórias, ela fala sem parar, ela cuida da família, cuida da igreja, cuida de mim, dos meus cachorros, eu não sei mesmo se alguém cuida dela, mas ela é linda, ela faz bem pro mundo, tem inocência, tem tanta coisa que a gente não vê mais, lembrei dela, lembrei que ela ligou, eu não pude atender, ela vêm, e as terças me parecem mais compostas, daí eu pensei mesmo nessa coisa do tempo, nessa velocidade, medo, medo de tudo que ta passando, medo do que fica, medo do que pode ser que vá embora em breve, medo desse poder todo, mas também deu uma leveza porque se perceber dentro olhando de fora é algo parecido com viver, pode ser que seja isso, pode ser que ter percebido ele nesse contexto tenha humanizado a figura, todo mundo é tão pouca coisa, e tem o fluxo, tem o diretor que reconheceu meu caderno da papelaria palermo da argentina, não sei nada sobre amor, mas sei que amo quem sabe sobre detalhes, o diretor soube, ele não sabe, porque não tem tempo, ele foge dele, foge do vazio, do silencio, de tudo que possa lembrar o fim, eu tenho pânico de fim, de despedida, eu queria mesmo tudo pra sempre de algum jeito, mas ninguém pode com tanta eternidade, agora com menos gente querendo talvez ela possa comigo, eu posso, eu gosto tanto, eu não sou mesmo desse tempo, não sou do tempo das coisas que passam, das coisas que se sobrepõe, eu não consigo com o que passa, mas eu deixo passar, é que pra mim fica, não conto pra ninguém, guardo segredo, mas eu finjo, finjo que deixei passar e guardo aqui dentro porque acho que um dia a coisa pode voltar a existir se couber, quase como se pudesse fazer uma colagem de vida, tipo quando fui na casa daquele cara que se dizia apaixonado sete anos atrás, ele tava aqui esse tempo todo, assim guardado, é que tem muito espaço, me doeu não poder ser o que ele precisava, depois de todo esse tempo apareci na portaria de madrugada e deixei um bilhete pedindo que me ligasse, ligou, nos encontramos, pedi desculpa, ele? blasê, disse que não se lembrava mais, foi ridículo, mas eu não entendo, não entendo como faz pra passar assim, me sinto realmente fora de contexto, falta gente pra sempre, eu pedi desculpa por ter pedido desculpa, nos despedimos e nunca mais nos vimos, no fundo eu queria dizer pra ele que eu não merecia aquilo tudo, me contaram que ele socou a parede na minha formatura, me viu com outro, disse que me amava, isso doeu mais do que qualquer coisa, ele não deveria ter me poupado, eu queria saber das coisas, da força das coisas, ele sentia demais sozinho, não era pra sempre, não era pra dois, no fundo eu queria dizer a ele que eu sinto muito pela parede, ela não merecia aquilo tudo, é difícil dizer pro outro, se diz muita coisa quando se sente, mas se esquece de ser pra sempre, não sei se precisa nem como faz, sei que sinto e preciso,

o amor é egoísta e foi depois de ver a garrafa transbordando que eu me descobri semelhante e entendi tudo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Febre

Passa 4 Mamis 022

 

Eu ando cansada de não poder precisar, to engasgada com essa idéia de que você, eu não sei. Nossa hoje eu já tomei mais de 5 remédios pra várias coisas, a pílula, aquele remédio pra quando a gente ta com fungo ou cândida, que faz xixi ardendo, tomei uma neusa, e naldecon noite. Eu não sei, acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Eu preciso sempre, eu sou urgente, to sempre em cima da hora ,to sempre sem ar, to sempre dizendo qualquer coisa que não faz sentido. Tem uma coisa sobre precisar que eu fico pensando, eu penso que sempre que você começa a precisar de alguém essa pessoa tira férias e vai pro Canadá, nenhum problema com o Canadá, nem com as férias, acho que o problema sou eu, mania essa de precisar atravessar a rua de mãos dadas, e quando não tem mão você faz o que? Você sabe que uma vez eu peguei a mão de um desconhecido. Eu não sei, acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Então eu peguei a mão de um desconhecido sem querer na rua e só percebi no meio da rua, fiquei meio sem graça, ele também, era um homem mais velho nada interessante, daí eu fui soltando devagarzinho pra dar tempo de terminar a rua. Eu acho que aquilo foi um encontro, ele entendeu que eu precisava dele e me recebeu, sim, porque se trata de receber, porque aqui tudo está sempre transbordando e eu queria mesmo não precisar de análise, você acha que eu gosto de precisar? Não queria precisar escrever sobre mim, você acha que eu gosto de precisar? não queria precisar de ninguém pra continuar... o que? Sabe, uma coisa que sempre me acontece é um amigo me liga quase sempre pra sair, eu nunca posso, quando eu finalmente eu posso, eu ligo, ele não atende, tem também aquele cara que sempre foi apaixonado por você, quando você decide por ele, ele já ta longe. Já aconteceu isso com você? Ai não sei eu acho que eu to com febre, vê aqui pra mim. Eu sei lá, eu nem sei se a gente devia falar disso nessa peça, na verdade eu não sei nem do que essa peça fala. Não gente, desculpa, mas eu não sei nem sobre as coisas que eu falo. Não, assim, eu to na peça, mas eu não, não, não, ai.

