num ônibus cheio de gente que trabalha, come e dorme,
num horário que todos se movimentam por doutrina temporal,
numa rua que nem asfalto tinha.
"A vida não é filme. Você não entendeu?"
NÃO. Você já?
Ninguém quer entender nada.
Ninguém sabe entender.
Ele diz: "quer coisa melhor do que conhecer uma pessoa que não existe?"
quero conhecer alguém que precise.
agora ele se mistura com tu, com nós.
nós: ele quer, tu queres e eu quero.
o querer é o mais ilegítimo dos verbos. em primeira pessoa então, chega a ser ofensivo. é um verbo imóvel, que paralisa. a gente quer o que ainda não têm, e provavelmente não terá, e caso tenha não quererá mais. é um prenúncio, um supiro de Deus, uma frase que antecede aquele silêncio gótico de quando parecíamos estar acabando um em relação ao outro.
"o quereres de estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
faz-me quere-te bem
querer-te mal
bem a ti
mal ao quereres assim
infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
e querendo te aprender o total
do querer que há
e do que não há em mim"
.querer é não se saber com
.
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