Como ele poderia dizer pra ela que ela não era bem assim como ele sonhava?
Como ela poderia dizer que essa coisa de corpo ainda a assusta um pouco?
Como ele diria que a vida passa rápido e que ela tem medo de viver?
Como ela diria que o medo do desconhecido só precisa de um lirismo maior pra ser quebrado?
Como ele poderia dizer que seu balançar de perna e seu olhar perdido o faz seguro?
Como ela poderia dizer que sua vida é tão aflita quanto seus sentidos?
Como ele diria que ainda é novo para entender a sua profundidade?
Como ela diria que o sente tão passageiro quanto uma viagem?
Como ele gostaria que ela não se fizesse tão culta aos seus olhos
Como ela gostaria que suas prioridades fossem diferentes das de um menino
Ela só queria que essa euforia viesse acompanhada de um abraço
Ele só queria desrrespeitar o tempo
Ela só queria se filiar ao tempo para que um dia ele atenda seus pedidos
Ele só queria saber quem é o autor de determinada frase
Ela só queria lhe mostrar o quanto é sábia
Ele a faz perguntas frágeis
Ela responde com a humildade de quem muito sabe
Ele é tão obscuro quanto um dia de chuva
Ela irradia como um dia de sol
Ele é uma pena
Ela é a pena.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Magia
Hoje ouso escrever algumas linhas, pois acho que basta de jejum, basta de esconderijos, basta de me esconder de mim. Tenho andado numa espécie de transe paradoxal, que me faz encontrar o lírico que fica no inconsciente, o paradoxo é que eu sei da sua existência. Descobri a pouco o quanto a flauta é um instrumento fantástico. Sendo mais específica achei assim por acaso numa viagem que fiz a pouco o instrumento que me faz levitar. Mesmo sendo um estranho, já sei o quanto sua companhia me fará bem, digo me fará porque sei que temos muito a viver pela frente. Acredito em poucas coisas, uma delas é o poder da música. Ela cura, encanta, e purifica, nos faz entrar num mundo inquestionavelmente mágico. Ah, como amo a magia!
Por hoje chega.
segunda-feira, 10 de abril de 2006
O nascer
"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso."
Ando tão dependente que sequer consigo juntar algumas palavras, sílabas ou letras.
Fernando Pessoa
Ando tão dependente que sequer consigo juntar algumas palavras, sílabas ou letras.
quinta-feira, 30 de março de 2006
Homenagem à Cigana

"Eu me vesti de cigana
Pra cantar o sol
Fiz comício e deu cana
Pra cantar o sol
Ah, que riso bacana
Pra cantar o sol
Virtuosa e profana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fui quem se dava e se dana
Pra cantar o sol
Quem se empolga e cigana
Pra cantar o sol
Quem teu hálito abana
Pra cantar o sol
Quem não mente, te engana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fiz do meu corpo cabana
Pra cantar o sol
Fiz de um ano semana
Pra cantar o sol
Fiz do amor porcelana
Pra cantar o sol
Fui cigarra e cigana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fui tua mão que me esgana
Pra cantar o sol
O que o brilho não empana
Pra cantar o sol
Meu amor tinha gana
De cantar o sol
Virgem santa e sacana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol"
Cigana_Oswaldo Montenegro
terça-feira, 21 de março de 2006
"E sem muita demora ou explicação soltaram-se asas enormes de suas costas, arrancando a capa envelhecida em que a vida se tornara. Libertou-se e como uma estranha fênix renascida das cinzas subiu ao céu, num vôo que mais parecia um mergulho na tarde dourada. E quando a noite chegou, trouxe consigo uma saborosa felicidade e cheiro de amoras"
Renata Soares
domingo, 5 de março de 2006
O reacender do vazio
É tempo de rever o que foi escrito e inscrito, de recusar as linhas frágeis, de sublinhar os grandes versos, de carregar o peso leve e de crescer o que decresce. Nesse espaço que de tão vazio se tornou escuro deixo esse leve parecer que não se faz sublime, nem digno, apenas parece, se parece, aparece.