Não sei acho que eu to com febre, vê aqui pra mim por favor.

terça-feira, 24 de abril de 2012

pra quando você chegar

 

Look 001

a sensação que dá lá no fundo é que você nunca há de ver o que têm aqui dentro, tem uma coisa de parto, parece que a briga é pra se acostumar com o buraco, com o vazio constante, será que viver tem haver com esse buraco que a gente insiste em colocar areia e não vê por onde ela sai? e eu agora vou comer o ¼ restante de subway que comprei, comprei aquele de 30 centímetros porque era o do dia bem mais barato, não tive coragem de comprar menor quase pelo mesmo preço, você faria o mesmo, você ficaria decepcionado se eu tivesse optado pelo menor, lembrei que a gente tem essa coisa de não deixar sobrar nada, achei engraçado, íntimo, acho que isso é o que a gente tem de mais nosso, a gente não deixa sobrar nada, eu acho isso realmente muito romântico, e tem dois dias que você não aparece, eu tinha me prometido que o próximo que desaparecesse mais de dois dias ia desaparecer pra sempre, mas cansei desse argumento, quando a coisa tem haver com buraco a gente não consegue mais teorizar, a gente descobre que gosta de uma pessoa quando tem muitos motivos pra não estar com ela e mesmo assim permanece, e eu penso também que elevada a quinta potência isso se chama obsessão, eu tenho uma tendência á, mas não cheguei lá, não mesmo, me cuido, e tem outra coisa, quando eu começo a me acostumar com o buraco vazio você volta, volta todo sorridente de surpresa, você ama surpresas, elas sempre estão vinculadas ao tempo no seu caso, a datas, a agenda, ao tempo, variável que eu mais prezo que invarie, acho que criei uma palavra, acho que você volta amanhã, combina com você voltar um dia antes, dar uma sumida rápida, me deixar apreensiva e de repente ligar dizendo: cheguei! você adora se dar de surpresa pra mim, eu fico feliz claro, fico muito feliz, desmarco tudo que tenho e vou te ver, mas daí logo logo o buraco esvazia de novo, a gastrite ataca, eu queria que você não ocupasse meu buraco, mas continuasse aqui pra mim, não sei como seria isso, eu queria não deixar essa areia escoar, eu preciso voltar a treinar, preciso também pegar a receita do risoto pra fazer na quarta.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

coisa dentro

e agora fuma um cigarro e pensa que entra mais coisa, me pergunto se um dia sai, essas coisas todas saem por onde, você sai por onde, tem o cinzeiro que é tão preto e branco, a cerveja, tem o habito de ficar só que quase sempre faz correr, correr, correr pra qualquer lado, tem o amor, o amor que não sabe se o é, a vida passa, o tempo não passa, você nunca chega até você mesmo, tem a análise que vai aumentar, tem a viagem pra inhotim, tem a menina linda, cada vez mais linda que chegou de paris, tem o compromisso com tudo isso, tem a festa de amanhã, existe uma roupa melhor, existe a dor de não receber um abraço, mas a gente cresce, cresce pra tudo que é lado, ainda mais quando é egoísta, tem o espelho que ele é que reflete isso tudo, não dá pra ver, tem a dor daquela mãe, tem uma outra menina que voltou, que sofreu, que me deu o cinzeiro, que eu não sabia mais, ela é linda, quando sabe ser, tem o outro, tem ele que sente demais e você pensa se um dia sentiu assim, tem a vontade de correr, tem o joelho que dói, tem aquela festa, tem aquelas pessoas que ficaram na juventude, ficaram onde você está e você não está lá, nunca esteve porque nunca soube estar mesmo onde a coisa aperta, tem vodka de cereja, tem a amiga de paris, tem a outra que baixa aquela série, não baixa mais, tem a porta que não abre, a barata que pode chegar, o vídeo que precisa ficar pronto, tem você, tem o pai de verdade que está internado, você sabia, você sentiu, como faz pra sentir um sangue que é o mesmo do seu, você conhece a cor do sangue dele, tem tudo que passou, as flores pela casa, a magia que não volta, a dureza de uma realidade sem palco, a falta de foco, a atenção precisa, tem o cigarro que faz teck, de menta que dá prazer porque, não se sabe sobre dor e prazer, tem a análise que precisa de mais dinheiro pra existir, tem a existência que é só, ele chora por tudo, por você, pelo que não foram, pelo que poderiam ser, tem a bahia, as mulheres casadas com filhos, tem receitas de risoto, tem dicas de como ser da melhor maneira pra ele não de deixar, tem miami que nem tem muito também, tem fuga, sempre tem, sempre teve, tem a menina mágica, amizades magicas, quando não tem você não sabe, a mineira que quer ser só no brasil , que quer se mostrar linda, porque é e não sabe tanto que é, tem o livro que precisa acabar, tem cadeiras pra sentar, sempre haverão cadeiras vazias sem sentido, cadeira não precisa de sentido, só de posição, tem o chão que precisa ser marcado, a sequencia que precisa ser ensaiada, o cigarro que arde a garganta, a bebida sozinha, ela e ela, tem tanta coisa que não dá pra dizer, tanta coisa que não dá pra, tanta coisa sem lugar, sem cadeira, tem a menina de paris, tem o futuro, tem a ausência de presente, tem a dor da fumaça, tem o mundo melhor, a vida sem dor, o nome da coisa com letra maiúscula, o cheiro de sabonete do vizinho, a luz apagada na cozinha, a cozinha que já esteve habitada, bem habitada, tem mais quem, tem o limão, o limoeiro, tem alguém no meio disso?

terça-feira, 17 de abril de 2012

medo medo medo

eu preciso aprender a me soltar.

eu preciso me deixar em paz.

eu ando triste demais, sozinha demais, minha garganta quase sempre parace que vai explodir dizendo alguma coisa que não pode ser adiada, dor física, dor de me sentir tão cruel, tão firme demais, moralista demais, séria demais, preciso aprender a ser o que eu sou sem sangrar, fazer as pazes com o excesso e não correr dele como uma criança com medo, preciso andar de mãos dadas com o excesso, gostar dele, transar com ele, casar com ele, pra depois pedir o divórcio quem sabe... você é capaz de ser livre o suficiente a ponto não precisar se prender em lugar nenhum? eu tenho medo de muita gente, eu tenho medo quando não tem gente, medo de barata, medo do carnaval, medo de tanta emoção descontrolada, eu tenho medo da primeira vez, eu tenho medo de mim nessa zona toda, eu tenho tido cada vez mais medos, eu tenho medo do amor, eu tenho medo do meu amor, eu tenho medo do tamanho do meu amor, eu tenho medo do tamanho do amor que eu possa sentir por você, eu tenho medo que o amor me leve de mim, eu tenho medo da leveza, tenho medo do pesado, tenho medo de parar no meio, de parar no meio e morrer atropelada. eu tenho medo de gente feliz demais, eu pareci feliz demais por muito tempo, pode ser por isso que eu tenho evitado sair de casa, a tristeza não combina com o que eu faço.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

à beira de(.)