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
De sua autoria descorada
Chove lá fora
Aqui dentro nem a natureza encontra espaço
Nada mais
Não procure a audácia do sol
Nem o desbravar da chuva
Querendo uma folha em branco, entre
Sinta-se à vontade
Até sente-se caso deseje
Há, não quer sentar?
Pois então... Vejamos
Assim como quem não quer nada escreva a primeira linha
Quem sabe não sai um poema?
Desenhe também se preferir
Quer pincel?
Não tenho muitos
Mas te ofereço esses dois
As cores, bem
Tenho azul e vermelho
Gosta?
Não?
Pois então rabisque
Aja como criança
Não me importo
Quer ajuda?
Bem,
pegue o lápis,
segure na minha mão...
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Angústia
"Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar quando eu me encontar
Quero assistir o sol nascer
ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver"
Vou por aí a procurar rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar quando eu me encontar
Quero assistir o sol nascer
ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver"
Momento ausente
Canções contorcidas
Sensações turbulentas
Vontades ocultas
Desejos avassaladores
Saltos que viram
Solidão que acumula
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
Vou na valsa
Como poderia te dizer agora que te pensar me faz bem?
O tempo anda fechado, acredito que abrirá em breve. É uma pena que tantos tempos precisem ser fechados para que um apenas se abra.
Palavras soltas, idéias confusas, as palavras não me servem agora.
O tempo anda fechado, acredito que abrirá em breve. É uma pena que tantos tempos precisem ser fechados para que um apenas se abra.
Palavras soltas, idéias confusas, as palavras não me servem agora.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2006
domingo, 1 de janeiro de 2006
Simplismente uma carta
De repente me peguei pensando em como você estaria agora, fazendo o quê e com quem. Senti vontade de te falar coisas que sempre pensei em dizer. Mais do que nunca aguardei por um telefonema seu, mesmo sabendo que no caso dele acontecer seria secundário, sei que não teria eu te levado até o telefone. Mas não me importei. Só queria ouvir sua voz e até agora quero entender por que. Cheguei a conclusão minutos depois que existem coisas que fogem do meu crítico intelecto. Me senti normal, comum. Senti que caso te encontrasse agora não estaria altiva, te olharia "por baixo", como nunca tinha olhado antes. Gostei de me sentir assim e lamento que não esteja por perto. Espero que esteja bem e que um dia eu possa te fazer entender tudo e qualquer comportamento que ainda não entendo em mim. Gostaria de entender o seu também, mas esse se faz um pouco claro. Não todos. O fato de você não ter me ligado antes de viajar por exemplo, me fez sentir desimportante, diante disso parei de me sentir tão especial aos seus olhos. O que é bom, porque na verdade nunca fui, te induzo sem perceber a dizer as coisas que quero ouvir por pura vaidade, e o mais incrível é que quando você fala me sôa tão natural que eu acredito no que ouço. Pura dissimulação. Não creio que minta, apenas acho que te inventei na minha mente infantil. Você também me enxerga da sua maneira. As vezes olho em volta e tenho a sensação de te conhecer melhor que todos, mas logo vejo que te conheço da minha forma, só. Sei que deve estar achando tudo muito complexo, e como não tem saco pra meias palavras prefere que eu seja mais direta, mas não sei ser assim. Prefiro que entenda tudo da sua forma.
Sinto vontade de te contar coisas que de tão íntimas me parecem insignificantes perto dessa distância que existe entre nós dois. Existe um vácuo, um vazio, que ao passo que trasparece verdade nos distancia. Me sinto meio infantil te escrevendo agora, me sinto menos racional, menos pragmática.
Gostaria te ter coragem de te entregar essa carta. Caso não tenha ela será mais um momento guardado, um momento antes meu e agora seu. Dois momentos guardados numa gaveta.
Desculpa se sempre me fiz parecer inatingível, é que sou mesmo assim. Pode ser que eu tenha medo de te aceitar e você relaxar, existem mil possibilidades, mas prefiro me declarar dessa forma. Confesso também que essa relação não é no todo ruim. É bom te ter pela metade, e acredito que você também prefira assim. Acho que não sabemos ter mais. É bom sentir que sei mais sobre você só pelo fato de você me ligar sempre que precisa de alguém pra te ouvir, mesmo que você não diga exatamente o que gostaria, fala coisas assim perdidas pra não dizer o que na verdade te fez me ligar, me deixa durmir, mesmo que eu não precise ser deixada, me diz que tem fome e normalmente eu tenho também, falamos tudo menos o que pensamos. Eu sei, e não me importo por achar que sei o que você pensa, e você não fala por pensar já saber o que eu penso. Ninguém sabe nada.
No primeiro dia do ano estou aqui no meu quarto lembrando do seu sorriso que a essa hora deve estar servindo de oferta pra muitas outras pessoas, algumas até me incomoda pensar que podem também desfrutá-lo, mas estou aqui chorando. Não sei o que isso quer dizer, queria que dissesse algo de sólido, já que te sinto sempre tão líquido, você escorre entre meus dedos e eu finjo que te deixei cair.
Quero te dizer por fim que o que sinto por você é inexplicável. Me sinto sua, e ajo tal como, sem nunca ter sido. Nem sei se devia dizer isso, mas as vezes me vejo em situações em que seria bom te ter comigo. E o que é confuso é não saber porque não dá certo, nem errado.
Sei que não te esclareci nada, mas enfim quem sou eu pra entender. Não entendo como teus olhos conseguem me falar tantas palavras sem auxílio de outro sentido. Não entendo nada, só entendo que te queria aqui e gostaria muito que esses mesmos olhos não estivessem sempre tão distantes quanto estão agora.
"Nunca disse, te estranho"
Sinto vontade de te contar coisas que de tão íntimas me parecem insignificantes perto dessa distância que existe entre nós dois. Existe um vácuo, um vazio, que ao passo que trasparece verdade nos distancia. Me sinto meio infantil te escrevendo agora, me sinto menos racional, menos pragmática.
Gostaria te ter coragem de te entregar essa carta. Caso não tenha ela será mais um momento guardado, um momento antes meu e agora seu. Dois momentos guardados numa gaveta.
Desculpa se sempre me fiz parecer inatingível, é que sou mesmo assim. Pode ser que eu tenha medo de te aceitar e você relaxar, existem mil possibilidades, mas prefiro me declarar dessa forma. Confesso também que essa relação não é no todo ruim. É bom te ter pela metade, e acredito que você também prefira assim. Acho que não sabemos ter mais. É bom sentir que sei mais sobre você só pelo fato de você me ligar sempre que precisa de alguém pra te ouvir, mesmo que você não diga exatamente o que gostaria, fala coisas assim perdidas pra não dizer o que na verdade te fez me ligar, me deixa durmir, mesmo que eu não precise ser deixada, me diz que tem fome e normalmente eu tenho também, falamos tudo menos o que pensamos. Eu sei, e não me importo por achar que sei o que você pensa, e você não fala por pensar já saber o que eu penso. Ninguém sabe nada.
No primeiro dia do ano estou aqui no meu quarto lembrando do seu sorriso que a essa hora deve estar servindo de oferta pra muitas outras pessoas, algumas até me incomoda pensar que podem também desfrutá-lo, mas estou aqui chorando. Não sei o que isso quer dizer, queria que dissesse algo de sólido, já que te sinto sempre tão líquido, você escorre entre meus dedos e eu finjo que te deixei cair.