- Você me deixa comandar esse barco?

hoje pedalando pra casa me veio a ideia, a noção de que você é humano, não tanto quanto muitos, quanto eu que sobro pra todos os lados (melancólica demais, sorridente demais, triste demais , alegre demais e(.)) e se você precisa pilotar pode ser que eu transborde sem que você veja, pode ser que eu me afogue de novo e esqueça de boiar, eu aceitei abrir mão por um tempo desse excesso de mim, aleguei sufocamento, você veio e trouxe um ar de gás hélio azul e verde, mas e se você falhar? a culpa vai ser somente sua e isso me dói um pouco, primeiro porque te quero vivo, não suportaria, você, depois porque sempre fui a dona de toda culpa do mundo, sei que é egoísmo, mas só sabia como era ter toda ela pra mim, sempre estivemos juntas, aí você chega e tira de mim a única coisa que me ancorava no chão, a questão: é que sair do chão pode não ter volta, ou pode ter uma volta que te devolva pra além dele, a vida sempre me doeu mais do que qualquer coisa, e parece que agora não sei bem como fazer sem(.), toda noite parece que a satisfação vêm(.), e eu penso que se eu cair no mar como daquela vez, pode ser que não exista você mais, porque pode ser que você não veja, pode ser que você não esteja, por isso, eu não sei, mas eu preciso aprender a te ser menos, eu preciso aprender a matar barata, porque ninguém pode estar tanto a ponto de (.), parece que alguma coisa também te dói diferente, sei que ao invés de vir pra perto, você está indo pra longe, e eu também, eu to voltando pra mim, e pode ser que eu me encante mais do que nunca, a dor pode ter haver com isso, com a minha volta, a sua saída, ou a sua entrada diferente e a minha chegada pra valer, sei que se perceber inteiro e só depois de(.) é assustador, você é assustador, eu sou assustadora, pode ser que eu decida pular do barco, e nesse caso, pulo pra me afogar e depois volto de cabelo molhado e cada vez mais comprido, pode ser que você precise ir embora no vento, que você volte pro seu planeta, que você voe numa folha de coqueiro, mas onde quer que você vá você tem o mar, parecido com esse teu mar que te faz voltar pra você, eu tenho o meu pensamento que quando consegue vira palavra, poucas pessoas entendem de mar, de pensamento e de palavra, a dor tinha haver com aceitar a decisão de que eu quero entender de mar também, eu pretendo pilotar, agora eu vou junto, porque as coisas já não são mais tão racionais depois de alguns muitos passos dados, e hoje, as ligações muitas sem resultado, o aniversário que bate na porta, a vontade de (.), hoje a sua mensagem 5 minutos antes do dia 24, o livro que tem preenchido sua falta, hoje, tudo isso veio pra mim de um jeito arrebatador, algumas noites sem você de qualquer maneira me confundem, me tentam, me levam pela metade, uma ligação que não acontece já faz tremer esse meu poço de insegurança azul marinho, foi num desses terremotos, numa dessas metades perdidas que eu descobri que preciso, era esse o calo, porque isso é realmente novo, e não significa que eu não saiba remar sozinha, significa que eu quero equilibrar os dois na mesma prancha, só isso, tudo isso aí em cima tem haver com a dificuldade que é se equilibrar, depende do mar, do vento, mas principalmente da vontade de não cair e do zelo pra que isso aconteça, e isso, tudo isso, a folha de coqueiro, a barata, o vento, o gás hélio, o poço de insegurança, tudo isso mais o mar é a vida forçando a porta para(.).

(ela olha o movimento fora do café, a xícara de chocolate pela metade, a colher que não foi usada metade dentro, metade fora, se imagina, lembra daquele chocolate em Praga onde tudo era neve, lembra dos muitos chocolates muito quentes que eram precisos, mexe agora o chocolate) e diz:

- Deixo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

para além dos muros dela


É
enquanto
balança
que existe vida



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

the missing piece

Para ler ouvindo: Don’t you remember – Adele. (não pelo contexto, mais pela força da coisa que não fica)

Hoje foi o dia que ao invés de te ligar, eu me liguei,

E tem tanta coisa que eu faria questão de te mostrar se não fosse esse sufocamento que me persegue hoje, ás vezes, é como se a vida daqui de dentro fosse explodir, é como se a vida de fora fosse embora de bicicleta, você, eu, corre, grita, chama, canta e chora no chuveiro aquela única música que cabe na sua voz, aquela única que se sente segura cantando, mas ela, ele, você não volta, ela foi e uma coisa quando vai, mesmo que volte, já não volta mais dentro da mesma coisa, ela se, te transforma.

Foi o dia de não escovar os dentes, de ficar o maior tempo possível com esse gosto de alho dentro da boca,

Hoje é um dia importante porque eu senti um desejo absoluto de comer pizza de alho, e desejo absoluto é uma coisa tão bonita, tão pura, tão única, é tão de verdade que eu trocaria tudo e qualquer coisa por essa pizza de alho. Isso é ser, isso é vida pra dentro. Essa condição de quem pede pizza pra comer só é sagrada. Se alguém me perguntasse o que me faria mais realizada hoje, eu responderia que não é possível ser mais quando já se está no todo.

Foi o dia de sujar o teclado de gordura na tentativa de eternizar esse instante encontrado,

E quando ele chegar eu vou dizer que eu amo pizza de alho, que aqui perto de casa tem uma incrível, super incrível e maravilhosa, ele vai rir do super, do exagero clássico, eu vou comer aquela, essa pizza com uma integridade, com um excesso de identidade e vou lembrar de mim, vou lembrar de hoje, do dia que desisti de ir pra acrobacia mesmo achando que meu corpo pedia, vou lembrar daquela música abafada na água fria do chuveiro, vou lembrar e gozar, e gozar com você dentro, com você comigo dentro, ou você fora, vou gozar várias vezes pensando no dia em que encontrei comigo de um jeito quase insuportável. Eu sou insuportável e é por isso que preciso de você, dele, preciso de. Pra respirar um ar menos costumeiro, pra ver a cor do outro lado da tela, pra comer outro sabor de pizza, pra rir de qualquer coisa sem graça. Ele, você, o outro chega pra virar o disco, eu escolho, a força que mostra o outro lado é dele, é sua. E se ele não vêm, uma hora a música pára, eu volto a agulha pro início que eu conheço, volto muitas vezes até que ele, você tenha força pra virar.

Eu poderia ter dançado, mas eu só consegui viver,

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

entre tudo que

a verdade é que a verdade não sabe nadar.

sabe tudo que se passa entre uma vírgula e um ponto?

ela chega em casa exausta de um dia de muito caminhar pela praia, ela precisava encontrar hora com uma, hora com outra pessoa especial, sim porque ela não se deixa levar por pouco, taí uma coisa da qual ela se orgulha quando começa uma frase e lamenta no final da mesma, ela chega em casa, passa na vizinha como havia prometido pega umas empadas e uns biscoitos doces, a vizinha diz furiosa que se ela não tivesse passado não haveria de receber mais nada, ela ouve, aceita e pensa que por um segundo decidiu passar, não passaria, mas algo mais forte do que sua mãe no telefone dizendo para não passar, já era tarde, algo mais forte, o barulho da TV ligada no fantástico, a luz acesa, o compromisso assumido mais cedo, ela passa, recebe, ouve, quantas coisas não aconteceram entre ela pensar se passaria ou não? depois ela sobe as escadas encontra a filha da síndica, elogia a nova cor do seu cabelo, percebe o orgulho, se sente bem pelo estímulo causado, continua subindo, quantas coisas não aconteceram entre ela pensar se deveria ou não elogiar o cabelo da vizinha? continua subindo, abre a porta, deixa o chinelo, deixa as empadas na cozinha, coloca a comida no forninho, 10 minutos, o tempo que se dá para um banho, toma banho, responde a mensagem, quantas coisas não aconteceram até que ela decidisse o que colocar na mensagem? vai até a cozinha coloca uma salada no prato junto com o quente, coloca um suco de pêssego, ela toma pêssego sempre que pode pra ajudar na coisa da gastrite nervosa, coloca tudo na bandeja, vai até a cama, ela está só de blusa, sem calcinha como de costume, tira o forro da cama e senta, coloca a bandeja por cima do colo.

o suco cai. quantas coisas não aconteceram nesses segundos em que o copo girou em pé sobre a bandeja até decidir cair de vez?

se o suco fosse de uva, se ela ouvisse sua mãe, se a comida fosse empada, se a TV tivesse desligada, se a vizinha tivesse dormindo, se a luz tivesse apagada, se ela comesse na escrivaninha, se ela não tirasse o chinelo, se ela não reparasse no cabelo da vizinha, se o tempo do forno fosse 15 minutos, se ela tivesse de calcinha e sem blusa, se ela tivesse ligado o suco seria de uva? passa.

o telefone toca.

.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

a carta real

eu só queria que você soubesse, eu queria te dizer que não é fácil sair de um lugar tão quente e se jogar assim de volta no vazio, de cabelo solto, ombros largos, a minha cabeça é um lugar de difícil acesso, de modo que eu acabo sempre duvidando das coisas que ela decide, mas sabe que dessa vez eu sinto mesmo que não teria saída, não teria fundo, a gente ia cair lá em baixo e daí levantar seria complicado, você ou eu, estamos fracos, a gente planejou coisas, eu sei , e ás vezes me sinto traindo tudo isso que tem ao meu redor, que embora você pense o contrário eu enxergo sim, enxergo inclusive sua paciência desesperada, eu não preciso dela, e quando li sobre ela mais um castelo caiu, porque tinha esforço da sua parte e isso pra mim foi novidade, e aí tem o cinto aqui que eu não sei pra onde vai, se jogo pelo ralo, se troco por uma coleira pra você, por mim, por em mim, eu não pensei que fosse terminar triste assim, eu não esperava te ver disponível naquela merda de facebook tão cedo, mas ok, boa viagem pra você, só não pense que não ta doendo aqui, e quando eu ouço – cart from italy – lembro daquele início, daquela carta toda inocente que mandei pra sua casa, eu queria ter tido uma sua pra guardar, pra ler o que foi vivido assim na mão no bruto, eu evito ficar sozinha pra não correr o risco de, eu evito muita coisa porque sei que é melhor, você me fez sofrer muito, mas me fez tão mais feliz, tão mais mulher, tão mais bonita, segura, você é alguém que foi parte de mim, e não sei, existe essa variável do tempo, ela pode jogar á favor, contra, mas ele muda tudo, mexe em tudo, eu sei que eu sinto muito aqui dentro que agora não dava mesmo, e não é porque quero qualquer outra pessoa, a gente sabe que isso pra mim nunca foi tão fácil e por isso que me dói ainda mais soltar da sua mão, mas acontece que eu preciso ter forças antes que algo aconteça, antes que chegue o natal, antes que eu me sinta presa por algo menos nobre do que o amor, antes que vire doença, eu não tava feliz, tava doendo sempre, e quando eu lembro do início eu queria congelar naquela coisa meio infantil, eu queria aquela cena da barata no skype gravada, eu queria me mandar uma gérbera por dia pra fingir que foi você que veio, eu queria muito ter te dado um abraço de verdade por mais que fosse difícil de largar e arriscado, trocar seu nome no celular me arrancou um pedaço, eu nunca mais vou ouvir -dois- sem chorar, eu tiro forças não sei de onde, eu acredito muito em você, quero que vá muito longe, que vire produtor se achar que faz sentido pra você, eu tenho certeza que te dei muita coisa boa, assim como você me deu um mundo mais confortável e engraçado, lembra da cena do metrô? como a gente se diverte com quase nada, olha, desculpa se eu to sendo fraca, eu to desistindo, isso me dói muito, mas eu não podia mais com a sua ausência, eu não podia mais viver sem você aqui todo dia, a qualquer hora, eu não podia mais com você em doses tão reduzidas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

velevelevelevele



.é quando pensa que hoje pode ser o último dia que você percebe.