Quero te dizer por fim que o que sinto por você é inexplicável. Me sinto sua, e ajo tal como, sem nunca ter sido. Nem sei se devia dizer isso, mas as vezes me vejo em situações em que seria bom te ter comigo. E o que é confuso é não saber porque não dá certo, nem errado.
Sei que não te esclareci nada, mas enfim quem sou eu pra entender. Não entendo como teus olhos conseguem me falar tantas palavras sem auxílio de outro sentido. Não entendo nada, só entendo que te queria aqui e gostaria muito que esses mesmos olhos não estivessem sempre tão distantes quanto estão agora.
"Nunca disse, te estranho"
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
.ponto irracional
me conceda uma estrada com entropias para que eu.
possa me esgueirar.
num resto de pedras dissimuladas.
para que eu caia num buraco e descubra que lá dentro.
existem princesas e príncipes.
adentrando devagar, agora sim posso ver uma luz aqui dentro.
espere! seria isso...
Não, não seria.
Não é possível que aqui existam animais falantes.
tenho medo.
acho que eles não falam.
mas olham.
e olham conflituosamente.
eu fujo aos seus olhares.
me apoio numa corda que me direciona ao comum.
olho-a.
sento e choro.
mais tarde saberia que fui adiante.
deixei de me sentir uma ocasião.
***As Crônicas de Nárnia foi um filme abalou o meu conspícuo pessimismo. Confesso que o leão me surpreendeu.
Aguardo um milagre.
sábado, 24 de dezembro de 2005
Espelho
É bom sentir tua mão tocando o meu braço exausto de tanto peso carregado, sentir que me prezas, mesmo que isso não baste. Sentir teu cheiro sempre que te aproximas e me inibe com tantos olhares distorcidos. Parece que queres me falar, e me falas. Assumo que entendo. Entendo, pois é pra isso mesmo que te busco, te busco sem que sintas para ouvir exatamente o que dizes. Falas da tua transparente forma que acanha a minha sensível vaidade. Acanha porque fala-me os contornos, os sorrisos, a pinta insignificante no braço, o olhar mais direcionado, o andar característico, a parte da barriga que aparece, medes exatamente a distância entre a blusa e a calça, e com um gesto sutil abaixas a blusa para diminuí-la. Notas a cor do meu cabelo, e nunca dizes não estar bom. Aprecias cada suspiro, cada frase pronta que eu te digo, sem a menor certeza. Tu nem imaginas tal possibilidade e encaras como verdade - me fazendo ainda mais vaidosa. Me preenxes, me falas de uma inteligência que desconheço, me estudas te vendo no espelho, te fazes bem ver-te em mim. Não me gostas sincera ao extremo, te dói ouvir detalhes sentimentais quando o atuante não és tu. Mas insistes, sabes que eu não falaria e por isso desfarça sua insegurança com uma curiosidade imatura. Finges ser menos sensível ao que posso revelar, mas te vejo no espelho e sei que esse se quebraria ao me ouvir falar de um outro que não me vigora tanto quanto tu. Ficaríamos aos pedaços e não restaria sequer sombra de duas pessoas que por estar perto demais não se viam.
Não sabiam definir suas formas.
Esses encontros os fizeram um só diferente daqueles refletidos.
Não sabiam definir suas formas.
Esses encontros os fizeram um só diferente daqueles refletidos.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
A vida
Penso que a vida não tem um sentido permanente. Ela se faz valer por pequenas coisas, detalhes pouco visíveis. Um abraço é muito mais que um toque entre duas pessoas. Há um fluxo e refluxo de energia intenso, no qual os corpos se unificam e vibram num só ritmo. Mesmo que curto, existe a troca inconsciente. Nos tornamos íntimos de tal pessoa, e naquele momento a queremos bem. Logo se muda de fase, e as sensações são eternas metamorfoses. Hora degustamos como animais do prazer da carne. Outrora, raciocinamos como seres humanos. E é nesse instante que nos deixamos dominar pelo consciente: grande arquivo de dogmas.
17.11.04
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