a gente passa um tempo grande dizendo qualquer coisa, criando qualquer história, buscando sentido, 
sentir? 
dor?
depois do outro lado tem outro, e outro e outro mais, um de cada cor, de tamanhos diferentes, e é só escolher, só que agora, hoje mesmo acabo de saber que uma escolha só existe quando se trata de coisas ruins, no caso de duas coisas boas não foi escolha, foi destino, ou qualquer coisa grande o bastante, não gosto dessa palavra, mas na falta de outra ela diz, afinal de contas, nada diz exatamente o que gostaria, nem palavra, nem gente, nem gravador. aí eu penso que se a gente dissesse o que é, a gente seria outra coisa, essa coisa de essência é muito demais pro mundo dos homens, a gente é complexo demais, vai no fundo, não olha pra cima e esquece por onde entrou. então, como eu ia dizendo, eu acreditei nela, ela disse que ouviu isso de alguém, ela disse de uma maneira diferente o que já sabia, eu, ela, todo mundo, essa coisa do fatalismo né, eu gosto disso, diminui a gente, diminui a gente não, coloca no lugar, diminui pra gente, sob o ponto de vista da(s) gente(s), eu gosto de tudo que tira a culpa, que tira o peso, que parece lindo, que encanta, isso me encanta, como as princesas, todas vítimas e leves.
tem parada?
eu voltei a enfeitar minha casa, eu não tenho tempo, mas sinto vontade de me abraçar quando chego em casa, eu deito na cama como se fosse a primeira vez, eu quase grito de vontade de ser eu, não tem coisa melhor do que se libertar de si mesmo.
nunca completamente, será?
e quando ela me mostrou os escritos de tanto tempo, eu vi que ele passa, ela e eu nem tanto, mas ele... é o tipo de coisa que quando a gente lembra se olha no espelho e repara mais uma ruga. 
eu não olhei, ando sem saúde pra ruga.
e se der pra ser feliz?
pensa que a culpa não é sua, nem minha pelo amor de god, culpa qualquer coisa maior, qualquer coisa sem nome, alguma coisa forte, que aguente, que dite as regras, que tenha mão firme e que saiba escolher entre coisas ruins também, só pra garantir.


tudo volta?
uma volta?
Duas.
comigo não tá!

.arruma a casa antes de sair, lava a louça, deixa o armário cheio, não esquece as chaves e o chocolate que o restante já volta.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

reacreditando




E aí eu fico pensando que a gente só descobre as coisas no vazio, as coisas mesmo, de verdade, por isso que a gente foge dele, e tem celular, e tem internet, e tem televisão, e tem amigos e namorado. Gente precisa de gente antes de qualquer coisa, mas tem que, tem não, só é quando é físico, todas essas outras coisas não existem e devoram. E aí eu penso também que é muito bom ouvir música, só música, eu já nem lembrava mais como era, e acabei de descobrir um lugar bom de sentar aqui em casa perto da escada e descobri também como seria meu auto retrato do momento, sim, tem que ser do momento, nunca entendi essa coisa de auto retrato da pessoa, como se ela fosse só aquilo, guardada as muitas possibilidades do mesmo, ainda é pouco, pra mim ao menos. Essa janela vermelha, parece que ela sempre esteve super aí pra mim, eu olho pra ela com uma parte aberta, não ela aberta, a parte do trinco de fora, com o vidro fechado, ele tem tantas possibilidades, ela sou eu objeto, então, o meu auto retrato, eu vou fazer, não vou falar, vou fazer senão desgasta a coisa, e depois nem precisa mais existir, a coisa que a gente fala. E aqui dentro tudo gira, tudo sobra, mas eu estou entendendo melhor, aos poucos, acho que eu usei esses dois anos pra correr do caos, não são 2 anos, é um ano e 3 meses, essa fase da razão, do centro, degentegrande, é eu andei correndo do tumulto, mas parece que o tumulto está pra mim assim como eu estou pro tumulto, mas eu to ficando esperta, eu vou colocar o tumulto no lugar certo, ele tava sem lugar antes, agora parece que quem ta sem lugar sou eu, mas eu to olhando em volta, atenta e calma com o celular tocando, vibrando, celular me cansa porque eu uso muito, tudo que eu uso muito me cansa, aí eu preciso dar um tempo, é também um jeito de não criar amor pela coisa, faço eu muito bem. < Fundo musical: com quantos quilos de medo se faz uma tradição? O Zé é foda! > mas então, o celular de alguma forma me tira do vazio e eu to precisando de nada, to precisando mesmo me deparar comigo, mas tem as pessoas que também querem se deparar comigo, e eu mais ainda com elas, porque eu gosto delas, só que eu to precisando usar energia a meu favor e eu sinto que eu entro pela ligação á fora sem volta, agora eu só escrevi porque ele não me atendeu, senão eu ligaria pra ele e pra TV ao mesmo tempo, pronto, mais uma, menos uma tarde. Quando a gente faz análise a gente acha que tudo é transferência, se eu falasse tudo isso pro meu analista ele daria um jeito de me fazer ver que o problema não é o celular, e eu sei disso, percebi agora, mas antes me parecia, a partir do problema aparente você encontra o problema real, se é que ele existe, porque toda hora que você encontra a questão descobre minutos depois que é só uma vírgula, eu nunca vi ninguém falar do ponto. Agora me deu um medo de morrer estranho, eu nunca falei sobre isso, mas agora nesse minuto eu percebi que não contribuo em nada, não contribuo pra mim mesma, jogo contra, eu nem falo inglês, que tipo de gente ela é? E quando a Fátima diz que eu to desanimada, que eu preciso olhar em volta, recuperar alguma coisa que ta indo embora, eu entendo tanto, mas não tem seta, nem fundo <música: yesterday > um ótimo desfecho, porque assim, a vida sabe melhor do que eu quando a bateria está fraca e ela só recarrega com gente de verdade, coisa muitíssimo rara no nosso tempo, e em qualquer outro eu imagino.




.as coisas escritas parecem muito mais sérias.



palavra não ri, palavra trabalha no centro da cidade de terno e gravata e meias combinando com o sapato.palavra tem o um Honda Civic prata e vai ao cinema domingo sim, domingo não.palavra faz uma viagem pro exterior por ano e uma nacional.palavra ouve Blues e Jazz. palavra curte Happy Hour e bebe chope escuro.palavra tem um apartamento quitado e uma aliança no dedo aos 25 anos.palavra namora, casa e tem filhos, nessa ordem com urgência.



aquela menina que ia morar no sul porque se dizia apaixonada, só estava tentando fugir, ela ia se esquecer por um tempo, porque paixão é calmante, mas depois, mais tarde ela ia sair correndo por uma rua dessas, descalça, descabelada, ela ia entrar numa loja e comprar a roupa mais bonita e cara.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

como ou o que dizer pro outro?

eu.

bem, se eu pudesse te dizer, eu diria que hoje eu lavei 14 calcinhas, sim porque eu vou acumulando não sei bem por que motivo, mas eu faço isso, foi sempre assim, aí eu pego e lavo todas, parece que começa tudo de novo, e isso me agrada, essa coisa de tudo de novo.

eu diria também que não é sempre tão fácil quanto parece falar o que se pensa, mas eu acho também que quando a gente fala não significa que é assim pra sempre, só que está sendo naquele momento por questões diversas, e naquela hora era daquele jeito e era importante pra mim escrever o que escrevi e ler o que li.

e aí ontem eu fiquei sentindo essa coisa do vazio, de não saber muito o que fazer sem, de querer sair, beber, mas não tinha forças, e nisso eu descobri que essa zona toda, essa festa constante, embora seja sempre solitária acontece acompanhada de uma força outra que vem de longe, que atravessa de jato, eu fico pensando que você deve ficar um pouco fraco, porque é muita energia que eu demando daqui e deve haver fundo daí.

eu não posso esquecer de dizer nada, então, eu fiquei pensando que se você não quiser mais falar comigo tudo bem, eu mando sua blusa no dia 12 por sedex, porque já comprei, então a gente já tem uma coisa que prende a gente, a gente sempre arruma esse tipo de coisa, tem o show do paul também que eu precisava comprar metrô antes, mas você não atende, depois não vai reclamar que vou querer ir de taxi, porque os bilhetes vão acabar, essa coisa de show grande é um caos.

o chuveiro! o chuveiro está começando a melhorar, hoje vem um técnico aqui e eu não fui trabalhar, e eu até entrei no msn, mas você estava mudo, ontem tomei um banho á noite tão quente, mas tão quente, que ele conseguiu suprir sua falta, como um banho quente pode mudar o rumo de uma noite, se fosse frio provavelmente eu ficaria mal humorada, desesperada e tudo mais, mas não, eu dormi, não tão bem quanto gostaria, mas dormi inteira.

ontem quando eu vim andando pra casa vi que algo estava diferente, aí percebi que eu sempre subia a rua falando com você, você não me buscava por questões geográficas, mas a gente se falava, e eu estava acostumada.

são essas coisas sabe, essas pequenas coisas que fazem com que grandes coisas existam.

a gente existe ainda? não vou ligar, não vou gritar, agora o tempo é seu e está na sua mão, espero que saiba curtir isso, com isso, porque eu to curtindo do lado de cá, eu precisava desse movimento, sinto falta, mas to respeitando essa falta, principalmente por achar que ela não tarda ir embora.

espero que esteja tudo bem por aí como aquele dia que você estava feliz entre amigos me ligando sem retorno, porque eu ainda estou bem com tudo isso, apesar de tudo isso.

beijo, me liga.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

(re)tornando

.essa coisa de administrar muitas versões e visões e perfis e imagens não é pra mim.



.deletei meu face e pretendo alimentar mais esse espaço, ler mais coisas que escolho e me dedicar mais a essa coisa de ser eu mesma, antes de sair por aí criando perfis.



.tudo gira e eu sigo, passo, fico olhando.



tento dar um tropeço, passo
(é hora de fazer a maior lista de diretores de cinema dos últimos tempos só sair da toca depois de ver ao menos 5 de cada um deles)




é tempo de cuidar de si pra suportar esse vendaval que não tarda e chega: falta um mês pra formatura, faltam 3 meses para que a escada passe a ser rolante, falta aquela luminária de 16 reais que ainda não fui comprar, faltam 2 meses pra apresentação do ballet, falta o chuveiro esquentar quando é preciso, faltam 2 pessoas para que todas as cadeiras se ocupem ao redor, falta minha mãe pra esquentar um leite antes de dormir, faltam 2 cachorros atrapalhando toda essa ordem, falta tempo sozinha pra chorar e rir, falta aquela conversa que não chegou na hora certa, falta o quadro branco pra escrever tudo que vier na cabeça, falta tirar as coisas da cabeça, falta calma e gente calma, falta uma mala vazia e uma passagem pra paris sem volta, falta saber que é pra viver e não virar escravo disso tudo, falta acreditar na coisa e ir, falta ir acreditando na coisa, falta tempo, falta ter tempo, falta dar tempo, falta comprar o relógio (de pulso?), falta um chá que encante o dia seguinte, falta aquele brilho no olho de alguém que até quando perde, ganha, falta um chá que encante tudo de novo, falta uma gargalhada que de lembrar dói num lugar que não sei onde, falta um chá que encante o que se tem hoje, falta sair desse monte de gente e tentar ser uma gente só direito, falta um chá que encante o que tem dentro.

.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

a seta e ela


é hora de fazer alguma coisa.

é hora de sair de entrar



de ouvir Beirut

de gritar até perder a voz

de cair até parar de sangrar

de gostar até se perder

de encontrar uma seta e ir

de você com

de você sem roupa


no chão

em cima do

em cima de


olha aquela seta

ela olha pra você?

vai.


falta sinalização

sobra costume e dependência

de que?

sobra medo do futuro

receio de estar andando pra trás

pânico de não chegar á tempo

enjôo de não saber ir


não existe caminho sem placa.


fica tudo preto, tudo branco, tudo cinza

essas 4 paredes com janela e portas

5 portas tão perto não servem

não levam

essa janela que não deve ser aberta

falta coragem

sobra silêncio e muita gente falando:


- É que algumas pessoas falam quando silenciam.



vontade de voltar

de olhar pra trás e me deixar lá

de ficar naquele sonho, naquele vazio encantado

eu preciso saber onde foi que aquela coisa toda se perdeu

quando é que a gente começa a realizar?

por onde existe começo? Recomeço?

eu quero ficar lá

entender

gritar que vai faltar sentido

alguém sobrando no bolso?

quem vende?

quem troca?

eu só queria o luxo de dormir

um favor sem troco

ninguém pode por mim


aquela flor verde que grita seu nome

essa ausência permanente me mostrou esse buraco

ele é redondo

frio

e muito quente


e cheio de gente sem assunto

e têm eco

e têm uma menina de vestido branco que roda

e o vento vêm de cima

e o vestido sobe

e ela roda

e tonteia

e roda pro outro lado

não cai pra não parar

ela roda e ri

ela ri devagar

ri pouco pra não doer

e ela pretende rir a vida toda nesse limite

e o buraco afunda sob seus pés

e as paredes se aproximam

e os braços sobem

e o fundo não chega

e ela não pára

ela ri e roda


a seta olhou pra ela

ela olhou pra seta


e elas foram.


.


.


.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

avec irene

- você entende porque de tanta espera?

- é que eu sempre gostei da idéia de que o melhor está por vir.

- e já veio alguma vez?

- eu sempre desisto antes acho, ou depois.

- tem que acreditar né?

- tem que esperar pela vontade da vida.

- a gente podia conversar com ela.

- fazer as pazes?

- não tanto, mas conquistar ela sabe, cativar, sabe essa coisa que gente tem de contagiar pra depois ficar relaxado na coisa?

- sei, a gente tem muito disso mesmo. Mas com a vida, não sei, ela não se rende assim tão fácil, não é qualquer um que chega, que habita, que vive com e depois manipula.

- a gente pode tentar, chegar devagar, ou será melhor no grito?

- eu prefiro gritar, é o meu jeito de falar, de chegar, de questionar, ela precisa saber que assim não está bom.

- ok, eu vou devagar, me espera, não grita ainda não, me espera, quando eu chegar mais perto, ainda demora um pouco, quando estiver quase lá te grito.

- mas eu faço o que nesse intervalo?

- prepara o grito.

- e você?

- seu intervalo é meu começo e meio, vou tentar fazer como faço com gente, vou bem na minha, meio cheia de mim, com algumas, apenas algumas certeiras idéias lançadas, tem uma coisa também de não ouvir quando não se fala diretamente pra gente, mostra uma certa soberania, um desinteresse pelo outro, super interesse pelo seu, e talvez interesse pela idéia do outro quando dirigida a você. é isso! desinteresse pelo que a vida dá, porque o que se tem, o que se é, já é tanta coisa que o que vêm só poderia vir, então não faz diferença, maneira blasê de viver, coisa de gente que sabe que merece, que não supervaloriza qualquer merreca da vida, que usa como convém, abre mão se preciso ou pega pra si quando sente que deve. e aí quando eu estiver na fase de receber alguma coisa que vêm eu te grito e você grita.

- ok, acha que dá tempo de aquecer a voz?

- dá sim, tem tempo entre a coisa que vêm, tem o viver na coisa, depois eu decido, é na hora da decisão que você entra. ou prefere antes?

- depois não?

- não, depois já foi.

- e antes?

- antes está sendo.

- na hora eu decido.

- mas a gente precisa programar irene...

- eu não consigo ser assim, essas coisa não se programam, elas acontecem.

- então eu não grito. te vejo do outro lado?

- me espera.

isso de papo pra lua causa dependência.

a minha lua está sempre tão dentro.

só faltava respirar, mas tinha que respirar.

debaixo d'água se formando como um feto.

todo dia. todo dia. todo dia.

debaixo d'água ficaria contente longe de toda gente para sempre no fundo do mar. todo dia.

"esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele, vezenquando, sejam um só"

arnaldo+eu+caio

=

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

daddy,


É que realmente, eu não sou uma pessoa que me deixo levar tão fácil, eu não sou do tipo que entra e sai das coisas que sente, e eu achei sei lá por que motivo que você entenderia isso, que você não largaria minha mão por qualquer motivo que fosse, eu to cansada de chorar, de achar que passou, de sair á noite, de ver a noite sair, pessoas com prazo vencido, cansada de acreditar que algo, que alguém vai me tirar desse buraco, mas  você não sai, eu me odeio por não te deixar ir, eu queria, eu preciso, eu não estou agüentando, ta pesado. É que toda vez parece que eu te vejo voltar, parece que eu to indo, eu já cansei de imaginar esse retorno, eu tinha tantos planos, eu já me imaginava, e dói tanto admitir isso, eu me imaginava na sua casa já toda montada deitada querendo dormir mais, eu imaginei assim: você lendo jornal com a TV ligada com 3 pontos de volume, tomando café numa xícara clara, aí você vêm até a cama que fica atrás do sofá preto e de couro, um pouco distante, mas atrás, você vêm com esse cheiro seu, com esse jeito de quem nunca perdeu pra vida, essa coisa juvenil, cuidadosa, olha, me chama de linda, fala qualquer coisa sobre o dia, olha mais, cheira devagar como quando a gente gosta de verdade, eu peço mais 5 minutos, você consente como quem já faz isso por condição, volta pro sofá , tira os chinelos, coloca os pés na mesa, volta pro jornal, pro café não mais quente pra depois fazer tudo de novo. Eu alterei uma cena que já era sua, eu achava que a gente ia ser parceiro, sabe? Achei que a gente ia pensar um filme junto, algo que tivesse haver com essa coisa de encontros, de pessoas que acreditam, que são raras no meio disso tudo, mas agora você me dói tanto, uma dor física, uma dor que tira os 5 sentidos, eu não to aguentando essa vida toda, ela dói demais, eu nunca me senti assim, sempre me cerquei bem, e eu só abri porque eu realmente achei que você vinha pra trancar, me dá um enjôo pensar nisso, eu quis tudo isso que vinha junto, eu merecia, eu gostava, eu precisava, que direito você tem de decidir sobre a minha participação? Eu só conheço gente que não acredita em nada. Me ajuda a sair daí de dentro? Me liga, fala mal de mim, me bate, me humilha, mas me empurra daí por favor?! 

terça-feira, 12 de outubro de 2010

manifesto formal azul, arial, 12

Essa mania de passar de uma coisa pra outra numa velocidade absoluta até ontem me interessava,

mas agora me parece que eu estou sempre atrás, sempre correndo atrás dessa mania, dessa doença da superação, desse vício moderno e jovem. Isso não é mesmo um texto, nem é pessimista também tampouco, é só uma espécie de manifesto, é só mais um degrau de, mais uma escama que vai, que sai por água abaixo, que vai pro ralo, que sai de mim. Eu não sou desse tempo das coisas que passam, eu sofro demais, rio demais, canto alto demais, corro, corro, corro demais pra chegar, pra fazer passar, pra superar, mas as coisas não passam, as pessoas deveriam pensar mais antes de entrar ou sair, eu preciso administrar melhor essa porta, porque depois sobra eu, aos cacos, tentando passar, tentando entender porque desse tamanho das coisas, dessa força, essa força que gente tem de ficar. Eu no fundo acredito que as coisas ainda hão de dar certo, porque a gente aprende que o final deve ser feliz, e eu também não desaprendo rápido, é tudo devagar e eu correndo no meio disso, tentando passar, fazer passar.

Eu não sou daqui,

marinheiro só.

corro pra passar,

pra repassarem,

pra vida entrar.

superar

perar

sur?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

e se fosse mais fácil, seria?


devagar, como é ou deve ser, é que pra mim, deixa eu te explicar, as coisas não acontecem como deveriam, nem como naturalmente seriam, as coisas, elas não me deixam, elas não passam por mim, pra mim, comigo
.
diferente, está sendo diferente, eu choro muito em qualquer lugar, lembro muito em todos os lugares, quero muito uma sombra de voz quase sempre animada - só eu sei o quanto quero
.
esfôrço, têm a bebida, o cigarro, outros não sei o quê, falta cheiro, abraço
.
passa, passa por mim bebendo uma garrafa de água sem gás, eu vou levantar a mão, virar o pescoço, entrar no avião e ir pra qualquer lugar que você não passe
.
acredito, na sua volta, mas eu preciso ir antes, começar a ir antes e ir depois pra quando você passar eu te escrever um email mais calmo que esse outro dizendo
:
- Eu realmente fico feliz que você tenha passado.

sábado, 7 de agosto de 2010

Avec elle

Eu não sei, e eu quase nunca sei mesmo, já acostumei, e já cansei também, principalmente cansei de começar meus textos assim, cansada desse pensamento atropelado um por cima, um ao lado, junto com o outro, eu queria saber, entender, perguntar se um dia isso passa, se análise resolve, se um dia isso passa, eu tenho pânico de pensar que não, mas tenho mais pânico de deixar isso passar, isso deve fazer algum bem, pra alguém, não pra gente, ou pra gente também, se a gente pensar nessa coisa da cabala que acredita na transferência, que essa coisa toda boa ou ruim volta pra gente, se a gente pensar assim, isso tudo que acontece e não acontece deve fazer sentido, porque sabe,
buscar mais cansa e nunca basta, e a dor vêm daí, dessa insatisfação, dessa falta de amor de todo mundo, minha também, não sei que espécie de amor é esse meu que não consegue ser de um, que precisa, que é viciado no todo, é amor distribuído, é muita migalha, muita gente comendo, uns mais outros menos, mas com prazo pra acabar, prazo que eu quase sempre ditei e agora foi diferente, tinha a vida, ele e ela, ele audaciosamente passou por cima desses dois variantes e seguiu sem, consigo pra algum lugar que não cabia mais gente, porque a vida não poderia decidir, ela é feminino, e ela também, mas ir é sempre muito delicado, muito perigoso, porque existe volta, ou não, e é pior pensar que não, porque existe morte também, todo dia morre tanta coisa na cabeça da gente, nascem outras, uma coisa sai pra entrar outra, é natural, e aí quando você morre, você não ressuscita, ás vezes o que acontece é que a coisa descansa dentro e depois acorda, a coisa dorme e você não sente tanto ela, ela pode entrar em coma também, coma induzido, ela pode induzir isso nela pra poder não morrer completamente, porque o fim é triste sabe, mas ela decidiu agora que não quer, não quer colecionar gente, quer se livrar, ela quer que tudo isso que ainda possa estar aqui dormindo, descansando, em coma induzido por ela ou não saia pela, por onde entrou, e saia rápido, porque ela agora vai se especializar em ser gente simples, gente que só vive e fim, ela sempre se julgou outra coisa sem fim, mas agora aceita, admite, reconhece-se no fim, e ela vai tratar de ir muito embora também,

de se deixar ir

por si,

consigo

e deixar que vão

com eles,

por eles,

por ela,

com ela.